{"id":3835,"date":"2020-08-19T14:35:27","date_gmt":"2020-08-19T14:35:27","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3835"},"modified":"2020-09-02T11:39:32","modified_gmt":"2020-09-02T11:39:32","slug":"se-nao-estivesse-habituado-ao-erro-estava-tramado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/08\/19\/se-nao-estivesse-habituado-ao-erro-estava-tramado\/","title":{"rendered":"\u00abSe n\u00e3o estivesse habituado ao erro estava tramado!\u00bb"},"content":{"rendered":"\n<p>Artista de import\u00e2ncia indiscut\u00edvel, J\u00falio Pomar morreu h\u00e1 dois anos no dia 22 de maio, aos 92 anos. Sempre ativo a pintar, quando concedeu esta entrevista estava a trabalhar numa encomenda \u2013 \u00abum retrato de fam\u00edlia\u00bb &#8211; que n\u00e3o chegou a terminar. A sua obra atravessa toda a Hist\u00f3ria portuguesa do s\u00e9culo XX. Esta \u00e9 uma das \u00faltimas entrevistas em que fala de tudo, sem cerim\u00f3nias. Para descobrir mais, o Atelier &#8211; Museu J\u00falio Pomar apresenta a exposi\u00e7\u00e3o \u201cEm torno do acervo II\u201d, at\u00e9 Setembro de 2020, colocando algumas das suas obras em retrospectiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O seu livro&nbsp;Da Cegueira dos Pintores, de 1986, permitiu-me descobrir uma s\u00e9rie de etapas no pensamento do criador e do pintor. N\u00e3o resisto a come\u00e7ar por aqui, \u00e9 incontorn\u00e1vel, uma vez que \u00e9 uma sugest\u00e3o vinda do seu livro: o que \u00e9 que acha de si pr\u00f3prio?<\/h2>\n\n\n\n<p>Bom, o que \u00e9 que lhe posso dizer? Posso dizer-lhe, e n\u00e3o vou falhar muito \u00e0 verdade, que me sinto muito como um bichinho, uma minhoca que se descobriu a chegar \u00e0 superf\u00edcie e que n\u00e3o sabe muito bem aquilo que est\u00e1 a ver nem como perguntar. No que est\u00e1 a ver est\u00e1 cheio de indecis\u00f5es e tem a impress\u00e3o de que cada vez que p\u00f5e o p\u00e9 num degrau v\u00ea esse degrau abrir-se. Ora o problema \u00e9 que se esta posi\u00e7\u00e3o inicialmente pode parecer perturbante, ou dececionante, uma esp\u00e9cie de pergunta sem resposta, e eu n\u00e3o quero usar aqui a palavra \u00abmaturidade\u00bb, mas um certo frequentar da resposta ou das pretensas respostas conduzem a uma posi\u00e7\u00e3o, ou parecem conduzir, que n\u00e3o \u00e9 dececionante, por n\u00e3o haver uma resposta concreta. E aqui estamos a trope\u00e7ar nas palavras. Uma coisa que me parece fundamental ao longo do nosso trabalho \u00e9 questionar a pergunta, n\u00e3o no sentido de encontrar uma resposta mas numa aproxima\u00e7\u00e3o, num tatear. Isto dentro duma sensa\u00e7\u00e3o de mobilidade, de ch\u00e3o que mexe, que a princ\u00edpio pode ser perturbadora ou dececionante, como j\u00e1 disse, mas, com a continuidade, esse sentir-se o ch\u00e3o a mexer passa a ser um est\u00edmulo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A ideia fundamental do seu percurso que me surge \u00e9 a de um constante risco em toda a sua extens\u00e3o. Acha que foi, \u00e9 e ser\u00e1 continuamente um risco?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim, sim, sim, a pr\u00f3pria ambiguidade, a riqueza da palavra \u00abrisco\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pensa que esse risco, esse permanente desafio cria de certo modo a pr\u00f3pria chama do sagrado? \u00c9 isso que distingue as pessoas que sabem onde est\u00e3o e para onde querem ir?