{"id":3794,"date":"2020-08-19T10:12:54","date_gmt":"2020-08-19T10:12:54","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3794"},"modified":"2020-08-19T10:12:57","modified_gmt":"2020-08-19T10:12:57","slug":"uma-obra-de-lenine-em-portugal-em-1912","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/08\/19\/uma-obra-de-lenine-em-portugal-em-1912\/","title":{"rendered":"Uma obra de L\u00e9nine em Portugal, em 1912"},"content":{"rendered":"\n<p>Em Janeiro de 1912,&nbsp;A Voz do Oper\u00e1rio&nbsp;foi pioneira na divulga\u00e7\u00e3o de uma obra de L\u00e9nine em Portugal, numa iniciativa seguida por outros tr\u00eas jornais oper\u00e1rios de Set\u00fabal e do Porto.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um relat\u00f3rio \u00e0 Internacional Socialista (a \u201c2\u00aa Internacional\u201d), elaborado em Novembro de 1911, em representa\u00e7\u00e3o do Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata da R\u00fassia. Recordava os seus deputados que tinham sido presos, poucos meses depois de serem eleitos, em 1907. Dois deles tinham morrido na pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na R\u00fassia dos czares<\/h2>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia vivia ainda sob a monarquia czarista, regime particularmente retr\u00f3gado e opressivo no contexto da \u00e9poca. Uma derrota militar frente ao Jap\u00e3o detonou uma profunda onda de contesta\u00e7\u00e3o social, oper\u00e1ria e camponesa &#8211; a Revolu\u00e7\u00e3o de 1905 -, que foi brutalmente reprimida. Mas o regime ficou enfraquecido e viu-se for\u00e7ado a encenar algumas reformas. Em 1906, permitiu a elei\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de parlamento, embora sem poder efetivo e que acabou por dissolver em menos de tr\u00eas meses.<\/p>\n\n\n\n<p>As for\u00e7as mais \u00e0 esquerda tinham boicotado essas primeiras elei\u00e7\u00f5es. Mas decidiram participar, quando o regime czarista convocou novo sufr\u00e1gio, em 1907.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de todas as restri\u00e7\u00f5es do processo eleitoral, o Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata, numa fase de unidade entre as suas correntes menchevique e bolchevique, conseguiu eleger mais de 50 deputados e ter\u00e1 sido mesmo a for\u00e7a mais votada na Ge\u00f3rgia, ent\u00e3o prov\u00edncia do \u201cImp\u00e9rio do Czar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, em 1912, \u00e9 que os bolcheviques se organizaram como partido independente, com o nome de \u201cPartido Oper\u00e1rio Social-Democrata da R\u00fassia (Bolchevique)\u201d, o qual, em 1918, se passou a chamar \u201cPartido Comunista (Bolchevique) da R\u00fassia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Deputados revolucion\u00e1rios<\/h2>\n\n\n\n<p>Voltando a 1907, a bancada \u201csocial-democrata era n\u00e3o s\u00f3 numerosa mas tamb\u00e9m uma das mais brilhantes\u201d, dizia L\u00e9nine: \u201cfilha da revolu\u00e7\u00e3o, vinha cheia de entusiasmo [&#8230;] ainda toda vibrante da grande luta que vinha de atravessar o pa\u00eds\u201d. E \u201cera a mais revolucion\u00e1ria, a mais consequente e a mais consciente das fra\u00e7\u00f5es da esquerda\u201d, as quais arrastava na sua \u00f3rbita. Tornou-se assim um \u201cderradeiro foco da revolu\u00e7\u00e3o, o seu \u00faltimo s\u00edmbolo, uma prova viva da grande influ\u00eancia da social democracia sobre as massas prolet\u00e1rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa vez, o parlamento n\u00e3o chegou a durar 4 meses at\u00e9 ser dissolvido. Os deputados social-democratas foram o principal alvo a abater. A pol\u00edcia secreta fabricou uma acusa\u00e7\u00e3o falsa, para os implicar numa suposta conspira\u00e7\u00e3o militar contra o Czar. O caso foi abafado com um julgamento \u00e0 porta fechada. E a lei eleitoral foi alterada para cortar ainda mais o direito de voto a oper\u00e1rios e camponeses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Divulga\u00e7\u00e3o em Portugal<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Lisboa, n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, este relat\u00f3rio de L\u00e9nine foi, na altura, publicado em Set\u00fabal, no jornal&nbsp;O Trabalho, e no Porto, em&nbsp;A Voz do Povo&nbsp;e&nbsp;A Voz do Prolet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os respons\u00e1veis por estes quatro jornais eram todos destacados militantes do antigo Partido Socialista Portugu\u00eas, de cariz oper\u00e1rio e marxista. E, com exce\u00e7\u00e3o de In\u00e1cio de Sousa, que faleceu antes, todos participaram, em 1914, na funda\u00e7\u00e3o da central sindical Uni\u00e3o Oper\u00e1ria Nacional &#8211; primitivo nome da CGT (Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Jos\u00e9 Fernandes Alves (1866-1931)<\/h2>\n\n\n\n<p>O redator de&nbsp;A Voz do Oper\u00e1rio&nbsp;era Jos\u00e9 Fernandes Alves. Foi um dos principais dirigentes de uma importante luta de oper\u00e1rios gr\u00e1ficos em Lisboa, em 1904, o que lhe valeu na altura ser despedido e amea\u00e7ado de deporta\u00e7\u00e3o. Entusiasta do associativismo popular, chegou a ser um autarca de Lisboa, como secret\u00e1rio da Junta de Freguesia de Santa Engr\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Manuel Luis Figueiredo (1861-1927)<\/h2>\n\n\n\n<p>O fundador e diretor efetivo do jornal&nbsp;O Trabalho, de Set\u00fabal, era outro antigo oper\u00e1rio gr\u00e1fico, Manuel Lu\u00eds Figueiredo. Ainda foi dirigente da Associa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores na Regi\u00e3o Portuguesa, um prot\u00f3tipo de central sindical fundado em 1873. Participou num dos dois congressos socialistas internacionais realizados em Paris, em 1889, que impulsionaram o 1\u00ba de Maio como Dia Internacional do Trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Manuel Jos\u00e9 da Silva (1858-1932)<\/h2>\n\n\n\n<p>O jornal&nbsp;A Voz do Povo, fundado em 1907, era o \u00f3rg\u00e3o do Partido Socialista Portugu\u00eas no norte. O seu diretor era Manuel Jos\u00e9 da Silva, empregado de escrit\u00f3rio e antigo oper\u00e1rio t\u00eaxtil. Em 1911 tinha sido eleito como deputado \u00e0 Assembleia Constituinte da Republica e como presidente do sindicato Uni\u00e3o dos Empregados no Com\u00e9rcio do Porto. Foi um dos principais fundadores da Cooperativa do Povo Portuense e da Liga das Associa\u00e7\u00f5es de Socorros M\u00fatuos do Porto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">In\u00e1cio de Sousa (1871-1914)<\/h2>\n\n\n\n<p>Fundado em 1897,&nbsp;A Voz do Prolet\u00e1rio&nbsp;era o jornal dos oper\u00e1rios tabaqueiros do Porto. O seu diretor, at\u00e9 1914, foi um dos mais destacados sindicalistas deste sector: In\u00e1cio de Sousa. Preso pol\u00edtico muito jovem, durante uma greve, em 1887, ainda no reinado de D. Luis. Foi presidente da Cooperativa do Povo Portuense. Era irm\u00e3o do oper\u00e1rio sapateiro e anarquista Manuel Joaquim de Sousa (1883-1944), que veio a ser secret\u00e1rio-geral da CGT e diretor do di\u00e1rio&nbsp;A Batalha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Janeiro de 1912,&nbsp;A Voz do Oper\u00e1rio&nbsp;foi pioneira na divulga\u00e7\u00e3o de uma obra de L\u00e9nine em Portugal, numa iniciativa seguida por outros tr\u00eas jornais oper\u00e1rios de Set\u00fabal e do Porto. Trata-se de um relat\u00f3rio \u00e0 Internacional Socialista (a \u201c2\u00aa Internacional\u201d), elaborado em Novembro de 1911, em representa\u00e7\u00e3o do Partido Oper\u00e1rio Social-Democrata da R\u00fassia. 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