{"id":3280,"date":"2020-04-02T15:09:41","date_gmt":"2020-04-02T15:09:41","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3280"},"modified":"2020-04-02T15:09:46","modified_gmt":"2020-04-02T15:09:46","slug":"semos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/04\/02\/semos\/","title":{"rendered":"\u201cSemos?\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>O perigo do v\u00edrus devastador \u00e9 exibido, n\u00e3o como algo que se sobrep\u00f5e a tudo e a todos, mas como algo que \u00e9 tudo (e o mesmo) para todos. A mensagem de sentido \u00fanico \u00e9 isolem-se, recolham-se, nada mais importa, nada mais existe.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de t\u00e3o vincada ofensiva sobre as ideias e os comportamentos conv\u00e9m fazer-se um esclarecimento \u00e0 cabe\u00e7a: n\u00e3o, n\u00e3o se desvalorizam os imensos perigos que representa o Covid 19, antes pelo contr\u00e1rio, combatem-se aqueles que n\u00e3o lhe querem dar combate. Sabe-se que em situa\u00e7\u00f5es destas os que mais sofrem a morte e os que mais duras situa\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e sociais ter\u00e3o de enfrentar s\u00e3o os trabalhadores e as camadas populares. Por isso, n\u00e3o, n\u00e3o se desvaloriza o perigo deste malfadado v\u00edrus. Mas a Hist\u00f3ria ensina que um perigo nunca vem s\u00f3 e que inimigo, que \u00e9 inimigo figadal, n\u00e3o desaproveita oportunidades de estocar com esperan\u00e7as letais.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos ao pobre trocadilho de cacetada na gram\u00e1tica. Querem fazer acreditar que o que antes nos dividia agora se desvanece, o inimigo \u00e9 s\u00f3 um e contra o v\u00edrus marchar, marchar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os telejornais contam a hist\u00f3ria que \u00e9 pouco inovadora e se multiplica nas redes sociais. Apresente-se a narrativa: o perigo \u00e9 grande (acrescente-se o drama \u00e0 medida do apresentador de piquete) e como em todos os enredos similares h\u00e1 as v\u00edtimas, os her\u00f3is e os malfeitores. As v\u00edtimas somos todos n\u00f3s que respiramos sem saber onde p\u00e1ra esse \u201cv\u00edrus Chin\u00eas\u201d (e pumba l\u00e1 est\u00e1 uma estocada); os her\u00f3is s\u00e3o os profissionais de sa\u00fade, os bombeiros, os pol\u00edcias\u2026, enfim, a linha da frente que afinal isto \u00e9 a guerra (estranhos her\u00f3is que at\u00e9 h\u00e1 quinze dias mereciam um aumento de 0.3% ao fim de dez anos a ver o vencimento a mingar face ao supermercado); os malfeitores s\u00e3o todos aqueles que num dia solarengo, como caracol, puseram os ditos ao sol. Depois \u00e9 o loop sucessivo e pelo meio l\u00e1 se vai mostrando que ali ao lado, nos vizinhos espanh\u00f3is, algu\u00e9m n\u00e3o se portou bem e muita gente se est\u00e1 a dar muito mal. E os italianos, pior, nem falar\u2026. Por isso, aqui que valha tudo: sal\u00e1rios, organiza\u00e7\u00e3o do tempo de trabalho, direitos, emprego e o mais que for\u2026 Sub-repticiamente, acrescenta-se o medo e a incerteza sobre o futuro que l\u00e1 vem: recess\u00e3o, desemprego\u2026 e por esta altura j\u00e1 estamos todos a olhar para o lado a cantar \u201csemos todos irm\u00f5es, eu e os meus patr\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores enfrentam, na verdade, v\u00e1rios perigos distintos: o perigo da sa\u00fade p\u00fablica e, a cavalo nele, os perigos da degrada\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social que o capital vai aproveitar para acentuar a explora\u00e7\u00e3o e potenciar mais uma bolha de oxig\u00e9nio para a sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Nesta guerra (sim, estamos de acordo, \u00e9 uma guerra) conv\u00e9m que escolhamos bem os nossos irm\u00e3os. No sal\u00e3o d\u2019 A Voz do Oper\u00e1rio est\u00e1 l\u00e1, bem alto na parede e em letras distintas: trabalhadores uni-vos.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> \u201cSemos todos irm\u00f5es, demos<br \/>\ntodos as m\u00f5es\u201d \u00e9 um trocadilho, um tanto infantil e outro tanto ir\u00f3nico a que uma amiga recorre ami\u00fade, e que agora parece sintetizar a leitura (e refor\u00e7o\u2026 a leitura e apenas a leitura), da realidade que querem impor. <\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":3281,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[116],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3280"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3280"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3280\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3285,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3280\/revisions\/3285"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3280"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=3280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}