<\/h2>\n\n\n\n<p>Claro. Isso acontece quase na totalidade sem que as pessoas tenham consci\u00eancia disso. No fundo, as pessoas t\u00eam necessidade de escamotear as coisas, fugir \u00e0 realidade das coisas. A possibilidade de viver \u00e9 realmente escamotear, ou esquecer por momentos. E aqui as palavras come\u00e7am a ter inutilidade. Mas o que \u00e9 \u00fatil e n\u00e3o \u00e9 in\u00fatil? Come\u00e7a a ser perigoso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depois de fazer o retrato do Norton de Matos foi afastado da escola onde lecionava. Foi um risco que sabia necess\u00e1rio correr?<\/h2>\n\n\n\n<p>A liberdade assusta, evidentemente. Digamos que o touro sente a necessidade do redondel. A liberdade tem sempre um pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A liberdade \u00e9 uma realidade imut\u00e1vel? Ou sente que a liberdade mudou ao longo da sua vida?<\/h2>\n\n\n\n<p>Julgo que nunca tive uma ideia muito precisa acerca do que era liberdade, tal como nunca fui levado a aceitar automaticamente os limites e as condicionantes que a sociedade impunha. O desregrar dessas conven\u00e7\u00f5es para mim era uma possibilidade sempre, ou quase sempre n\u00e3o condenada. O que me parece essencial \u00e9 sabermos o que n\u00f3s entendemos por liberdade, e o entendimento deste sentimento s\u00f3 pode ser dado atrav\u00e9s de limites. Ora tais limites j\u00e1 parecem, em princ\u00edpio, impl\u00edcitos na ideia de liberdade. Portanto, a liberdade \u00e9 uma utopia, mas n\u00e3o gosto da palavra. Eu penso que n\u00e3o \u00e9 de maneira nenhuma um corpo fixo, ela tende a ser definida em termos de leis, artigos que regem a sociedade, que por defini\u00e7\u00e3o s\u00e3o limita\u00e7\u00f5es, s\u00e3o o contr\u00e1rio da liberdade. E h\u00e1 aqui uma contradi\u00e7\u00e3o interna de que a maior parte das pessoas n\u00e3o se d\u00e1 conta. A liberdade \u00e9 extremamente dif\u00edcil de ser precisada e muito perigosa, no sentido em que estamos habituados a entender as coisas atrav\u00e9s da sua limita\u00e7\u00e3o. A defini\u00e7\u00e3o \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por outro lado, hoje os limites da liberdade est\u00e3o mais esfumados. Por exemplo, n\u00e3o se percebe onde est\u00e1 o conflito, ou a energia que poder\u00e1 vir do conflito com esses limites impostos. Haver\u00e1 uma energia perdida?<\/h2>\n\n\n\n<p>Com certeza, n\u00e3o sei se essa ideia que temos de aproveitar os limites, e isto \u00e9 uma pergunta, n\u00e3o resultar\u00e1 duma dificuldade de fazermos uma leitura do panorama, de estarmos demasiadamente pr\u00f3ximos? Pode ser o conceito de liberdade que dilatou\u2026 E eu pergunto-me se realmente ser\u00e1 assim ou se isso se passa sobretudo na apar\u00eancia, na busca do car\u00e1cter essencial da liberdade? A mat\u00e9ria \u00e9 muito delicada e pouco abordada. A ideia geral \u00e9 que hoje temos muito mais liberdade do que tiveram os nossos pais ou av\u00f3s, isso \u00e9 verdade, mas em que medida \u00e9 que isso \u00e9 mais do que uma apar\u00eancia? Isto pode ser um coment\u00e1rio \u00e0 velho do Restelo, aten\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Com a elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump pass\u00e1mos a um discurso mitol\u00f3gico e infantil, e somos for\u00e7ados a conviver com not\u00edcias falsas, nega\u00e7\u00e3o da pr\u00f3xima hist\u00f3ria, etc. Ser\u00e1 que n\u00e3o vemos ou n\u00e3o queremos ver? \u00c9 uma crise da representa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica ou precisamente o oposto?