{"id":3473,"date":"2020-05-11T09:18:38","date_gmt":"2020-05-11T09:18:38","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3473"},"modified":"2020-05-11T09:18:41","modified_gmt":"2020-05-11T09:18:41","slug":"a-casa-e-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/05\/11\/a-casa-e-o-mundo\/","title":{"rendered":"A Casa e o Mundo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A Casa e o Mundo<\/em> \u00e9 o t\u00edtulo de uma obra de Rabindranath Tagore, escritor indiano galardoado com o Pr\u00e9mio Nobel da Literatura, em 1913, e que, de uma forma abstrata, se poder\u00e1 considerar como versando a rela\u00e7\u00e3o que existe entre o que nos \u00e9 distante ou veio de fora e o conforto e seguran\u00e7a, tanto f\u00edsicos como intelectuais que nos oferece a nossa casa. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 expressivo, e para isso se chama a aten\u00e7\u00e3o, o n\u00fa- mero de palavras que na l\u00edngua portuguesa se iniciam com o prefixo CA: casa, casca, casulo, cabida, caverna, c\u00e2mara (no sentido de compartimento onde se ouve m\u00fasica recatada e \u00edntima ou <em>acappella<\/em>) e ainda, entre muitas outras, castelo e cabe\u00e7a (no sentido de cr\u00e2nio, algo de importante e fechado). Tudo dando a entender ou girando \u00e0 volta da no\u00e7\u00e3o de abrigo, de prote\u00e7\u00e3o ou s\u00edtio seguro e quando entre n\u00f3s a palavra FOGO quer dizer o mesmo que CASA ou LAR, o significado de todas elas se funde e inclui a emo\u00e7\u00e3o e sentimentos de vida partilhada. <\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 por tudo isto que, quando insidioso v\u00edrus, mil vezes mais pequeno que um mil\u00edmetro se espalhou de rold\u00e3o pelo mundo inteiro, bem avisados andaram cientistas e governantes em organizarem o quotidiano de todos de maneira que s\u00f3 n\u00e3o ficassem em casa aqueles que fossem necess\u00e1rios \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 seguran\u00e7a e ao abastecimento dos outros. Bem hajam estes. <\/p>\n\n\n\n<p>Acharam estranho que os mandassem para casa os velhos que jogavam cartas nas mesas e nos bancos que a Junta de Freguesia colocou h\u00e1 tempos na Alameda Dom Afonso Henriques, em Lisboa. Refilaram e poderiam ter sido acusados de desobedi\u00eancia, eles que t\u00e3o cordatos sempre foram. Talvez se possa compreender e aceitar a sua atitude se nos deitarmos a adivinhar <\/p>\n\n\n\n<p>como ser\u00e3o as casas dos velhos que jogam as cartas na Alameda Dom Afonso Henriques, em Lisboa ou em qualquer outro jardim p\u00fablico por esse pa\u00eds fora: muitos deles viver\u00e3o em quartos alugados, outros viver\u00e3o em casas escuras e h\u00famidas, tudo indica que ser\u00e3o velhas e mal cuidadas e a maioria deles quando l\u00e1 chegam encontram a solid\u00e3o como \u00fanica companheira. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que alguns tenham sido v\u00edtimas de um\noutro v\u00edrus, igualmente pernicioso, chegado algum\ntempo antes deste, escondido nas entrelinhas das leis\ndo alojamento local e dos despejos&#8230;\n<\/p>\n\n\n\n<p>E por tudo isto se deseja que, passados estes conturbados tempos, se mantenha a mesma determina\u00e7\u00e3o por parte de todos e, recuperada a sa\u00fade, se recupere o trabalho e se promovam pol\u00edticas p\u00fablicas que conduzam \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do problema do alojamento para o maior n\u00famero. <\/p>\n\n\n\n<p>Casas cujas rendas sejam compat\u00edveis com os rendimentos de cada fam\u00edlia, casas adequadas \u00e0s necessidades de todos os grupos e sobretudo casas am\u00e1veis, onde d\u00ea gosto viver&#8230; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Casa e o Mundo \u00e9 o t\u00edtulo de uma obra de Rabindranath Tagore, escritor indiano galardoado com o Pr\u00e9mio Nobel da Literatura, em 1913, e que, de uma forma abstrata, se poder\u00e1 considerar como versando a rela\u00e7\u00e3o que existe entre o que nos \u00e9 distante ou veio de fora e o conforto e seguran\u00e7a, &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/05\/11\/a-casa-e-o-mundo\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">A Casa e o Mundo<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50,52,51],"tags":[],"coauthors":[76],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3473"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3473"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3473\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3475,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3473\/revisions\/3475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3473"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=3473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}