{"id":3270,"date":"2020-04-02T15:04:59","date_gmt":"2020-04-02T15:04:59","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3270"},"modified":"2020-04-02T15:05:03","modified_gmt":"2020-04-02T15:05:03","slug":"centenas-no-aniversario-da-voz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/04\/02\/centenas-no-aniversario-da-voz\/","title":{"rendered":"Centenas no anivers\u00e1rio d\u2019A Voz"},"content":{"rendered":"\n<p>Foi no passado dia 29 de fevereiro, e com casa cheia, que muitos s\u00f3cios, amigos e representantes de diversas entidades sociais e pol\u00edticas celebraram os 137 anos d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, numa noite em que se evocou o jornal que lhe deu origem, pelos seus 140 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Centenas de pessoas puderam assistir ao momento em que foi inaugurado um painel exterior alusivo aos 140 anos do mais antigo t\u00edtulo oper\u00e1rio em papel, da autoria de Tiago Albuquerque, e receberam pela m\u00e3o de dezenas de crian\u00e7as a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o desta publica\u00e7\u00e3o com uma ilustra\u00e7\u00e3o de Patr\u00edcia Guimar\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o jantar, o presidente d\u2019A Voz, Manuel Figueiredo, destacou o passado, o presente eo futuro de resist\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p><br>Domingos Lobo, escritor e diretor do jornal, leu um poema de sua autoria, em homenagem \u00e0 publica\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"887\" height=\"591\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_9142_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3274\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_9142_300cmyk.jpg 887w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_9142_300cmyk-300x200.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_9142_300cmyk-768x512.jpg 768w, 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\u00e1rvores de patacas e de engano, sucumbira<br>que n\u00e3o sabia de Camilo, de E\u00e7a, de Ramalho, de Bordalo<br>que os n\u00e3o sabia ler, sequer garatujar o nome pr\u00f3prio<br>gera\u00e7\u00f5es perdidas nos fumos de um pa\u00eds \u00e0 deriva<br>voz trespassada por balas baionetas trincheiras de enxofre<br>Pa\u00eds de arranjinhos e vistas curtas, injusto e trauliteiro<br>A Voz que sabia das fomes de um tempo de incertezas<br>e curto amanho, trabalhar o tabaco que lhes rebentava os pulm\u00f5es<br>e as entranhas dos que tinham os dias e os gritos, at\u00e9 a tosse,<br>vigiados e os filhos cegos, como eles, \u00e0s palavras que libertam<br>de quem tinha por arma s\u00f3 os bra\u00e7os e a for\u00e7a que neles habita<br>a vontade de os erguer al\u00e9m de um ch\u00e3o de cinza e maus agoiros<br>eis 1879, o tempo chegado da mudan\u00e7a<br>o querer vision\u00e1rio de Cust\u00f3dio Braz Pacheco e tantos outros<br>o Povo mi\u00fado os oper\u00e1rios e os filhos deles<br>que come\u00e7aram a juntar as letras aprendendo a ler os livros que os<br>pais n\u00e3o sabiam de t\u00e3o vergados ao escuro na labuta tabaqueira<br>estavam l\u00e1 a escola, os livros, as palavras, os saberes<br>a febre de vencer os muros da indiferen\u00e7a<br>tinham de novo recuperada A Voz perdida em Alc\u00e1cer Kibir<br>depois suspensa e vigiada a l\u00e1pis azul c\u00e1rceres e ignom\u00ednia<br>durante 48 anos de noite espessa<br>mas estava l\u00e1 nesse rumor fundo das grandes viagens<br>que transformam o Mundo<br>uma Voz A Voz plasmada em caracteres de jornal<br>A Voz inquieta e a inquietar aberta ao pensamento<br>dos que traziam nos dedos a ousadia<br>de moldar as palavras em chumbo e subst\u00e2ncia<br>a suprema capacidade dos justos<br>que se negam \u00e0 iniquidade do seu tempo<br>estavam l\u00e1 nesse rumor antigo e laborioso<br>os sinais mais perenes da dignidade a nossa condi\u00e7\u00e3o primordial<br>a palavra sa\u00edda das oficinas, da ganga, dos bra\u00e7os<br>da tinta, do \u00f3leo, do fulgor das m\u00e1quinas<br>das m\u00e3os obreiras e h\u00e1beis de muitos artes\u00e3os do sonho<br>transformando o papel numa Voz A Voz colectiva<br>A Voz modelando no corpo de um jornal uma for\u00e7a imensa<br>uma Voz que se escrevia\/escreve com orgulho<br>ao alto em parangonas na primeira p\u00e1gina<br>A Voz geradora, consciente, corajosa e libert\u00e1ria<br>que gritava \u00e0 cidade: estamos vivos e escrevemos Futuro!<br>o Futuro que trouxe para as ruas de Lisboa numa manh\u00e3 de Maio<br>as palavras que habitavam as ideias justas<br>A Voz rasgando as trevas <br>junta com milhares de outras vozes plurais e livres<br>fecundando o tempo o nosso tempo<\/em> <br><br>Domingos Lobo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi no passado dia 29 de fevereiro, e com casa cheia, que muitos s\u00f3cios, amigos e representantes de diversas entidades sociais e pol\u00edticas celebraram os 137 anos d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, numa noite em que se 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