{"id":3440,"date":"2020-05-04T11:30:46","date_gmt":"2020-05-04T11:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3440"},"modified":"2020-06-11T12:15:28","modified_gmt":"2020-06-11T12:15:28","slug":"construir-uma-escola-a-dista%cc%82ncia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/05\/04\/construir-uma-escola-a-dista%cc%82ncia\/","title":{"rendered":"Construir uma escola a\u0300 dista\u0302ncia"},"content":{"rendered":"\n<p>Com uma perspetiva progressista do papel da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, A Voz do Oper\u00e1rio sempre privilegiou a sala de aula como meio para a participa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos alunos com ferramentas e conte\u00fados culturais. A intera\u00e7\u00e3o e o trabalho coletivo s\u00e3o marcas da escola democr\u00e1tica que a institui\u00e7\u00e3o promove e o an\u00fancio de medidas de restri\u00e7\u00e3o para evitar a expans\u00e3o da pandemia do novo coronav\u00edrus foi t\u00e3o s\u00fabito como a necessidade de adaptar o modelo a uma nova realidade. <\/p>\n\n\n\n<p>A r\u00e1pida resposta dada pelos professores d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio foram determinantes, considera Rita Rato, m\u00e3e de um aluno do 6.\u00ba ano na Gra\u00e7a. A morar na Amadora, compara a lenta adapta\u00e7\u00e3o da escola p\u00fablica \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o com a decis\u00e3o d\u2019A Voz, logo na segunda quinzena de mar\u00e7o, de criar novas formas de trabalho. \u201cEste trabalho que A Voz tem feito vai muito no seguimento do contexto e do que j\u00e1 era feito em sala de aula. Trabalhar com cada aluno, dentro da sua autonomia, e isto \u00e9 muito importante\u201d, sublinha. <\/p>\n\n\n\n<p>Sandra Pina Pereira, coordenadora pedag\u00f3gica e professora do 2.o ciclo, explica que agora \u201cos hor\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o iguais\u201d porque \u201cn\u00e3o fazia sentido que as aulas decorressem nos mesmos moldes\u201d. Como n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio n\u00e3o h\u00e1 aulas expositivas, a elabora\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios foi feita com o objetivo de salvaguardar o acompanhamento, \u201co mais individualizado poss\u00edvel\u201d, das tarefas que v\u00e3o sendo lan\u00e7adas aos alunos. A docente afirma que cada professor tem um grupo de alunos e que \u201cprocura estar o m\u00e1ximo de tempo com cada um deles\u201d. \u201cPara al\u00e9m das d\u00favidas, de ensinarmos a mexer nas plataformas, a anexar os trabalhos, de conversarmos sobre o dia a dia, temos a preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixar cair a proximidade, apesar de estarmos longe\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>A ideia, sublinha Sandra Pina Pereira, \u00e9 manter a no\u00e7\u00e3o de coletivo. \u201c\u00c0s 9h30, estamos todos juntos, despertamos para aquilo que h\u00e1 a fazer durante o dia, perguntamos se h\u00e1 d\u00favidas, se podemos ajudar e depois fazemos as tutorias e conseguimos conciliar com o programa televisivo do Estudo em Casa, que n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio, \u00e9 um refor\u00e7o. \u00c9 uma mancha de tempo aut\u00f3nomo em que podem fazer isso se quiserem. \u00c0 tarde temos outro momento coletivo, \u00e0s 15h30, com o balan\u00e7o do que foi feito\u201d, descreve. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ensinar e aprender atr\u00e1s do ecr\u00e3 <\/h2>\n\n\n\n<p>Sobre esta metodologia de trabalho, adaptada \u00e0s novas circunst\u00e2ncias, Rita Rato considera que do que mais fal- ta sente Miguel, o seu filho, \u00e9 do espa\u00e7o fora da sala de aula, da brincadeira e do intervalo. \u201cSobretudo, porque est\u00e1 mais exposto ao computador. J\u00e1 fazia muito trabalho que enviava atrav\u00e9s de e-mail mas era compensado pelo espa\u00e7o f\u00edsico e pelo trabalho sem ser \u00e0 frente do compu- tador. Mas ainda assim \u00e9 interessante porque os