{"id":2999,"date":"2020-02-03T11:09:12","date_gmt":"2020-02-03T11:09:12","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2999"},"modified":"2020-03-03T12:02:52","modified_gmt":"2020-03-03T12:02:52","slug":"muitos-problemas-mentais-decorrem-de-fatores-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/02\/03\/muitos-problemas-mentais-decorrem-de-fatores-sociais\/","title":{"rendered":"\u201cMuitos problemas mentais decorrem de fatores sociais\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>O psiquiatra Jos\u00e9 Manuel Jara \u00e9 uma das vozes mais respeitadas quando se trata de abordar a quest\u00e3o da sa\u00fade mental. Foi diretor de servi\u00e7o no Hospital J\u00falio de Matos e \u00e9 um dos fundadores da Associa\u00e7\u00e3o de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares. Para al\u00e9m de autor de v\u00e1rios livros de psiquiatria, \u00e9 membro do Conselho de \u00c9tica da Ordem dos M\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Durante o fascismo as pessoas com defici\u00eancia eram encerradas em asilos. Como vivia quem tinha doen\u00e7as mentais graves? <\/h2>\n\n\n\n<p><br>No per\u00edodo do fascismo e j\u00e1 no s\u00e9culo XIX constru\u00edram-se institui\u00e7\u00f5es para doentes mentais e deficientes. Essas institui\u00e7\u00f5es, asilos, manic\u00f3mios, depois hospitais psiqui\u00e1tricos, eram comuns a todos os pa\u00edses do mundo. Em Portugal o seu n\u00famero, capacidade e condi\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia forma sempre insuficientes, e centralizados em Lisboa, Porto e Coimbra. Para al\u00e9m do Estado, as Ordens Hospitaleiras contribu\u00edram para a assist\u00eancia aos doentes mentais. S\u00f3 a partir dos anos 60 do s\u00e9culo passado se inicia a descentraliza\u00e7\u00e3o com a cria\u00e7\u00e3o de Centros de Sa\u00fade Mental distritais e mais tarde de servi\u00e7os de psiquiatria em hospitais gerais.<br><br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hoje, a situa\u00e7\u00e3o mudou mas est\u00e1 muito aqu\u00e9m do necess\u00e1rio. Mais de metade das 7032 crian\u00e7as e jovens que viviam em institui\u00e7\u00f5es de acolhimento em 2018 tinham express\u00f5es e sintomas relacionados com problemas de sa\u00fade mental. A doen\u00e7a mental ainda \u00e9 sin\u00f3nimo de marginaliza\u00e7\u00e3o? <\/h2>\n\n\n\n<p><br>As car\u00eancias educativas, as fam\u00edlias disfuncionais e com meios escassos geram muitas vezes perturba\u00e7\u00f5es mentais no desenvolvimento da personalidade da crian\u00e7a e do jovem, concorrendo para o recurso a institui\u00e7\u00f5es de acolhimento. A qualidade funcional das institui\u00e7\u00f5es \u00e9 muito importante para a sa\u00fade mental das crian\u00e7as. De notar que as fam\u00edlias de acolhimento diminu\u00edram nos \u00faltimos anos.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A integra\u00e7\u00e3o social e o acesso ao emprego s\u00e3o fundamentais para a recupera\u00e7\u00e3o de quem sofre algum tipo de doen\u00e7a mental?<br> <\/h2>\n\n\n\n<p>As doen\u00e7as mentais mais graves geram dificuldades adaptativas e de integra\u00e7\u00e3o social. Para melhorar a sa\u00fade mental dos doentes \u00e9 fundamental o diagn\u00f3stico precoce e o tratamento m\u00e9dico-psiqui\u00e1trico continuado e um apoio psicossocial que permita a sua recupera\u00e7\u00e3o, habilita\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o social. O doente deve ser um cidad\u00e3o ativo, com um trabalho de acordo com as suas capacidades. Neste dom\u00ednio o nosso pa\u00eds tem muitas insufici\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"> Uma em cada quatro pessoas no mundo tem algum tipo de doen\u00e7a mental relacionada com as condi\u00e7\u00f5es de trabalho ou estudo, diz a OMS. Lembro os 35 suic\u00eddios de funcion\u00e1rios da France Telecom durante o processo de privatiza\u00e7\u00e3o e reestrutura\u00e7\u00e3o. Por c\u00e1, os suic\u00eddios aumentaram durante o per\u00edodo da troika. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre capitalismo e o crescimento das doen\u00e7as mentais? <\/h2>\n\n\n\n<p>Uma sociedade desenvolvida tecnologicamente e economicamente, num modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, n\u00e3o resolve os problemas de equidade, justi\u00e7a social e humaniza\u00e7\u00e3o na vida quotidiana. A competi\u00e7\u00e3o sem limites, a precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos laborais, a explora\u00e7\u00e3o do trabalhador com vista ao lucro concorrencial m\u00e1ximo, conduz a desgastes f\u00edsicos e mentais, que contribuem para doen\u00e7as. No per\u00edodo recente da crise, imposta pela troika, agravaram-se os problemas mentais por fatores sociais e econ\u00f3micos, verificando-se uma maior incid\u00eancia de suic\u00eddios e de atos de viol\u00eancia.<br> Muitos problemas mentais decorrem de fatores sociais e psicossociais, muitas vezes no local de trabalho. O ser humano \u00e9 um ser eminentemente social. O isolamento social, o desemprego, o desajustamento \u00e0 profiss\u00e3o e a car\u00eancia em necessidades b\u00e1sicas, repercutem na sa\u00fade mental global, aumentando a preval\u00eancia de depress\u00f5es, estados ansiosos e, nalguns casos, ao recurso a subst\u00e2ncias nocivas que geram graves depend\u00eancias, de \u00e1lcool e de drogas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">12% das doen\u00e7as em todo o mundo s\u00e3o do foro mental, valor que sobe para os 23% nos pa\u00edses desenvolvidos. A que se pode dever esta diferen\u00e7a? <\/h2>\n\n\n\n<p>As estat\u00edsticas de doen\u00e7as ps\u00edquicas n\u00e3o s\u00e3o exatas. Nos pa\u00edses menos desenvolvidos h\u00e1 falhas no registo epidemiol\u00f3gico, maiores que nos pa\u00edses mais desenvolvidos. Por isso, essas discrep\u00e2ncias n\u00e3o s\u00e3o fidedignas. Nos pa\u00edses menos desenvolvidos h\u00e1 fatores patog\u00e9nicos relacionados com a sa\u00fade materno-infantil, a nutri\u00e7\u00e3o, o d\u00e9fice de assist\u00eancia m\u00e9dica, e a pobreza, que contribuem para doen\u00e7as e defici\u00eancias, tanto f\u00edsicas como mentais. Nos pa\u00edses mais desenvolvidos, devido a exig\u00eancias competitivas e concorrenciais, pode haver um stress suplementar, com desgaste psicossom\u00e1tico que contribui para prejudicar a sa\u00fade mental, aumentando a preval\u00eancia de estados depressivos e ansiosos.<br> <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais s\u00e3o as camadas da popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7a mental? E os estratos de idade? Porqu\u00ea? <\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da sa\u00fade mental coloca-se desde o ber\u00e7o at\u00e9 \u00e0 senesc\u00eancia. Uma boa sa\u00fade materno-infantil e familiar condiciona favoravelmente toda a vida. A adolesc\u00eancia corresponde a uma \u00e9poca decisiva para a matura\u00e7\u00e3o da personalidade. Os h\u00e1bitos e os estilos de vida saud\u00e1veis s\u00e3o determinantes para o futuro da pessoa, em termos de capacita\u00e7\u00e3o, de autonomia e felicidade. Algumas doen\u00e7as mentais, como a esquizofrenia, a doen\u00e7a bipolar, as depress\u00f5es graves recorrentes e algumas perturba\u00e7\u00f5es ansiosas, t\u00eam maior incid\u00eancia na juventude, come\u00e7ando a\u00ed a doen\u00e7a. O uso de subst\u00e2ncias nocivas que atuam no c\u00e9rebro e geram depend\u00eancias inicia-se a maioria das vezes na juventude, dando relevo ao fator preventivos educativo e sociocultural para sua preven\u00e7\u00e3o, em que o papel do Estado e da sociedade \u00e9 muito importante.