<\/h2>\n\n\n\n<p>Eu espero que isto seja um acordar sobre o jogo das apar\u00eancias. \u00c9 um facto que muitas afirma\u00e7\u00f5es do senhor s\u00e3o de algum ponto de vista do gosto popular. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que as ideias sobre a liberdade da mulher s\u00e3o conceitos praticamente de elites: na rua, na profunda vida do dia a dia, n\u00f3s sabemos o que se passa. N\u00e3o h\u00e1, oxal\u00e1 que me engane, assim uma modifica\u00e7\u00e3o t\u00e3o evidente como parece haver num circuito limitado: no pa\u00eds profundo a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 igual, n\u00e3o mudou totalmente. Tenho a impress\u00e3o de que isso tem a vantagem de nos lembrar desta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como \u00e9 que lida com o erro?<\/h2>\n\n\n\n<p>Estou habituado a ele. Se n\u00e3o estivesse habituado ao erro estava tramado! [Risos.]<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depois da s\u00e9rie das \u00abcorridas de cavalos\u00bb, quando est\u00e1 no Algarve, h\u00e1 uma s\u00e9rie de obras destru\u00eddas. Era insatisfa\u00e7\u00e3o com o processo ou com o objeto final?<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 que o resultado era inconclusivo, n\u00e3o dava para coisa nenhuma. \u00c9 como um cavalo que escavasse o ch\u00e3o em vez de formar o passo.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Escreve a certo momento que o acaso \u00e9 dos materiais mais preciosos, que pode fazer despontar uma paix\u00e3o, fazer igni\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma coisa que o desperta e o leva \u00e0 obsess\u00e3o\u2026<\/h2>\n\n\n\n<p>No fundo, o acaso \u00e9 a&nbsp;capacidade de ver. O acaso est\u00e1 no pr\u00f3prio, n\u00e3o existe sem a possibilidade do seu encontro. Um encontro \u00e9 um encontro, a descoberta pode ter um peso extraordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A arte no espa\u00e7o p\u00fablico \u00e9 uma coisa que lhe interessa? Lembro-me do exemplo da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Corroios\u2026<\/h2>\n\n\n\n<p>Ah, eu gostei muito desse trabalho. Sim, sim, essa esta\u00e7\u00e3o foi das coisas mais pertinentes que me deram a fazer&#8230; A\u00ed, sem d\u00favida, empenhei-me muito, foi um trabalho que me entusiasmou muito\u2026<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outro exemplo curioso \u00e9 o nosso passaporte com Fernando Pessoa em desenhos seus\u2026<\/h2>\n\n\n\n<p>A ideia foi do&nbsp;designer&nbsp;que fez o passaporte, o Henrique Cayatte: desenhar o passaporte e ench\u00ea-lo com os meus bonecos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Falando agora de museus e do acesso \u00e0s obras originais que sei ser algo que o preocupa. Haver\u00e1 hoje uma grande mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a este acesso?<\/h2>\n\n\n\n<p>Bom, sou suspeito nessa hist\u00f3ria porque eu sou um rato de museus. Eu gosto muito dos museus. Mas sou das pessoas que veem, detesto museus chatos, cheios de quinquilharia, que contam a vida da Dona Maria II, que mostram as cuecas e as j\u00f3ias, para isso eu estou-me nas tintas. Por um lado, o museu \u00e9 uma possibilidade de oferta, por outro lado \u00e9 uma capa que \u00e9 ajeitada, e que hoje com certos h\u00e1bitos criados se torna quase imposs\u00edvel de utilizar, como os Louvres, etc., s\u00e3o hoje&nbsp;inutiliz\u00e1veis\u2026 porque agora t\u00eam que ser percorridos com os audioguias, com telem\u00f3veis&#8230; As pessoas nem olham, partilham tudo mas nem olham para o conte\u00fado