{"id":3470,"date":"2020-05-11T09:15:31","date_gmt":"2020-05-11T09:15:31","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3470"},"modified":"2020-05-11T09:56:59","modified_gmt":"2020-05-11T09:56:59","slug":"geni-e-o-zepelim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/05\/11\/geni-e-o-zepelim\/","title":{"rendered":"Geni e o Zepelim"},"content":{"rendered":"\n<p>O acompanhamento da situa\u00e7\u00e3o an\u00f3mala que vivemos devido \u00e0 pandemia, pela comunica\u00e7\u00e3o social dominante, trouxe-me \u00e0 mem\u00f3ria a can\u00e7\u00e3o Geni e o Zepelim, da \u00d3pera Do Malandro de Chico Buarque. <\/p>\n\n\n\n<p>Para quem n\u00e3o conhe\u00e7a ou n\u00e3o se recorde, aqui fica um breve resumo. Um travesti, Geni, era maltratado pela popula\u00e7\u00e3o, mas surgiu um zepelim cujo comandante estava disposto a destruir a cidade, exceto se lhe fosse propiciada uma noite de sexo com Geni. Todos, a partir das autoridades civis e religiosas suplicaram o seu assentimento, o que aconteceu. Tendo-se retirado o zepelim e passado o perigo, tudo voltou ao que era dantes, isto \u00e9, voltaram os maltratos a Geni. <\/p>\n\n\n\n<p>A analogia est\u00e1 na forma como as lutas dos trabalhadores dos transportes s\u00e3o tratadas, ou maltratadas, pela comunica\u00e7\u00e3o social quando o tempo \u00e9 da chamada normalidade e agora, quando a evid\u00eancia demonstra a sua indispensabilidade para o funcionamento da economia, entram para o grupo dos her\u00f3is. <\/p>\n\n\n\n<p>Para que a vida continue, seja para a circula\u00e7\u00e3o de pessoas ou mercadorias, l\u00e1 est\u00e3o os trabalhadores dos transportes. <\/p>\n\n\n\n<p>Ainda recentemente, no in\u00edcio da crise epid\u00e9mica, assistimos ao crucificar dos estivadores do porto de Lisboa, acusando-os de falta de senso, escondendo que lhes assistia toda a raz\u00e3o, pois fruto de uma fal\u00eancia fraudulenta, os acordos de trabalho n\u00e3o estavam a ser cumpridos e havia sal\u00e1rios em atraso. <\/p>\n\n\n\n<p>A entidade empregadora pertence \u00e0s empresas que lhe adquirem os servi\u00e7os de estiva, servi\u00e7os esses que v\u00eam sendo fornecidos abaixo do custo, donde resultou a sua fal\u00eancia, conforme denunciou publicamente a FECTRANS\/CGTP-IN, sem que a dita comunica\u00e7\u00e3o social se tenha apercebido. <\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o que o governo encontrou para resolver o problema foi a requisi\u00e7\u00e3o civil dos estivadores! Estranha forma de combater a corrup\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora, embora omitidos na enumera\u00e7\u00e3o, estar\u00e3o englobados no grupo dos her\u00f3is que garante que o pa\u00eds funciona em servi\u00e7os m\u00ednimos. <\/p>\n\n\n\n<p>Num momento em que, tal como os trabalhadores de muitos outros setores, com destaque para os do setor da sa\u00fade (igualmente mal tratados h\u00e1 n\u00e3o muito tempo) tamb\u00e9m os do setor de transportes s\u00e3o reconhecidos como essenciais, n\u00e3o faltando reconhecimentos. <\/p>\n\n\n\n<p>Seria bom que n\u00e3o acontecesse como em Geni e o Zepelim, isto \u00e9, que passado o perigo n\u00e3o regress\u00e1ssemos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dos maus tratos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acompanhamento da situa\u00e7\u00e3o an\u00f3mala que vivemos devido \u00e0 pandemia, pela comunica\u00e7\u00e3o social dominante, trouxe-me \u00e0 mem\u00f3ria a can\u00e7\u00e3o Geni e o Zepelim, da \u00d3pera Do Malandro de Chico Buarque. Para quem n\u00e3o conhe\u00e7a ou n\u00e3o se recorde, aqui fica um breve resumo. Um travesti, Geni, era maltratado pela popula\u00e7\u00e3o, mas surgiu um zepelim cujo &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/05\/11\/geni-e-o-zepelim\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Geni e o Zepelim<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50,39,52],"tags":[],"coauthors":[115],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3470"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3470"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3506,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3470\/revisions\/3506"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3470"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=3470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}