<br>Nos idosos, os fatores de sa\u00fade f\u00edsica geral, a par dos fatores familiares e sociais s\u00e3o importantes para a sa\u00fade mental. Uma sociedade justa e igualit\u00e1ria deve valorizar as pessoas depois de se afastarem da vida laboral ativa, quando s\u00e3o idosas. A pessoa n\u00e3o \u00e9 uma mercadoria cuja cota\u00e7\u00e3o resulta da produtividade. No idoso sobrev\u00eam as doen\u00e7as neuropsiqui\u00e1tricas mais prevalentes na senesc\u00eancia como as dem\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prev\u00ea-se que cres\u00e7a o n\u00famero de casos de doen\u00e7as mentais entre os portugueses mas, por exemplo, o governo encabe\u00e7ado por Jos\u00e9 S\u00f3crates decidiu encerrar o Hospital Miguel Bombarda. As pol\u00edticas neoliberais t\u00eam afetado a resposta do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade a este problema? <\/h2>\n\n\n\n<p><br> A \u00abSa\u00fade Mental\u00bb tem sido sempre identificada como o parente pobre da sa\u00fade. No nosso pa\u00eds o financiamento e investimento nos servi\u00e7os de psiquiatria e sa\u00fade mental foram sempre baixos, tanto antes como depois do 25 de Abril, correspondente a cerca de 3% do Or\u00e7amento da Sa\u00fade. Em vez de preservar e melhorar servi\u00e7os existentes e criar novos servi\u00e7os descentralizados, optou-se no per\u00edodo da Ministra Leonor Beleza e depois, tamb\u00e9m com os governos S\u00f3crates, em atirar as culpas das insufici\u00eancias para os hospitais psiqui\u00e1tricos e o chamado \u201cinstitucionalismo\u201d, que em Portugal foi sempre modesto. Manifestamente, havia interesses especulativos em rela\u00e7\u00e3o aos terrenos, onde est\u00e3o sediados o Hospital J\u00falio de Matos e o Miguel Bombarda. As \u00e9pocas sucedem-se, as institui\u00e7\u00f5es renovam-se, algumas podem e devem ser extintas. Mas o essencial \u00e9 que se criem novos recursos, tanto em servi\u00e7os hospitalares de hospitais gerais com dimens\u00f5es e recursos humanos, como em servi\u00e7os na comunidade, domiciliares, residenciais e reabilitativos, em cuidados continuados, de que as car\u00eancias continuam a ser chocantes. N\u00e3o faltam promessas e leis, faltam os or\u00e7amentos e a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">H\u00e1 assimetrias no acesso a cuidados em Portugal? <\/h2>\n\n\n\n<p><br>As assimetrias continuam no nosso pa\u00eds. Tem havido alguns progressos, mas irregulares, na implementa\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de psiquiatria e sa\u00fade mental em distritos perif\u00e9ricos. H\u00e1 servi\u00e7os com um n\u00famero razo\u00e1vel de profissionais, m\u00e9dicos especialistas, enfermeiros de sa\u00fade mental, psic\u00f3logos, assistentes sociais e outros, com ratios adequados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a assistir, e outros servi\u00e7os com grave escassez de recursos e meios.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Muitas vezes a doen\u00e7a mental representa processos dolorosos tamb\u00e9m para familiares. Que dificuldades enfrenta quem convive diariamente com estes casos? <\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A doen\u00e7a mental grave, especialmente quando tem uma evolu\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica, resulta num desgaste importante para a fam\u00edlia, A sobrecarga pode prejudicar a sa\u00fade mental dos familiares, que s\u00e3o muitas vezes cuidadores informais. As associa\u00e7\u00f5es de familiares de doentes mentais do nosso pa\u00eds t\u00eam reivindicado apoios que continuam a faltar. Se o doente for bem tratado medicamente e psicologicamente, integrado em f\u00f3runs s\u00f3cio-ocupacionais e valorizado num emprego protegido, a fam\u00edlia no seu todo tamb\u00e9m tem a ganhar.