daquele aparelho. H\u00e1 um empobrecimento daquilo que se recebe pela vista, e que \u00e9 reduzido a coeficientes extremamente limitados. Nos pa\u00edses que s\u00e3o ricos, por exemplo a It\u00e1lia, \u00e9 relativamente f\u00e1cil ter coisas para ver, h\u00e1 uns grandes museus, mas \u00e9 f\u00e1cil encontrar outros museus talvez com menos pontos mas igualmente interessantes. \u00c9 uma maravilha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estou a ver ali um retrato de Vitorino [Maestro Vitorino de Almeida] , sei que s\u00e3o amigos. Que influ\u00eancia \u00e9 que teve e tem a m\u00fasica no seu trabalho?<\/h2>\n\n\n\n<p>Tenho a certeza de que a m\u00fasica, por raz\u00f5es que me falta averiguar, \u00e9 a arte de que fa\u00e7o mais esfor\u00e7o para me aproximar. E aquela que tenho mais dificuldade em entender. Isto por uma raz\u00e3o muito simples, acho eu: quiseram ensinar-me piano quando eu tinha sete anos. \u00c9 uma raz\u00e3o demasiado simples! [Risos.] Deve haver uma s\u00e9rie de incapacita\u00e7\u00f5es, mas desde que me conhe\u00e7o continuo a fazer este esfor\u00e7o. \u00c9 a arte que representa para mim um grande esfor\u00e7o para retirar prazer, para compreender. N\u00e3o tenho o entendimento que suponho ter das outras, h\u00e1 um grande bloqueio. Claro que nunca fiz grandes progressos no piano, uns dois anos no m\u00e1ximo, para mim era um exerc\u00edcio penoso&#8230; O facto de ser literalmente obrigado a estudar piano foi realmente a quest\u00e3o, foi isso que me separou da m\u00fasica. Eu tiro prazer de ouvir m\u00fasica, claro, mas exige-me um esfor\u00e7o suplementar, o que \u00e9 um p\u00e9ssimo sinal. Tenho de fazer um grande esfor\u00e7o de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depois do problema de sa\u00fade que teve, pintou obras de uma escala imponente, numa s\u00e9rie com uma pujan\u00e7a incr\u00edvel. Sentiu a necessidade de obras dessa dimens\u00e3o?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim, reconhe\u00e7o que h\u00e1 o problema da morte. O que \u00e9 que posso dizer? Isto \u00e9 muito arriscado, mas tenho a impress\u00e3o de que n\u00e3o me assusta. N\u00e3o h\u00e1 outra alternativa. E, portanto, n\u00e3o vale a pena a sofrer por isso. N\u00e3o sei se, quando o problema se puser concretamente, eu vou reagir desta mesma maneira, com este desprendimento. Nestas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o me d\u00e1 uma ang\u00fastia muito grande. Quanto muito, uma sensa\u00e7\u00e3o de repouso. Mas tudo isto, aten\u00e7\u00e3o, interrogado. Porque se levar uma martelada na cabe\u00e7a, n\u00e3o sei exatamente como irei reagir, \u00e9 natural que n\u00e3o reaja da mesma maneira do que estando assim, a frio, a pensar na hist\u00f3ria. \u00c9 uma quest\u00e3o que s\u00f3 quando se chega l\u00e1 \u00e9 que se sabe.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sentiu uma energia diferente depois desse per\u00edodo em que esteve mais debilitado?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim, mas hoje trabalho muito menos e sei que n\u00e3o vale a pena insistir. Isto \u00e9 como o c\u00e3o que se deita&#8230; E n\u00e3o fico magoado, n\u00e3o me sinto triste&#8230; At\u00e9 agora. As coisas podem mudar. N\u00e3o somos t\u00e3o totalmente diferentes uns dos outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artista de import\u00e2ncia indiscut\u00edvel, J\u00falio Pomar morreu h\u00e1 dois anos no dia 22 de maio, aos 92 anos. 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