{"id":3030,"date":"2020-02-05T15:51:57","date_gmt":"2020-02-05T15:51:57","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3030"},"modified":"2020-02-05T15:52:00","modified_gmt":"2020-02-05T15:52:00","slug":"a-arte-das-tesouras-tambem-mora-na-voz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/02\/05\/a-arte-das-tesouras-tambem-mora-na-voz\/","title":{"rendered":"A arte das tesouras tamb\u00e9m mora n\u2019A Voz"},"content":{"rendered":"\n<p>Para quem entra pela primeira vez no edif\u00edcio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio na Gra\u00e7a, a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 geralmente de espanto. A dimens\u00e3o do espa\u00e7o sugere de imediato a import\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria de Lisboa. Foi a 13 de fevereiro de 1883 que os trabalhadores tabaqueiros que haviam fundado o jornal A Voz do Oper\u00e1rio decidem criar uma institui\u00e7\u00e3o com o mesmo nome.<br><br>Os primeiros estatutos definiam claramente os objetivos daqueles homens e daquelas mulheres: \u201csustentar a publica\u00e7\u00e3o do peri\u00f3dico A Voz do Oper\u00e1rio, \u00f3rg\u00e3o dos manipuladores de tabaco, desligado de qualquer partido ou grupo pol\u00edtico\u201d, \u201cestudar o modo de resolver o grandioso problema do trabalho, procurando por todos os meios legais melhorar as condi\u00e7\u00f5es deste, debaixo dos pontos de vista econ\u00f3mico, moral e higi\u00e9nico\u201d, \u201cestabelecer escolas, gabinete de leitura, caixa econ\u00f3mica e tudo quanto, em harmonia com a \u00edndole das sociedades desta natureza, e com as circunst\u00e2ncias do cofre, possa concorrer para a instru\u00e7\u00e3o e bem-estar da classe trabalhadora em geral e dos s\u00f3cios em particular\u201d. Para tal, os 316 s\u00f3cios da altura comprometiam-se a pagar uma quota semanal de vinte r\u00e9is, quantia que retiravam dos seus humildes sal\u00e1rios.<br><br>Eram tantas as necessidades da classe trabalhadora na \u00e9poca que, por solicita\u00e7\u00e3o dos associados, em julho de 1883, a atividade da institui\u00e7\u00e3o foi alargada \u00e0 assist\u00eancia funer\u00e1ria, correspondendo a um objetivo de quem se via confrontado com o exorbitante pre\u00e7o dos funerais. \u201cUm jornal e uma carreta funer\u00e1ria, assim come\u00e7a A Voz do Oper\u00e1rio\u201d, escreveu ent\u00e3o Fernando Piteira Santos.<br><br>Desde ent\u00e3o, A Voz do Oper\u00e1rio assumiu o seu papel hist\u00f3rico e inscreveu na hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio e da cidade muitas p\u00e1ginas de grande valor. Atualmente, para al\u00e9m do jornal e dos diferentes espa\u00e7os educativos espalhados por Lisboa, Almada, Barreiro e Moita, os servi\u00e7os que a institui\u00e7\u00e3o presta \u00e0 comunidade continuam a ter o bem-estar da classe trabalhadora como objetivo.<br><br>\u201cSeja bem-vindo quem vier por bem\u201d, como cantava Zeca Afonso, \u00e9 apropriado para descrever as enormes portas da Gra\u00e7a que est\u00e3o e sempre estiveram abertas desde que o edif\u00edcio abriu pela primeira vez em 1932. Na entrada, h\u00e1 sempre algu\u00e9m para receber o corropio de gente que diariamente passa pel\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. Entre os muitos servi\u00e7os que a institui\u00e7\u00e3o presta, h\u00e1 um que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o conhecido e ao qual s\u00e3o muitos os que recorrem todos os meses. Para quem entra no edif\u00edcio e entra no primeiro corredor \u00e0 direita, se entrar no Centro de Conv\u00edvio, acede a um espa\u00e7o que \u00e9 o cabeleireiro d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio.<br><br>H\u00e1 mais de cinco anos \u00e0 frente deste servi\u00e7o, S\u00e9rgio Paix\u00e3o est\u00e1 na institui\u00e7\u00e3o h\u00e1 pelo menos 15. Tirou um curso de cabeleireiro e \u00e9 ele que agora maneja a arte das tesouras respondendo aos muitos pedidos que recebe. Atr\u00e1s da cadeira e em frente ao espelho, S\u00e9rgio Paix\u00e3o diz que h\u00e1 uma m\u00e9dia de 60 pessoas a arranjar e a cortar o cabelo por m\u00eas. Considera que \u201cas pessoas valorizam haver um espa\u00e7o assim na institui\u00e7\u00e3o\u201d. Numa zona da cidade com uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida, e em muitos casos, com car\u00eancias econ\u00f3micas graves, o papel social deste servi\u00e7o \u00e9 importante. <br><br>Ainda assim, S\u00e9rgio Paix\u00e3o explica que h\u00e1 gente de todas as idades a cortar e a arranjar o cabelo n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. Por agora, o servi\u00e7o est\u00e1 dispon\u00edvel todos os dias \u00fateis de manh\u00e3, exceto \u00e0 quarta-feira, sujeito a marca\u00e7\u00e3o pr\u00e9via atrav\u00e9s do telefone geral da institui\u00e7\u00e3o ou mesmo na rece\u00e7\u00e3o. O pre\u00e7o por corte para s\u00f3cios \u00e9 de 5 euros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem entra pela primeira vez no edif\u00edcio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio na Gra\u00e7a, a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 geralmente de espanto. A dimens\u00e3o do espa\u00e7o sugere de imediato a import\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria de Lisboa. 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