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os Programas Nacionais para a Sa\u00fade Mental t\u00eam sido suficientes?<br> <\/h2>\n\n\n\n<p>O Plano Nacional de Sa\u00fade Mental tem estado seriamente retardado na sua aplica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 foi r\u00e1pido no encerramento de hospitais psiqui\u00e1tricos, pois essa medida reduziu gastos. Quando a Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho de Ministros do governo S\u00f3crates p\u00f4s em 2007, no p\u00f3dio, a \u00absa\u00fade mental\u00bb, come\u00e7ou a crise da troika. Pode dizer-se que houve uma forte componente de demagogia social nas promessas feitas ent\u00e3o. Hoje o Plano Nacional continua parado ou quase, volvidas duas d\u00e9cadas.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"> <br>A medicaliza\u00e7\u00e3o dos problemas sociais representa lucros estratosf\u00e9ricos para os grandes grupos farmac\u00eauticos, que beneficiam da desintegra\u00e7\u00e3o dos tecidos comunit\u00e1rios e familiares. Acha que por vezes a solu\u00e7\u00e3o para alguns dos problemas pode ser mais social do que m\u00e9dica?<br> <\/h2>\n\n\n\n<p>Os medicamentos psiqui\u00e1tricos s\u00e3o indispens\u00e1veis para o tratamento e preven\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as mentais mais graves. A sua utiliza\u00e7\u00e3o deve corresponder \u00e0s mesmas regras cient\u00edficas e \u00e9ticas das outras especialidades m\u00e9dicas. H\u00e1 por vezes uma confus\u00e3o que n\u00e3o distingue os medicamentos para o c\u00e9rebro (antipsic\u00f3ticos, antidepressivos, estabilizadores do humor e ansiol\u00edticos), confundindo-os com drogas. A garantia do acesso aos medicamentos psiqui\u00e1tricos em Portugal foi objeto de grandes lutas de familiares de doentes, de utentes e de profissionais da sa\u00fade mental, j\u00e1 no fim do mil\u00e9nio. Mas \u00e9 verdade que a boa pr\u00e1tica m\u00e9dica n\u00e3o se pode basear s\u00f3 na medica\u00e7\u00e3o, abrangendo terap\u00eauticas psicol\u00f3gicas e interven\u00e7\u00f5es sociais e culturais, cuja relev\u00e2ncia \u00e9 sempre importante para a sa\u00fade mental dos doentes.<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"> <br>De que estrat\u00e9gia necessita o pa\u00eds para enfrentar de forma decisiva a quest\u00e3o da sa\u00fade mental?<br> <\/h2>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds precisa de uma pr\u00e1tica pol\u00edtica para a sa\u00fade mental, de que \u00e0s palavras correspondam a\u00e7\u00f5es. Que algumas leis sejam executadas, criando-se servi\u00e7os e dotando-os de meios humanos para melhorar a sa\u00fade mental em todo o pa\u00eds, tanto a n\u00edvel hospitalar, como nas presta\u00e7\u00f5es de proximidade, e em institui\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-ocupacional e de acolhimento. Tem de haver meios financeiros, cuja falta \u00e9 clamorosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O psiquiatra Jos\u00e9 Manuel Jara \u00e9 uma das vozes mais respeitadas quando se trata de abordar a quest\u00e3o da sa\u00fade mental. Foi diretor de servi\u00e7o no Hospital J\u00falio de Matos e \u00e9 um dos fundadores da Associa\u00e7\u00e3o de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares. 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