{"id":3034,"date":"2020-02-05T15:58:30","date_gmt":"2020-02-05T15:58:30","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3034"},"modified":"2020-02-05T15:58:32","modified_gmt":"2020-02-05T15:58:32","slug":"o-sindicalista-alberto-alves-carneiro-e-a-cooperativa-do-povo-portuense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/02\/05\/o-sindicalista-alberto-alves-carneiro-e-a-cooperativa-do-povo-portuense\/","title":{"rendered":"O sindicalista Alberto Alves Carneiro e a Cooperativa do Povo Portuense"},"content":{"rendered":"\n<p>No seio dos colaboradores d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio entre 1962 e 1968 salienta-se o nome de Alberto Alves Carneiro. Era um antigo oper\u00e1rio gr\u00e1fico e sindicalista, ainda do tempo da 1\u00aa Rep\u00fablica, que tinha sido presidente da Cooperativa do Povo Portuense.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sindicalista<\/h2>\n\n\n\n<p>Filho de um militante ferrovi\u00e1rio, Alberto Alves Carneiro nasceu no Porto, em 1895. E a\u00ed viria a falecer em 1969. Foi um elemento destacado do antigo movimento sindical que existia em Portugal antes da ditadura de Salazar.<br>Delegado ao congresso da CGT (Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho) em 1922 e \u00e0 confer\u00eancia da OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho) em 1929, foi secret\u00e1rio-geral da Federa\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Oper\u00e1rias do Porto. Foi tamb\u00e9m dirigente do antigo Partido Socialista Portugu\u00eas.<br><br>Uma das causas em que se empenhou foi a defesa do limite de hor\u00e1rio de trabalho, importante fator de qualidade de vida. Em 1919 tinha sido decretada uma lei que previa na ind\u00fastria e com\u00e9rcio um hor\u00e1rio de 8 horas di\u00e1rias. Mas n\u00e3o se cumpria. Em 1930 Alberto Carneiro denunciava o caso dos mineiros de carv\u00e3o em S. Pedro da Cova, no distrito do Porto: ainda estavam sujeitos a um hor\u00e1rio de 12 horas (Rep\u00fablica Social, 08\/02\/1930, p.2).<br><br>\u00c0 semelhan\u00e7a de muitos sindicalistas da sua gera\u00e7\u00e3o, Alberto Carneiro salientou-se tamb\u00e9m no campo das associa\u00e7\u00f5es mutualistas. Chegou a ser presidente da Liga das Associa\u00e7\u00f5es de Socorro M\u00fatuo do Porto.<br> Embora com um alcance limitado, o mutualismo teve um papel hist\u00f3rico muito importante: proporcionou apoios sociais e cuidados de sa\u00fade a milhares de pessoas, quando ainda n\u00e3o existiam os atuais servi\u00e7os p\u00fablicos.<br> Alberto Carneiro tornou-se colaborador do antigo di\u00e1rio Com\u00e9rcio do Porto. E foi dirigente da Associa\u00e7\u00e3o dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto.<br><br>Publicou dois livros sobre biografias de militantes oper\u00e1rios portuenses: o marceneiro Francisco Viterbo de Campos (falecido em 1904) e o chapeleiro Jo\u00e3o Pinto Maravilhas Pereira (falecido em 1951).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"> N\u2019A Voz do Oper\u00e1rio<br><\/h2>\n\n\n\n<p>Alberto Carneiro colaborou neste jornal j\u00e1 no final da vida. Aqui partilhou mem\u00f3rias e recordou alguns antigos sindicalistas, como o oper\u00e1rio tabaqueiro portuense In\u00e1cio de Sousa (falecido em 1914). Mas tamb\u00e9m abordou algumas quest\u00f5es atuais na \u00e1rea do associativismo.<br> Com C\u00e9sar Nogueira, de Lisboa, e Jos\u00e9 G\u00edria, da Covilh\u00e3, fez parte de um conjunto de ex-dirigentes do antigo Partido Socialista Portugu\u00eas que na d\u00e9cada de 1960, j\u00e1 com uma idade avan\u00e7ada, ainda aqui deram o seu contributo.