{"id":3476,"date":"2020-05-11T09:22:46","date_gmt":"2020-05-11T09:22:46","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3476"},"modified":"2020-05-11T09:23:28","modified_gmt":"2020-05-11T09:23:28","slug":"poemas-para-abril-e-maio-poemas-sociais-de-nuno-rocha-morais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/05\/11\/poemas-para-abril-e-maio-poemas-sociais-de-nuno-rocha-morais\/","title":{"rendered":"Poemas para Abril e Maio, poemas sociais, de Nuno Rocha Morais"},"content":{"rendered":"\n<p>Mesmo nestes dias de resguardo sanit\u00e1rio, a poesia pode, e deve, <em>estar na rua. <\/em>Porque Abril \u00e9 o m\u00eas da palavra liberta, ampla e fecunda; porque Abril \u00e9 mais do que um m\u00eas, \u00e9 o M\u00caS, em que tudo, de repente, num <em>dia de prod\u00edgios<\/em>, mudou nas nossas vidas. O m\u00eas soberano da Liberdade resgatada, o m\u00eas em que crescemos para al\u00e9m da nossa altura, em que o Eu se transformou num amplo e sonoro N\u00d3S! <\/p>\n\n\n\n<p>Quarenta e seis anos depois, a poesia, alguma poesia, a mais atenta aos fen\u00f3menos pol\u00edticos e sociais, \u00e0 ess\u00eancia das coisas e da Vida, continua a dizer-nos <em>Se temos de morrer, ven\u00e7amos a matilha<\/em>, que nos convoca e, de modo pedag\u00f3gico, nos incita <em>Nem sempre a firmeza te ser\u00e1 vit\u00f3ria.\/N\u00e3o: haver\u00e1 momentos em que dever\u00e1s vergar\/Como quem quebra,\/Como quem se submete \u00e0 amargura de um fim\/Que sobre n\u00f3s pesa.\/Verga, sem quebrar, para que, de novo, te possas erguer.\/No ergueres-te. <\/em>O livro, este que hoje vos recomendo, tem por t\u00edtulo <em>Poemas Sociais, <\/em>de Nuno Rocha Morais. <\/p>\n\n\n\n<p>O autor nasceu no Porto em 1973 e faleceu no Luxemburgo em 2008. Teve, portanto, vida breve. Foi jornalista n\u2019<em>O Com\u00e9rcio do Porto <\/em>e tradutor no Departamento de L\u00edngua Portuguesa da Comiss\u00e3o Europeia, no Luxemburgo. Grande parte da sua poesia \u2013 o autor deixou um vasto esp\u00f3lio &#8211; tem vindo a ser publicada a t\u00edtulo p\u00f3stumo. <\/p>\n\n\n\n<p>As traves centrais da po\u00e9tica de Nuno Morais radica nos valores da condi\u00e7\u00e3o humana: na dignidade, na justi\u00e7a, na morte, na paz, no respeito pelos velhos que trazem no <em>rosto\/Os sulcos\/De uma terra esgotada\/E o desamparo de baldios,\/De f\u00e1bricas abandonadas, <\/em>velhos, denuncia o poeta, que <em>Cumpriram, mas agora j\u00e1 n\u00e3o servem.\/Vivem, alimentados com reformas de fome. <\/em>Uma voz que clama contra a usura e a <em>organiza\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria<\/em>, que fere o mais humano que nos habita. Essa busca do justo dividir do p\u00e3o, de que tamb\u00e9m Ary nos falava. <\/p>\n\n\n\n<p>A unidade tem\u00e1tica deste livro inscreve esse supremo sentido, a busca do rosto do outro na multid\u00e3o, a conjuga\u00e7\u00e3o s\u00e1bia de um discurso sem panflet\u00e1rios arroubos, mas que incide, de modo inteligente e sens\u00edvel, sobre as quest\u00f5es centrais do nosso tempo: a crueldade, a gan\u00e2ncia dos que mandando no mundo, tendo tudo, apenas distribuem sobejos. Um poeta tamb\u00e9m para estes dias, sobrelevando o luto, quando nos diz que <em>As crian\u00e7as reconstroem o calor.\/E a cada beijo um novo dia se ergue,\/Pleno de f\u00e9rtil brancura. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Poemas Sociais, de Nuno Rocha Morais \u2013 Colec\u00e7\u00e3o\n\u201cExplica\u00e7\u00e3o das \u00c1rvores\u201d, Edi\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o\ndos Jornalistas e Homens de Letras do Porto\/2019\n<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo nestes dias de resguardo sanit\u00e1rio, a poesia pode, e deve, estar na rua. Porque Abril \u00e9 o m\u00eas da palavra liberta, ampla e fecunda; porque Abril \u00e9 mais do que um m\u00eas, \u00e9 o M\u00caS, em que tudo, de repente, num dia de prod\u00edgios, mudou nas nossas vidas. 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