{"id":3600,"date":"2020-06-11T12:12:16","date_gmt":"2020-06-11T12:12:16","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3600"},"modified":"2020-08-19T13:55:41","modified_gmt":"2020-08-19T13:55:41","slug":"a-solidariedade-e-um-instrumento-de-transformacao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/06\/11\/a-solidariedade-e-um-instrumento-de-transformacao-social\/","title":{"rendered":"\u201cA solidariedade \u00e9 um instrumento de transforma\u00e7\u00e3o social\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\"> A pandemia tem graves consequ\u00eancias econ\u00f3micas e sociais. Como podem os cat\u00f3licos intervir neste contexto? <\/p>\n\n\n\n<p> Devem, antes de mais, abrir os olhos. Ver quem est\u00e1 a sofrer mais: os mais idosos e desprotegidos, quem necessita de acompanhamento e assist\u00eancia, os desempregados, os trabalhadores com v\u00ednculos prec\u00e1rios. A pandemia aprofundou a natureza exploradora e desigual de uma \u201ceconomia que mata\u201d, na express\u00e3o do Papa Francisco. As medidas implementadas em Portugal n\u00e3o resolveram este desequil\u00edbrio. O lay-off simplificado beneficiou grandes empresas que distribuem dividendos e registaram lucros de milh\u00f5es de euros nos anos anteriores, em vez de pequenas empresas e dos seus trabalhadores que realmente precisavam desses apoios. \u00c9 sobre esta realidade que os cat\u00f3licos podem intervir. Os cat\u00f3licos n\u00e3o participam na Missa para receber, mas para dar, para ser enviados ao servi\u00e7o do pr\u00f3ximo e do bem comum. Fazem-no de diversas formas, porque infelizmente n\u00e3o faltam urg\u00eancias e problemas. \u00c9 certo que as pessoas precisam de respostas imediatas, por exemplo para se alimentarem. Mas o objectivo deve ser assegurar o que lhes \u00e9 devido e digno, com justi\u00e7a social, distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, e respeito pela sustentabilidade dos recursos naturais. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Certos setores tentaram virar a igreja contra os sindicatos usando como pretexto realiza\u00e7\u00e3o do 1.\u00ba de Maio e a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do 13 de Maio com a presen\u00e7a de fi\u00e9is. Foi uma manobra conseguida? <\/p>\n\n\n\n<p>Foram sectores reduzid\u00edssimos e pouco representativos na Igreja Cat\u00f3lica que tentaram criar fissuras sociais e gerar \u00f3dios atrav\u00e9s de pol\u00e9micas artificiais. Essa instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o surtiu efeito, at\u00e9 porque colocou a Igreja de um lado e o resto da sociedade de outro, como se houvesse um ataque \u00e0 liberdade religiosa. Mas foi a Igreja que decidiu suspender a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria das Missas e celebrar o 13 de Maio sem peregrinos, por considerar que o Santu\u00e1rio podia ser um foco de cont\u00e1gio, com a massa de gente que costuma acorrer e sem ter crit\u00e9rio comunit\u00e1rio para a limitar. A Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa foi conversando com as autoridades com grande sentido de responsabilidade. Falar do 1.\u00ba de Maio como algo \u201cdeles\u201d, ao contr\u00e1rio das celebra\u00e7\u00f5es religiosas que seriam algo \u201cnosso\u201d, \u00e9 tra\u00e7ar fronteiras que a vida em sociedade desmente e a Doutrina Social da Igreja contesta. O 1.\u00ba de Maio nem sequer \u00e9 estranho aos cat\u00f3licos, porque \u00e9 celebrado como o dia de S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio. As iniciativas do Dia do Trabalhador foram organizadas pela CGTP-IN, que conta com muitos cat\u00f3licos, em dezenas de localidades, dando voz \u00e0 luta dos trabalhadores. Foi uma demonstra\u00e7\u00e3o de civismo, com algo de did\u00e1tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es sociais em defesa da sa\u00fade p\u00fablica, e o exerc\u00edcio que direitos democr\u00e1ticos que se tornaram vitais devido \u00e0 pandemia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\"> Cat\u00f3licos progressistas ligados \u00e0 Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, \u00e0 Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (LOC) e \u00e0 Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica (JOC) uniram-se aos comunistas para fundar a Intersindical. Qual \u00e9 o retrato das organiza\u00e7\u00f5es e movimentos cat\u00f3licos portugueses na atualidade? <\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 movimentos com focos diferentes e um envolvimento intenso da juventude. A JOC \u00e9 exemplo disso, assumindo um caminho de liberta\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho. No ano passado estive com eles em Coimbra no 1.