<br><br>Em 1957, Alberto Carneiro veio a Lisboa visitar a sede d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio numa delega\u00e7\u00e3o da Cooperativa do Povo Portuense. Foi um momento de confraterniza\u00e7\u00e3o entre duas institui\u00e7\u00f5es cong\u00e9neres, com velhas rela\u00e7\u00f5es de amizade. Nesse encontro compareceram tamb\u00e9m destacados cooperativistas e opositores \u00e0 ditadura em Lisboa, como Desid\u00e9rio Costa (dirigente da Caixa Econ\u00f3mica Oper\u00e1ria), Mois\u00e9s da Silva Ramos (ent\u00e3o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Inquilinos Lisbonenses) e Ant\u00f3nio S\u00e9rgio (hist\u00f3rico paladino do cooperativismo em Portugal).<br><br>Estas presen\u00e7as estiveram decerto relacionadas com a importante colabora\u00e7\u00e3o que Alberto Carneiro mantinha num espa\u00e7o de afirma\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica: o Boletim Cooperativista, fundado em 1951 sob a \u00e9gide de Ant\u00f3nio S\u00e9rgio.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"> A Cooperativa do Povo Portuense<br><\/h2>\n\n\n\n<p><br>Entre 1949 e 1958, Alberto Alves Carneiro foi o presidente da dire\u00e7\u00e3o da Cooperativa do Povo Portuense, fundada por oper\u00e1rios a 18 de mar\u00e7o de 1900, num anivers\u00e1rio da Comuna de Paris. Em 1906 j\u00e1 era uma florescente cooperativa de consumo e produ\u00e7\u00e3o. Tinha uma unidade industrial de tipografia, onde os oper\u00e1rios j\u00e1 usufru\u00edam do hor\u00e1rio de 8 horas de trabalho. Tinha uma sapataria e duas mercearias no Porto e mais uma mercearia em Matosinhos. Tinha servi\u00e7os funer\u00e1rios e de cr\u00e9dito e j\u00e1 somava mais de mil s\u00f3cios. (A Voz do Oper\u00e1rio, 01\/04\/1906, p.1)<br><br>Tornou-se a grande associa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria da cidade do Porto \u2013 como A Voz do Oper\u00e1rio em Lisboa. A cooperativa do Povo Portuense apresenta-se hoje com cerca de 18 mil s\u00f3cios. Atua na \u00e1rea da cidadania e prote\u00e7\u00e3o social, atrav\u00e9s de atribui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios de funeral, da presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade nas suas cl\u00ednicas e ao domicilio. Desenvolve atividades locais de car\u00e1cter cultural, desportivo e formativo.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"> Monumentos vivos<br><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a da sede d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, a sede da Cooperativa do Povo Portuense, constru\u00edda de raiz e inaugurada em 1914, \u00e9 um monumento do movimento oper\u00e1rio, do associativismo popular e da cidadania em Portugal. O exemplo inspirador tinha sido a Maison du Peuple (Casa do Povo) de Bruxelas. Encomendada pelo antigo Partido Oper\u00e1rio Belga, foi inaugurada em 1899.<br><br>Al\u00e9m de espa\u00e7o para reuni\u00f5es pol\u00edticas, funcionou como sede de uma grande cooperativa, com padarias, mercearias, lojas de roupa e tecidos, talhos, armaz\u00e9ns de carv\u00e3o, caf\u00e9, biblioteca, centro de sa\u00fade, sal\u00e3o de festas. (Maison du Peuple de Bruxelles, Souvenir du XXV anniversaire, 1907)<br><br>Acabou sendo demolida em 1965, num tremendo desprezo pela hist\u00f3ria da classe trabalhadora e pelo intr\u00ednseco valor arquitect\u00f3nico do edif\u00edcio. Tinha sido um projeto de um dos mais conceituados arquitectos belgas, Victor Horta. As sedes d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio e da Cooperativa do Povo Portuense continuam de p\u00e9 e vivas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No seio dos colaboradores d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio entre 1962 e 1968 salienta-se o nome de Alberto Alves Carneiro. Era um antigo oper\u00e1rio gr\u00e1fico e sindicalista, ainda do tempo da 1\u00aa Rep\u00fablica, que tinha sido presidente da Cooperativa do Povo Portuense. 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