alunos conseguem ter espa\u00e7os de partilha\u201d, valoriza esta m\u00e3e que considera importante manterem-se grupos hetero- g\u00e9neos, mesmo neste per\u00edodo. <\/p>\n\n\n\n<p>De facto, a maior exposi\u00e7\u00e3o ao computador \u00e9 um dos\nelementos que menos agrada a professores, alunos e pais,\nmas inevit\u00e1vel numa rela\u00e7\u00e3o que se tem de manter \u00e0\ndist\u00e2ncia. Sandra Pina Pereira revela que os professores\nest\u00e3o muito mais tempo em frente ao ecr\u00e3. \u201cDesde que\nacordamos at\u00e9 que nos deitamos estamos a responder a\nmensagens, a ver emails, a atender a preocupa\u00e7\u00f5es. Isso\ndeixa-nos permanentemente ligados e \u00e9 muito cansativo,\nmas s\u00f3 assim \u00e9 que conseguimos organizar os mi\u00fados\u201d.\n<\/p>\n\n\n\n<p>Maria, do 5.\u00ba ano, afirma que as maiores diferen\u00e7as s\u00e3o \u201cestar a falar para um computador\u201d e \u201cn\u00e3o fazer tantos trabalhos coletivos\u201d. Da mesma opini\u00e3o \u00e9 Rosa, do 6.\u00ba ano. Conta que nota bastante a diferen\u00e7a entre trabalhar na escola e trabalhar em casa, sobretudo no que diz respeito aos trabalhos de grupo e ao apoio de professores e colegas. Ainda assim, acha que \u201cest\u00e1 a correr bem\u201d e que est\u00e1 a conseguir habituar-se. \u201c\u00c9 sempre bom experimentar coisas novas, sobretudo se for para o\nnosso bem e para o bem de todos\u201d, explica.\n<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o primeiro momento, A Voz do Oper\u00e1rio procurou saber junto dos pais quais os recursos inform\u00e1ticos que tinham em casa e se precisavam de algum tipo de apoio nesse sentido. Sandra Pina Pereira explica que a escola conseguiu disponibilizar alguns computadores \u00e0s crian\u00e7as e os pr\u00f3prios pais procuraram saber junto dos outros se precisavam de ajuda. Este esfor\u00e7o de interajuda e de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade de cada fam\u00edlia foi tamb\u00e9m tido em conta no momento de construir hor\u00e1rios tendo em conta os recursos dispon\u00edveis. <\/p>\n\n\n\n<p>Os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o, que ter\u00e3o de ser diferentes, foram outra das preocupa\u00e7\u00f5es que foi resolvida entre professores e alunos. O facto \u00e9 que o contacto e o trabalho coletivo \u00e9 permanente. \u201cEles procuram-nos muito, mesmo sem d\u00favidas. Cada professor tem uma sala no Zoom e eles sabem os hor\u00e1rios. Aparecem para conversar, para contar o que fizeram, um epis\u00f3dio qualquer, seja em casa ou relacionado com a escola\u201d. Mas para al\u00e9m do trabalho conjunto, mant\u00e9m-se o contacto entre alunos atrav\u00e9s de v\u00e1rias plataformas. Rita Rato confirma que tentam compensar assim a dist\u00e2ncia e Sandra Pina Pereira revela que as crian\u00e7as aprenderam muito mais rapidamente do que os adultos e encontraram nestas plataformas ve\u00edculos para estarem em permanente contacto. <\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3prios professores, for\u00e7ados a encontrar novas formas de se organizarem, est\u00e3o em permanente contacto e at\u00e9 se v\u00eaem mais do que na escola. \u201cTentamos estar muito mais alerta e muito mais em cima do acontecimento. Fazemos balan\u00e7os semanais e estamos juntos quer no acolhimento quer no balan\u00e7o. Quando estamos na escola temos hor\u00e1rios diferentes e cruzamo-nos menos\u201d, afirma a coordenadora pedag\u00f3gica. Ainda assim, entende que \u00e9 muito dif\u00edcil adaptar plenamente aquilo que se faz numa escola como A Voz do Oper\u00e1rio a estas circunst\u00e2ncias. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma perspetiva progressista do papel da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, A Voz do Oper\u00e1rio sempre privilegiou a sala de aula como meio para a participa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos alunos com ferramentas e conte\u00fados culturais. 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