{"id":3302,"date":"2020-04-02T15:26:20","date_gmt":"2020-04-02T15:26:20","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3302"},"modified":"2020-04-02T15:26:24","modified_gmt":"2020-04-02T15:26:24","slug":"ler-em-tempo-de-quarentena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/04\/02\/ler-em-tempo-de-quarentena\/","title":{"rendered":"Ler em tempo de quarentena"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o fora o v\u00edrus, esta coisa n\u00e3o humana que trava a progress\u00e3o social, que nos atropela e fecha em casa despojados de tudo, a vida em suspenso, o ser social que nos habita transformado em prisioneiro de uma distopia que amea\u00e7a, n\u00e3o apenas as nossas vidas presentes mas, sobretudo a forma como vamos encarar a vida e o nosso relacionamento com outro depois da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Seremos capazes do gesto expont\u00e2neo, como latinos com o cora\u00e7\u00e3o trespassando a pele, de abra\u00e7ar os amigos sem temores? \u201cQue saudades de um abra\u00e7o\u201d, escrevia a Ana Margarida de Carvalho na sua criativa quarentena. Ser\u00e1 que conseguimos, depois do pesadelo, dar aos bra\u00e7os o seu of\u00edcio primordial; teremos o mesmo afecto, a mesma liga\u00e7\u00e3o ao Outro, sem medo, sem antes reciclarmos tudo o que de negativo, em termos humanos e civilizacionais, formos absorvendo ao longo destes dias, meses, quem sabe?<\/p>\n\n\n\n<p>Se no cinema, ou no teatro, algu\u00e9m tossir, como reagiremos, que mem\u00f3rias terr\u00edveis da peste nos assaltar\u00e3o? Na Am\u00e9rica de Trump ser\u00e1 prov\u00e1vel que algu\u00e9m puxe da arma e dispare contra o incauto que ousou constipar-se, ou ter uma breve irrita\u00e7\u00e3o de garganta. Por c\u00e1, as armas n\u00e3o servem, felizmente, como resposta \u00e0s nossas inquieta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, sobre esta maleita que nos tomou de assalto, que heran\u00e7a nos ir\u00e1 deixar o COVID19. Que pre\u00e7o pagaremos?<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que o tempo da quarentena que nos ret\u00e9m em casa, s\u00e3o as sequelas que desse tempo, dessa absurda circunst\u00e2ncia, permanecer\u00e3o nos nossos tiques, nos nossos comportamentos, na nossa integra\u00e7\u00e3o social. E os inimigos das liberdades duramente conquistadas est\u00e3o muito atentos a esse pr\u00f3ximo futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, percorro a estante e vou recomendarvos, como leitura ou releitura, alguns livros atravessados por um humor inteligente e substantivo, que vos podem ajudar a contornar a neurose e a esbo\u00e7ar algum sorriso. O humor \u00e9 sadio e em tempo de c\u00f3lera o humor (e o amor, como o fez Gabriel Garcia Marquez) \u00e9 o melhor ant\u00eddoto contra o desespero. \u201cA humanidade levase demasiado a s\u00e9rio. \u00c9 o pecado original do mundo. Se os homens das cavernas tivessem sabido rir, a Hist\u00f3ria teria sido muito diferente\u201d, disse-nos Oscar Wilde.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns t\u00edtulos: A Queda de Um Anjo, de Camilo Castelo Branco, O Conde de Abranhos, de E\u00e7a de Queir\u00f3s, O Que Diz Molero, de Diniz Machado, Cr\u00f3nica dos Bons Malandros, de M\u00e1rio Zambujal, Cad\u00e1veres \u00e0s Costas, de Miguel Real, Jaime Bunda \u2013 Agente Secreto, de Pepetela e, j\u00e1 agora, o meu policial As M\u00e1scaras Sobre o Fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembrem-se do Poema Sobre o Medo, do Alexandre O\u2019Neill \u2013 n\u00e3o deixemos que ele, o medo, nos transforme em ratos. O medo n\u00e3o pode ter tudo. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o fora o v\u00edrus, esta coisa n\u00e3o humana que trava a progress\u00e3o social, que nos atropela e fecha em casa despojados de tudo, a vida em suspenso, o ser social que nos habita transformado em prisioneiro de uma distopia que amea\u00e7a, n\u00e3o apenas as nossas vidas presentes mas, sobretudo a forma como vamos encarar a &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/04\/02\/ler-em-tempo-de-quarentena\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Ler em tempo de quarentena<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":3303,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3302"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3302"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3307,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3302\/revisions\/3307"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3302"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=3302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}