{"id":3004,"date":"2020-02-03T11:17:09","date_gmt":"2020-02-03T11:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=3004"},"modified":"2020-03-03T12:10:51","modified_gmt":"2020-03-03T12:10:51","slug":"janeiro-acaba-em-luta-contra-propostas-insultuosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/02\/03\/janeiro-acaba-em-luta-contra-propostas-insultuosas\/","title":{"rendered":"Janeiro acaba em luta \u201ccontra propostas insultuosas\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Centenas de servi\u00e7os p\u00fablicos e institui\u00e7\u00f5es fecharam devido \u00e0 greve dos trabalhadores da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, que est\u00e3o em protesto contra \u201cpropostas insultuosas do Governo\u201d como o aumento salarial de 0,3%, lembrou a Frente Comum. \u201cOs servi\u00e7os de sa\u00fade est\u00e3o nos m\u00ednimos\u201d, afirmou \u00e0 Ag\u00eancia Lusa a coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Ana Avoila, assegurando ter conhecimento de \u201ccentenas e centenas de servi\u00e7os fechados\u201d.<br><br>Entre os principais motivos para o protesto estava a proposta \u201cinsultuosa como a que o governo fez de aumentos de 0,3% aos trabalhadores da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica\u201d, recordou Ana Avoila durante a confer\u00eancia de imprensa realizada nessa manh\u00e3 em frente ao Liceu Passos Manuel, em Lisboa. Para a representante dos trabalhadores \u201cn\u00e3o h\u00e1 argumentos para o governo fazer o que fez durante o per\u00edodo da Troika\u201d porque agora \u201ch\u00e1 dinheiro\u201d e margem para avan\u00e7ar com aumentos salariais que permitam, pelo menos, recuperar os congelamentos salariais.<br><br>Para al\u00e9m da forte chuva que se fez sentir, as ruas de Lisboa encheram-se com um rio de gente que desembocou em frente \u00e0 resid\u00eancia oficial do primeiro-ministro. Do Marqu\u00eas de Pombal, milhares de trabalhadores de todo o pa\u00eds caminharam em protesto at\u00e9 ao Pal\u00e1cio de S\u00e3o Bento. Foi o caso de Concei\u00e7\u00e3o Carvalho. A auxiliar de a\u00e7\u00e3o educativa chegou de Coimbra para exigir mais respeito pela educa\u00e7\u00e3o. \u201cEstou aqui porque h\u00e1 24 anos que trabalho e desde que entrei foi sempre a perder vencimento e sinto-me desrespeitada\u201d, afirmou \u00e0 A Voz do Oper\u00e1rio. \u201cSinto que n\u00e3o sou valorizada, independentemente de ser docente ou n\u00e3o docente hoje n\u00e3o h\u00e1 respeito pela educa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muita degrada\u00e7\u00e3o, menos funcion\u00e1rios. Por exemplo, blocos de 20 salas com 300 alunos que funcionam com dois ou tr\u00eas funcion\u00e1rios e quando entrei eram quatro ou cinco\u201d, denunciou.<br><br>Concei\u00e7\u00e3o explica que \u201cfelizmente\u201d o ordenado m\u00ednimo subiu nos \u00faltimos anos mas o poder de compra foi sempre a cair. \u201cH\u00e1 24 anos conseguia juntar qualquer coisa. Hoje, n\u00e3o consigo. O nosso ordenado \u00e9 gasto em despesas do dia-a-dia\u201d, recordou. \u201cEfetivamente este or\u00e7amento \u00e9 insuficiente. Ao fim de dez anos que os trabalhadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica est\u00e3o sem um aumento salarial, darem-nos 0,3%, ou seja, 1,91 c\u00eantimos num ordenado de 635 euros, \u00e9 brincarem connosco\u201d.<br><br>J\u00e1 Bruno Lopes, vigilante e rececionista na Casa Museu Anast\u00e1cio Gon\u00e7alves, em Lisboa, decidiu participar na manifesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para denunciar a precariedade \u201cque vai sendo escamoteada com recurso a trabalho tempor\u00e1rio com empresas negligenciando as necessidades permanentes\u201d. Trabalha h\u00e1 10 anos no setor da cultura e recorda que trabalha aos s\u00e1bados, domingos e feriados sem qualquer compensa\u00e7\u00e3o, sem poder estar com a fam\u00edlia. \u201cTemos muito mais trabalho hoje. H\u00e1 mais visitantes e menos funcion\u00e1rios. Portanto, h\u00e1 mais receita e ganhamos pouco\u201d.<br><br>Na manifesta\u00e7\u00e3o era evidente tamb\u00e9m a presen\u00e7a de um largo n\u00famero de professores. \u00c0 <em>A Voz do Oper\u00e1rio<\/em>, Catarina Teixeira explicou estar no protesto para \u201cdefender os direitos dos professores, tamb\u00e9m por mais aumentos salariais, por hor\u00e1rios dignos e pela estabilidade do corpo docente\u201d. Esta professora que trabalha na Santa Casa da Miseric\u00f3rdia denunciou a precariedade existente e os hor\u00e1rios de trabalho. \u201cA falta de pessoal \u00e9 acentuada\u201d, descreveu. Nesse sentido, entende que este or\u00e7amento \u00e9 insuficiente. \u201cMais uma vez estamos a dar dinheiro aos bancos em vez de investirmos na educa\u00e7\u00e3o e na sa\u00fade\u201d, sublinhou.