{"id":3557,"date":"2020-06-09T08:42:27","date_gmt":"2020-06-09T08:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3557"},"modified":"2020-06-09T08:42:30","modified_gmt":"2020-06-09T08:42:30","slug":"virar-costas-ao-medo-para-ajudar-os-mais-idosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/06\/09\/virar-costas-ao-medo-para-ajudar-os-mais-idosos\/","title":{"rendered":"Virar costas ao medo para ajudar os mais idosos"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 cerca de dois meses e meio que os mais idosos enfrentam o medo\nde uma pandemia que imp\u00f4s o isolamento a uma camada da popula\u00e7\u00e3o\nque j\u00e1 vivia sob o signo da solid\u00e3o. No Laranjeiro, A Voz do Oper\u00e1rio\nrompe o sil\u00eancio com o servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio.\n<\/p>\n\n\n\n<p>Raquel Baltazar \u00e9 psic\u00f3loga e coordena o apoio domicili\u00e1rio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio no Laranjeiro, um servi\u00e7o que conta com tr\u00eas funcion\u00e1rias. Duas delas t\u00eam estado durante os \u00faltimos dois meses e meio na linha da frente. Protegidas com m\u00e1scaras, luvas e desinfetante, garantem que n\u00e3o falta higiene e alimenta\u00e7\u00e3o a nenhum dos idosos apoiados pela institui\u00e7\u00e3o. A coordenadora deste servi\u00e7o descreve o trabalho que estas mulheres desempenham todos os dias \u00fateis, das 8 \u00e0s 16 horas, rompendo o isolamento em tempos de quarentena como um quebra-gelo que abre caminho \u00e0 solidariedade e ao afeto. <\/p>\n\n\n\n<p>As diferentes necessidades de cada utente s\u00e3o avaliadas e cada um deles \u00e9 distribu\u00eddo numa escala que inclui higiene pessoal e habitacional, alimenta\u00e7\u00e3o e tratamento da roupa. As ajudantes familiares, funcion\u00e1rias d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, distribuem os almo\u00e7os com uma carrinha estabelecendo zonas de proximidade. \u201cA volta come\u00e7a \u00e0s 12 horas e \u00e9 feita sempre da mesma forma para haver uma rotina nas refei\u00e7\u00f5es\u201d, sublinha Raquel Baltazar. <\/p>\n\n\n\n<p>Desde que come\u00e7ou a pandemia, o isolamento e a necessidade de regras mais apertadas de higiene e seguran\u00e7a veio alterar o modo de trabalho no servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio. A psic\u00f3loga explica que a comida dantes era servida nas marmitas d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio e que agora \u00e9 levada dentro de material descart\u00e1vel. \u201cAs ajudantes familiares n\u00e3o entram em casa por causa da covid-19\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Munidas de bata, avental, m\u00e1scara, viseira e luvas, para al\u00e9m de desinfetante, procuram proteger os utentes e proteger-se num servi\u00e7o que \u00e9 essencial junto de uma camada da popula\u00e7\u00e3o mais fragilizada neste contexto de crise sanit\u00e1ria. Apesar de todos os cuidados, Raquel Baltazar reconhece que houve utentes que suspenderam o servi\u00e7o devido \u00e0 pandemia e deu o exemplo de um casal que recebia alimenta\u00e7\u00e3o e cuidados de higiene por parte d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio mas ficou ao cuidado do filho. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas se \u00e9 verdade que os receios naturais dos mais idosos cresceu com a pandemia tamb\u00e9m houve pedidos de ajuda. \u201cUma senhora para higiene e um casal para alimenta\u00e7\u00e3o deram entrada durante este per\u00edodo\u201d, refere a psic\u00f3loga que faz um retrato geral dos utentes deste servi\u00e7o. \u201cA maioria \u00e9 acamada. Por si s\u00f3, n\u00e3o saem de casa e a maior parte deles costuma ter algu\u00e9m com eles. Havia receio das fam\u00edlias por causa da doen\u00e7a, apesar de todos os nossos cuidados. Mas \u00e9 normal. H\u00e1 sempre fam\u00edlias que ficam reticentes\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Naturalmente, este n\u00e3o \u00e9 um receio alheio \u00e0 sociedade em geral. As pr\u00f3prias ajudantes familiares tiveram algum receio no princ\u00edpio, mesmo com materiais de prote\u00e7\u00e3o, quando tudo era ainda mais incerto e desconhecido. Ainda assim, viraram costas ao medo. \u201cA firmeza destas ajudantes familiares foi muito importante para a institui\u00e7\u00e3o e para os utentes\u201d, considera Raquel Baltazar. Passados dois meses e meio, as medidas de seguran\u00e7a s\u00e3o as mesmas. \u201cO receio j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evidente. Come\u00e7aram a perceber como \u00e9 que era melhor para elas e para os utentes sabendo que n\u00e3o querem ficar doentes nem querem contagiar ningu\u00e9m\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio no Laranjeiro, a alegria contagiante destas funcion\u00e1rias \u00e9 outra arma fundamental para derrotar o medo e o isolamento. \u201cElas s\u00e3o pessoas muito animadas, muito bem dispostas, e t\u00eam muito influencia nos utentes. Os utentes j\u00e1 reagem da mesma forma brincalhona. Se calhar neste per\u00edodo do confinamento acaba por ter um impacto diferente e haver alguma descontra\u00e7\u00e3o \u00e9 importante\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um servi\u00e7o imprescind\u00edvel neste contexto, considera. \u201cPara os nossos utentes \u00e9 primordial. Por causa da higiene e da alimenta\u00e7\u00e3o. Muitos n\u00e3o cozinham e n\u00f3s continuamos a garantir necessidades b\u00e1sicas, independentemente da situa\u00e7\u00e3o\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de dois meses e meio que os mais idosos enfrentam o medo de uma pandemia que imp\u00f4s o isolamento a uma camada da popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 vivia sob o signo da solid\u00e3o. No Laranjeiro, A Voz do Oper\u00e1rio rompe o sil\u00eancio com o servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio. 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