{"id":3092,"date":"2020-03-03T12:10:58","date_gmt":"2020-03-03T12:10:58","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3092"},"modified":"2020-04-02T12:21:16","modified_gmt":"2020-04-02T12:21:16","slug":"3092","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/03\/03\/3092\/","title":{"rendered":"Combatividade marca congresso da CGTP-IN"},"content":{"rendered":"\n<p>A for\u00e7a de centenas de milhares de trabalhadores organizados na maior central sindical portuguesa fez vibrar o 14.\u00ba Congresso da CGTP-IN que se realizou no Seixal nos dias 13 e 14 de fevereiro. A luta destas mulheres e homens foi fundamental para que nos \u00faltimos quatro anos a classe trabalhadora conquistasse e recuperasse neste pa\u00eds um significativo conjunto de direitos e rendimentos: desde a redu\u00e7\u00e3o do custo de passes sociais nos transportes p\u00fablicos e de taxas no servi\u00e7o de sa\u00fade; ao aumento do abono de fam\u00edlia e \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o gratuita dos manuais escolares para todo o ensino obrigat\u00f3rio; passando pela redu\u00e7\u00e3o dos impostos sobre os rendimentos do trabalho e a elimina\u00e7\u00e3o do corte de 10% no subs\u00eddio de desemprego; ou pelo regresso \u00e0s 35 horas de trabalho semanais na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Entre eles, o eletricista da Carris Arm\u00e9nio Carlos, que foi secret\u00e1rio-geral da CGTP-IN durante dois mandatos, cargo que agora deixa para voltar ao local de trabalho.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mais participa\u00e7\u00e3o de mulheres<br><\/h2>\n\n\n\n<p>Para o lugar de Arm\u00e9nio Carlos, foi eleita Isabel Camarinha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Com\u00e9rcio, Escrit\u00f3rios e Servi\u00e7os (CESP). \u00c9 a primeira mulher a liderar uma central sindical em Portugal desde que o sindicalismo surgiu no s\u00e9culo XIX. Este passo simb\u00f3lico para a igualdade entre homens e mulheres n\u00e3o \u00e9 um facto isolado. A CGTP-IN anunciou ter contado cerca de 115 mil novas sindicaliza\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos quatro anos. Pois, 60% foram mulheres. Entre os quase 13 mil novos mandatos de delegados sindicais a maioria de mulheres foi ainda mais acentuada: 65%. Ao n\u00edvel dos dirigentes eleitos no mesmo per\u00edodo as mulheres representam 39%.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O desafio da juventude<br><\/h2>\n\n\n\n<p>Com uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais envelhecida e elevados n\u00edveis de precariedade entre os mais jovens, a participa\u00e7\u00e3o deste estrato nos sindicatos \u00e9 uma necessidade. Constituem apenas 2% dos dirigentes de sindicatos eleitos desde 2016, e 3,5% dos delegados sindicais. Mas entre as novas sindicaliza\u00e7\u00f5es somaram 14%. Neste congresso foi aprovada uma mo\u00e7\u00e3o sublinhando que \u201cos jovens s\u00e3o os principais prejudicados pela manuten\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de baixos sal\u00e1rios, de trabalho prec\u00e1rio e sem direitos\u201d, para al\u00e9m de problemas como o \u201cbrutal aumento dos custos com a habita\u00e7\u00e3o\u201d.<br><br>Para o pr\u00f3ximo dia 26 de mar\u00e7o em Lisboa est\u00e1 convocada uma manifesta\u00e7\u00e3o de jovens trabalhadores: \u201ct\u00eam que tomar nas suas m\u00e3os a luta por um Portugal mais justo, fraterno e solid\u00e1rio!\u201d<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Baixos sal\u00e1rios atrasam a economia<br><\/h2>\n\n\n\n<p>Na sua nova carta reivindicativa, aprovada por unanimidade, a CGTP-IN defende que \u201cn\u00e3o h\u00e1 verdadeiro progresso econ\u00f3mico, social e laboral sem se fazer a rutura com o modelo de baixos sal\u00e1rios\u201d. A seu ver, \u201cos \u00faltimos tempos provam que o aumento de sal\u00e1rios dos trabalhadores e das suas fam\u00edlias s\u00e3o muito importantes para garantir o desenvolvimento e progresso do pa\u00eds\u201d.<br><br>Neste sentido, al\u00e9m do combate \u00e0 precariedade, tr\u00eas das reivindica\u00e7\u00f5es que a CGTP avan\u00e7a s\u00e3o as seguintes: aumento geral de sal\u00e1rios j\u00e1 em 2020 no montante de 90 euros para todos os trabalhadores (dos setores privado e p\u00fablico) e aumento a curto prazo do sal\u00e1rio m\u00ednimo para 850 euros; redu\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio normal de trabalho para as 35 horas semanais para todos os trabalhadores (dos setores privado e p\u00fablico) e reforma fiscal para diminuir as desigualdades sociais, baixando, por exemplo, o IVA na eletricidade e no g\u00e1s para ajudar as fam\u00edlias, e fazendo o grande capital pagar impostos &#8211; com uma taxa superior de IRC para as empresas com maiores lucros; acabar com a atribui\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios fiscais \u00e0s grandes empresas e introduzir uma taxa sobre o patrim\u00f3nio mobili\u00e1rio (como a\u00e7\u00f5es e fundos de investimento) que continua a estar livre de qualquer tributa\u00e7\u00e3o.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Unidade<br><\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com Isabel Camarinha, a CGTP-IN saiu fortalecida deste congresso. \u201cPara dinamizar a unidade na a\u00e7\u00e3o, com todos os que trabalham no nosso pa\u00eds, sejam eles de que nacionalidade forem, tenham que credo religioso tenham e mesmo com os que nenhum t\u00eam, votem em que partido votarem, porque aquilo que nos une \u00e9 a nossa condi\u00e7\u00e3o de explorados \u00e9 o facto de sermos trabalhadores\u201d, afirmou a nova secret\u00e1ria-geral.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sauda\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio<br><\/h2>\n\n\n\n<p>A Voz do Oper\u00e1rio enviou uma sauda\u00e7\u00e3o ao 14.\u00ba Congresso da CGTP evocando os \u201cfortes la\u00e7os\u201d que as unem \u201cnos seus objetivos e ideais\u201d. Considerando a CGTP como \u201co melhor garante da defesa dos direitos e aspira\u00e7\u00f5es mais profundos de todos os trabalhadores\u201d, A Voz do Oper\u00e1rio manifestou a sua convic\u00e7\u00e3o de que as reflex\u00f5es e decis\u00f5es deste congresso \u201cservir\u00e3o para refor\u00e7ar o movimento sindical unit\u00e1rio no combate \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, e que estes e as suas organiza\u00e7\u00f5es sindicais t\u00eam de manter-se unidas e coesas em torno da defesa do direito ao trabalho e \u00e0 vida\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Solidariedade Internacionalista<br><\/h2>\n\n\n\n<p>No dia anterior ao congresso, a CGTP promoveu uma confer\u00eancia internacional que reuniu mais de uma centena de delega\u00e7\u00f5es. Causou particular impacto a interven\u00e7\u00e3o de um sindicalista da Palestina, denunciando a brutal explora\u00e7\u00e3o de que ali s\u00e3o v\u00edtimas os trabalhadores sob a ocupa\u00e7\u00e3o israelita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A for\u00e7a de centenas de milhares de trabalhadores organizados na maior central sindical portuguesa fez vibrar o 14.\u00ba Congresso da CGTP-IN que se realizou no Seixal nos dias 13 e 14 de fevereiro. 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