<br><br>Na a\u00e7\u00e3o estava tamb\u00e9m Andr\u00e9 Trindade, trabalhador da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica na Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Agricultura onde exerce como t\u00e9cnico superior. \u201cEstou aqui para defender as altera\u00e7\u00f5es que o sindicato prop\u00f5e para o Or\u00e7amento do Estado, nomeadamente os 90 euros\u201d, explicou. Para Andr\u00e9, 0,3% \u00e9 uma proposta \u201crid\u00edcula\u201d. Para al\u00e9m disso, recordou o problema das carreiras. \u201cO SIADAP impossibilita que uma pessoa que entre para a Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica tenha qualquer tipo de progress\u00e3o. S\u00e3o precisos perto de cem anos para se chegar ao topo da carreira\u201d.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Congresso da CGTP-IN, 14 e 15 de fevereiro <\/h2>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio-geral da CGTP, Arm\u00e9nio Carlos, considerou \u201cmarcante\u201d a resposta que os trabalhadores deram ao governo com a forte ades\u00e3o \u00e0 greve e \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o nacional em Lisboa, esperando que o executivo ou\u00e7a os trabalhadores. \u201cEsta luta \u00e9 marcante do ponto de vista da resposta dos trabalhadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d, afirmou no final da manifesta\u00e7\u00e3o.<br><br>Arm\u00e9nio Carlos, que deixar\u00e1 de ser secret\u00e1rio-geral da CGTP no pr\u00f3ximo congresso, que se vai realizar no Seixal, considerou que o seu mandato \u201cn\u00e3o podia acabar melhor\u201d, sublinhando que esta n\u00e3o ser\u00e1 a sua \u00faltima manifesta\u00e7\u00e3o, pois continuar\u00e1 a participar nas a\u00e7\u00f5es de luta enquanto trabalhador.<br><br>Durante dois dias, centenas de representantes dos trabalhadores filiados em sindicatos da CGTP v\u00e3o debater as orienta\u00e7\u00f5es para os pr\u00f3ximos anos e eleger uma nova dire\u00e7\u00e3o.<br><br>\u201cEnquanto continuarmos a ter injusti\u00e7as e desigualdades, aqueles dirigentes que saem da CGTP em meados de fevereiro continuar\u00e3o fi\u00e9is ao projeto da CGTP e a estar ao lado dos trabalhadores, seja do privado ou do p\u00fablico\u201d, frisou o secret\u00e1rio-geral da intersindical em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Ag\u00eancia Lusa.<br><br>Arm\u00e9nio Carlos sublinhou que este protesto foi \u201cum exemplo de descontentamento e indigna\u00e7\u00e3o contra uma proposta desrespeitadora dos direitos\u201d dos trabalhadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, defendendo ser \u201cinaceit\u00e1vel\u201d a proposta de aumentos salariais de 0,3% ap\u00f3s dez anos sem atualiza\u00e7\u00e3o remunerat\u00f3ria.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centenas de servi\u00e7os p\u00fablicos e institui\u00e7\u00f5es fecharam devido \u00e0 greve dos trabalhadores da Fun\u00e7\u00e3o P\u00fablica, que est\u00e3o em protesto contra \u201cpropostas insultuosas do Governo\u201d como o aumento salarial de 0,3%, lembrou a Frente Comum. \u201cOs servi\u00e7os de sa\u00fade est\u00e3o nos m\u00ednimos\u201d, afirmou \u00e0 Ag\u00eancia Lusa a coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/02\/03\/janeiro-acaba-em-luta-contra-propostas-insultuosas\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Janeiro acaba em luta \u201ccontra propostas insultuosas\u201d<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":153,"featured_media":3005,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[45],"tags":[],"coauthors":[89],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3004"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3004"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3004\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3094,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3004\/revisions\/3094"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3005"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3004"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=3004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}