\u00ba de Maio, numa sess\u00e3o sobre a import\u00e2ncia dos sindicatos seguida de participa\u00e7\u00e3o na manifesta\u00e7\u00e3o. Tem havido uma presen\u00e7a cont\u00ednua de quadros sindicais de muito valor nas estruturas da CGTP-IN, vindos da Liga Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica &#8211; Movimento de Trabalhadores Crist\u00e3os (LOC-MTC, como agora se chama). H\u00e1 tamb\u00e9m interven\u00e7\u00f5es concretas de grupos militantes de base sobre problemas laborais em diversas dioceses. Com certeza que haver\u00e1 mais e melhor a fazer, mas estas s\u00e3o linhas de for\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">\u00c9 poss\u00edvel a converg\u00eancia entre cat\u00f3licos e organiza\u00e7\u00f5es progressistas e revolucion\u00e1rias? <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9. Tem sido. Fal\u00e1mos na CGTP-IN, mas o MUD no per\u00edodo fascista \u00e9 outro exemplo. Na Am\u00e9rica Latina, em particular, h\u00e1 diversas organiza\u00e7\u00f5es que correspondem a essa converg\u00eancia: como os Crist\u00e3os pelo Socialismo, com origem no Chile da unidade popular encabe\u00e7ada por Salvador Allende. Para al\u00e9m dos casos individuais de converg\u00eancia como o padre catal\u00e3o Luis Espinal Camps na Bol\u00edvia, defensor dos mineiros pobres, ou os frades dominicanos de S\u00e3o Paulo como Frei Betto e Frei Tito, presos e torturados durante a Ditadura Militar no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A solidariedade pode ser um instrumento de transforma\u00e7\u00e3o social?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um instrumento de transforma\u00e7\u00e3o social fundamental. A solidariedade entre trabalhadores constru\u00edda no movimento sindical unit\u00e1rio \u00e9 uma forma de organiza\u00e7\u00e3o colectiva que mobiliza as pessoas para as lutas justas que lhes dizem respeito, mas tamb\u00e9m para outras de outros sectores profissionais, e at\u00e9 para quest\u00f5es transversais como o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional. Esta solidariedade da classe trabalhadora estende-se al\u00e9m fronteiras e tem uma dimens\u00e3o internacionalista de defesa da paz e do desarmamento. \u00c9 uma verdadeira escola da democracia, onde se afirma a dignidade de quem vive do seu trabalho e se conhecem e defendem os seus direitos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">N\u00e3o houve uma apropria\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das classes dominantes da igreja como ferramenta de opress\u00e3o? <\/p>\n\n\n\n<p>Em muitos momentos, sim. Tal n\u00e3o pode ser desligado do facto de o cristianismo se ter tornado a religi\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano, que tinha primeiramente perseguido e assassinado a comunidade crist\u00e3 pelo desafio social, pol\u00edtico, e religioso que lhe colocou. Essa rela\u00e7\u00e3o directa com o poder pol\u00edtico foi prejudicial para Igreja, desde logo porque lhe retirou independ\u00eancia, submetendo-a em muitos aspectos aos interesses dos senhores da sociedade, dos amos da terra. S\u00e3o li\u00e7\u00f5es. No entanto, a Igreja \u00e9 bem maior do que isso. Sempre que houve essa apropria\u00e7\u00e3o, por exemplo na forma de conquistas, genoc\u00eddio, escravid\u00e3o, pilhagem de recursos, houve tamb\u00e9m resist\u00eancia a essa apropria\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria Igreja. Basta pensar nos frades dominicanos Ant\u00f3nio de Montesinos e Bartolomeu de las Casas que enfureceram os colonizadores do Imp\u00e9rio Espanhol no s\u00e9c. XVI. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Os trabalhadores e os seus movimentos t\u00eam algo a aprender com a experi\u00eancias de cat\u00f3licos progressistas inspirados pela Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o? <\/p>\n\n\n\n<p>A teologia da liberta\u00e7\u00e3o enfatiza a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres e oprimidos, a partir do Evangelho. Concretizar essa op\u00e7\u00e3o passa por um compromisso concreto de ac\u00e7\u00e3o transformadora, emancipadora, fundada na justi\u00e7a e na dignidade. Foi criticada pela associa\u00e7\u00e3o ao marxismo. Mas como salientou o Papa Francisco na carta dirigida ao frade dominicano Gustavo Guti\u00e9rrez, um dos fundadores dessa teologia: \u00e9 uma forma de interpelar a consci\u00eancia. Experi\u00eancias como as Comunidades Eclesiais de Base e o m\u00e9todo Ver-Julgar-Agir, utilizado na JOC e na LOC, t\u00eam uma grande riqueza na aproxima\u00e7\u00e3o e ac\u00e7\u00e3o de pessoas do mesmo bairro que enfrentam problemas semelhantes. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Em 1983, a imagem do Papa Jo\u00e3o Paulo II a ralhar com Ernesto Cardenal, padre e ministro da Cultura dos sandinistas, que tomaram o poder atrav\u00e9s de uma revolu\u00e7\u00e3o quatro anos antes, mostra que tamb\u00e9m h\u00e1 luta de classes dentro da igreja? <\/p>\n\n\n\n<p>Essa imagem tornou-se ic\u00f3nica. Marcou uma \u00e9poca de grande envolvimento de padres na pol\u00edtica, algo que eles viram como uma necessidade. Ernesto Cardenal n\u00e3o foi o \u00fanico padre com responsabilidades pol\u00edticas no governo sandinista. Eram quatro. Pediram dispensa e acabaram suspensos por Jo\u00e3o Paulo II, san\u00e7\u00f5es que foram anuladas pelo Papa Francisco. Foi um per\u00edodo de grande tens\u00e3o no contexto da Guerra Fria. \u00c9 certo dizer que h\u00e1 luta de classes dentro da Igreja, na medida em que ela n\u00e3o existe isolada da sociedade e da sua estratifica\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o em classes. Por um lado, \u00e9 um erro de an\u00e1lise a vis\u00e3o idealista de algumas pessoas de esquerda que consideram a Igreja como inimiga de classe. Isso demonstra desconhecimento da diversidade no interior da Igreja como comunidade, que sendo una n\u00e3o \u00e9 uniforme. \u00c9 preciso ultrapassar essas ideias feitas. Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 preciso n\u00e3o simplificar o legado de Jo\u00e3o Paulo II, reduzindo-o a esse papel n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es populares na Am\u00e9rica Latina mas tamb\u00e9m no contexto das convuls\u00f5es nos pa\u00edses socialistas na Europa. S\u00f3 para dar um exemplo: Jo\u00e3o Paulo II escreveu uma enc\u00edclica em 1981, Laborem Exercens, sobre o trabalho humano. \u00c9 um dos documentos fundamentais da Doutrina Social da Igreja e tem sido amplamente estudado e utilizado pelos sindicalistas e movimentos oper\u00e1rios cat\u00f3licos. Nele se reconhece o conflito entre o capital e o trabalho, se defende o primado do segundo sobre o primeiro, a dignidade do trabalho e os direitos dos trabalhadores. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Quais s\u00e3o os desafios que a igreja enfrenta nos dias de hoje? <\/p>\n\n\n\n<p>No plano internacional, as regi\u00f5es que podiam ser vistas como mais perif\u00e9ricas como a Am\u00e9rica Latina, mas principalmente a \u00c1sia e \u00c1frica, ganharam peso. Isto \u00e0 medida que a religiosidade diminuiu na Europa, muitas vezes substitu\u00edda por uma espiritualidade vaga e individualista. H\u00e1 desafios mais internos, como a quest\u00e3o da ordena\u00e7\u00e3o das mulheres. H\u00e1 ainda as chagas dos abusos sexuais de menores e a corre\u00e7\u00e3o da resposta eclesial, incluindo nela os membros leigos que foram, por vezes, silenciados e ignorados nas den\u00fancias que fizeram. A verdade \u00e9 que os leigos t\u00eam tido um papel mais destacado nas d\u00e9cadas recentes. \u00c9 algo not\u00f3rio tamb\u00e9m na Ordem Dominicana, \u00e0 qual perten\u00e7o. O frei Bento Domingues escreveu uma vez que a \u201cIgreja n\u00e3o pode ser auto-referente, deve renascer continuamente para a miss\u00e3o\u201d. Ela permanece, recupera, eventualmente fortalece-se, apenas se n\u00e3o esquecer as suas ra\u00edzes e a sua miss\u00e3o de an\u00fancio da Boa Nova que salva e liberta. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver verdadeiramente a f\u00e9 crist\u00e3 sem procurar realizar a fraternidade humana. <\/p>\n\n\n\n<p>O que destacaria deste per\u00edodo do Papa Francisco \u00e0 frente do Vaticano? H\u00e1 diferen\u00e7as assinal\u00e1veis? A igreja aproximou-se mais dos problemas sociais?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos olhar para o Papa como o chefe da Igreja, talvez espelhando uma certa ideia perniciosa de Deus como chefe supremo. A Cidade do Vaticano, com o estatuto legal que adquiriu no s\u00e9culo XX como estado, tem um gabinete de governo liderado pelo Papa. Mas na org\u00e2nica da Igreja, ele \u00e9 o bispo de Roma, a Santa S\u00e9, cuja primazia foi clarificada ao longo dos s\u00e9culos, mas \u00e9 uma primazia entre pares (primus inter pares), como at\u00e9 os crist\u00e3os ortodoxos reconhecem. Roma foi o centro primordial da Igreja primitiva, onde S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo foram martirizados. Chamo a aten\u00e7\u00e3o para isto porque o papado de Francisco tem sido marcado por uma insist\u00eancia na colegialidade, nomeadamente atrav\u00e9s da organiza\u00e7\u00e3o de s\u00ednodos de bispos, com participa\u00e7\u00f5es de padres, religiosos, e leigos sobre diversos temas como a Amaz\u00f3nia, para desbravar novos caminhos para a Igreja e uma ecologia integral. Francisco tem enfatizado os problemas sociais, mas, mais do que isso, os problemas comuns da humanidade. N\u00e3o \u00e9 uma novidade, porque esta linha pertence \u00e0 hist\u00f3ria da Igreja, mas \u00e9 certamente uma diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao passado recente. A enc\u00edclica Laudato Si\u2019 \u00e9 um contributo teol\u00f3gico-pol\u00edtico de grande impacto na Doutrina Social da Igreja, claramente ecologista e progressista. Tem fomentado movimentos e facilitado conversas entre cat\u00f3licos e outras pessoas de esquerda com as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es. O texto faz uma an\u00e1lise estrutural das desigualdades econ\u00f3micas globais e locais e das consequ\u00eancias ambientais de um sistema econ\u00f3mico centrado no lucro e n\u00e3o nas pessoas. Defende a \u00e1gua p\u00fablica. Desmonta o falso \u201cdiscurso verde\u201d guiado pelos interesses dos monop\u00f3lios. Clama pelo aprofundamento da democracia, nas suas m\u00faltiplas vertentes, contra a submiss\u00e3o do poder pol\u00edtico ao poder econ\u00f3mico. \u00c9 sobre o dever de cuidado entre os seres humanos e da humanidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua casa comum. No fundo, tem a ver com uma das palavras de elei\u00e7\u00e3o de Francisco: miseric\u00f3rdia, solidariedade na dor. Refere-se \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de Deus connosco. Mas igualmente de cada um de n\u00f3s com o seu irm\u00e3o, em especial quem \u00e9 explorado, empobrecido, descartado como se nada valesse.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pertence \u00e0 Ordem Dominicana. Professor universit\u00e1rio e membro do Conselho Nacional da CGTP-IN considera que a luta de classes dentro da Igreja \u00e9 uma evid\u00eancia. A luta pelas grandes transforma\u00e7\u00f5es sociais teve e tem a participa\u00e7\u00e3o dos cat\u00f3licos progressistas que v\u00eaem na religi\u00e3o mais um espa\u00e7o de interven\u00e7\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":3601,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3600"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3600"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3814,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3600\/revisions\/3814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3600"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=3600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}