{"id":2948,"date":"2015-05-01T12:21:59","date_gmt":"2015-05-01T12:21:59","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2948"},"modified":"2020-01-10T12:25:46","modified_gmt":"2020-01-10T12:25:46","slug":"a-funcao-social-da-terra-so-se-cumpre-com-as-maos-de-quem-a-trabalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2015\/05\/01\/a-funcao-social-da-terra-so-se-cumpre-com-as-maos-de-quem-a-trabalha\/","title":{"rendered":"&#8220;A fun\u00e7\u00e3o social da terra s\u00f3 se cumpre com as m\u00e3os de quem a trabalha&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 40 anos, os trabalhadores agr\u00edcolas do Sul do Pa\u00eds tomaram a decis\u00e3o de romper com s\u00e9culos de opress\u00e3o baseada na propriedade das terras. Extensas herdades de uma minoria agr\u00e1ria com poder econ\u00f3mico e pol\u00edtico conviviam com a pobreza e a mis\u00e9ria da maioria do proletariado agr\u00edcola. <br><br>Com Abril, encerraram-se as portas da brutalidade fascista e p\u00f4de semear-se nos campos aquilo a que \u00c1lvaro Cunhal chamou \u201ca mais bela conquista da Revolu\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c0 conversa com alguns dos protagonistas da Reforma Agr\u00e1ria, percorremos os caminhos do passado sem perder de vista o presente e o futuro de uma aspira\u00e7\u00e3o inscrita na hist\u00f3ria da luta dos trabalhadores portugueses.<br><br><em>Ant\u00f3nio Gerv\u00e1sio desempenhou como dirigente do PCP e destacada figura da luta agr\u00edcola um papel importante. Tamb\u00e9m Manuel Vicente, ent\u00e3o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agr\u00edcolas do Distrito de \u00c9vora, e Rog\u00e9rio Arraiolos, da Unidade Colectiva de Produ\u00e7\u00e3o Pedro Soares, de Montemor-o-Novo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Reforma Agr\u00e1ria n\u00e3o surgiu apenas com a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril. Qual era a situa\u00e7\u00e3o dos campos do Alentejo antes da ocupa\u00e7\u00e3o das terras?<br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>Manuel Vicente (MV) &#8211;<\/em><\/strong>&nbsp;A Reforma Agr\u00e1ria resulta de uma s\u00e9rie de lutas de resist\u00eancia dos pr\u00f3prios trabalhadores agr\u00edcolas. Era a necessidade de acabar com aquela repress\u00e3o, com o medo e a explora\u00e7\u00e3o. Viviam-se tempos dif\u00edceis de muito desemprego e trabalhos sazonais. \u00c0s vezes, para fazer o mesmo trabalho e os mesmos hor\u00e1rios, os patr\u00f5es baixavam os sal\u00e1rios para metade. E aquele que questionasse come\u00e7ava a ser visto como agitador. Era uma exig\u00eancia anterior \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se pode ignorar o papel do PCP junto dos oper\u00e1rios agr\u00edcolas. Nesse sentido, as lutas foram-se desenvolvendo numa acumula\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e consci\u00eancia de classe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ant\u00f3nio Gerv\u00e1sio (AG) &#8211;<\/em><\/strong>&nbsp;Uma das quest\u00f5es fulcrais era a concentra\u00e7\u00e3o e posse da propriedade face ao proletariado agr\u00edcola que n\u00e3o tinha sen\u00e3o a sua for\u00e7a de trabalho. Muitos nem um quintal tinham. O trabalhador agr\u00edcola dos campos do Sul n\u00e3o queria a terra para ser um pequeno agricultor. Queria ser oper\u00e1rio. Queria a terra para a trabalhar e n\u00e3o para ficar com ela. Este foi o baluarte da resist\u00eancia antifascista. Disso foi exemplo a conquista das oito horas de trabalho em pleno fascismo. Era um desafio atrevido e conquistaram-no.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em que condi\u00e7\u00f5es se decidiu avan\u00e7ar com a Reforma Agr\u00e1ria? <br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>Rog\u00e9rio Arraiolos (RA) &#8211;<\/em><\/strong>&nbsp;O abandono das terras e o despedimento dos trabalhadores precipitaram essa necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong>&nbsp;&#8211; Em 1974, os agr\u00e1rios do Sul despediram os trabalhadores depois de rejeitarem os contratos colectivos de trabalho fruto da Revolu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, come\u00e7aram a fazer as a\u00e7\u00f5es de sabotagem. Deixaram o gado morrer \u00e0 fome e \u00e0 sede, destru\u00edram as culturas e esvaziaram as barragens. Inclusive, fugiram com gado e m\u00e1quinas para Espanha e para o Norte. Em fevereiro de 1975, em \u00c9vora, realiz\u00e1mos, ent\u00e3o, a I Confer\u00eancia dos Trabalhadores Agr\u00edcolas com a participa\u00e7\u00e3o de quatro mil delegados eleitos pelos oper\u00e1rios agr\u00edcolas. Foi uma experi\u00eancia muito rica com quatro pain\u00e9is de debate, com milhares de convidados, militares de Abril, pol\u00edticos, t\u00e9cnicos, delega\u00e7\u00f5es estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Isso foi em \u00c9vora. <br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 Sim, ao longo do dia juntaram-se 30 mil pessoas em \u00c9vora para saber o que se tinha decidido na Confer\u00eancia. Foi bonito. As conclus\u00f5es foram integralmente lidas para esse mar de gente. A principal decis\u00e3o: ocupar as terras incultas dos latif\u00fandios. A rea\u00e7\u00e3o foi incr\u00edvel com gente a saltar, palmas, gritos. E n\u00e3o houve qualquer hesita\u00e7\u00e3o porque as conclus\u00f5es estavam assentes numa discuss\u00e3o muito alargada. \u201cAvante com a Reforma Agr\u00e1ria\u201d era a palavra de ordem e at\u00e9 junho desse ano foram ocupados cerca de 500 mil hectares de terras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E como levaram essa palavra de ordem \u00e0 pr\u00e1tica?<br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>RA<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 Primeiro decidia-se o que se ocupava, juntava-se um grupo de malta e falava-se com os trabalhadores daquela zona. \u201cEst\u00e3o dispostos ou n\u00e3o?\u201d, perguntava-se. Naquela altura todos estavam dispostos. Inform\u00e1vamos o MFA, avan\u00e7\u00e1vamos para o terreno e aquilo passava a ser dos trabalhadores. Ent\u00e3o, fazia-se um invent\u00e1rio do que havia e formava-se uma comiss\u00e3o de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>MV<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 Normalmente, havia sempre a tentativa de reunir as for\u00e7as com o MFA e um t\u00e9cnico. Fazia-se o levantamento das herdades e ficava tudo registado. Se havia ou n\u00e3o ferramentas, m\u00e1quinas, etc. Esta foi a concretiza\u00e7\u00e3o da maior aspira\u00e7\u00e3o do proletariado agr\u00edcola e uma resposta \u00e0 descapitaliza\u00e7\u00e3o dos campos do Alentejo fruto da sabotagem dos agr\u00e1rios. Acabava o medo do patr\u00e3o e come\u00e7ava a vida democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RA<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 Uma noite, fui chamado ao Cou\u00e7o onde se concentravam centenas de pessoas para discutir como avan\u00e7ar para a ocupa\u00e7\u00e3o de terras. Precisavam de algu\u00e9m de uma cooperativa e foi por isso que me chamaram. O que dali resultou foi que nessa mesma noite formaram dez grupos para de manh\u00e3 estarem em dez pontos da freguesia e ocuparem as terras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Houve solidariedade de outros setores da popula\u00e7\u00e3o e de outras zonas do pa\u00eds?<br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>AG&nbsp;<\/em><\/strong>\u2013 A solidariedade foi um grande aspecto na Reforma Agr\u00e1ria. Nos primeiros tempos, vinham milhares de pessoas ver e ajudar. Chegavam jovens que traziam as suas ferramentas para trabalhar e dar o seu contributo. Havia solidariedade entre cooperativas. Tamb\u00e9m de t\u00e9cnicos, m\u00fasicos e m\u00e9dicos que vinham dar apoio cl\u00ednico. Havia solidariedade com agricultores do Norte. Vendia-se feno e palha a pre\u00e7os solid\u00e1rios. Empresas da regi\u00e3o de Lisboa como a Mague, a Sorefame, a Siderurgia Nacional e o Arsenal forneceram m\u00e1quinas \u00e0s cooperativas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E a solidariedade internacional?<br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 Em parte, a Reforma Agr\u00e1ria mecanizou-se rapidamente gra\u00e7as ao esfor\u00e7o solid\u00e1rio de pa\u00edses ent\u00e3o socialistas. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ofereceu 250 m\u00e1quinas. A RDA, a Bulg\u00e1ria, a Checoslov\u00e1quia e a Rom\u00e9nia tamb\u00e9m cederam tratores e alfaias. Vinham t\u00e9cnicos desses pa\u00edses conhecer o nosso processo. A mecaniza\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria significou, de facto, a moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura e resultou em grandes avan\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Na pr\u00e1tica, o que significou a Reforma Agr\u00e1ria para o proletariado agr\u00edcola?<br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 S\u00f3 aqui em Montemor-o-Novo foram criadas 25 Unidades Colectivas de Produ\u00e7\u00e3o (UCP). No total eram 550 que reuniam cerca de 75 mil hectares, quatro mil trabalhadores, 253 propriedades expropriadas. Na pr\u00e1tica, a Reforma Agr\u00e1ria acabou com a maioria dos latif\u00fandios. Em Avis, por exemplo, a estrela do processo era a UCP 1.\u00ba de Maio que tinha 11 mil hectares, centenas de trabalhadores e era a mais modernizada e avan\u00e7ada. Nos come\u00e7os de 1976, fizeram um balan\u00e7o e estavam ocupados um milh\u00e3o e 145 mil hectares. Ou seja, correspondia a 50 mil postos de trabalho. O flagelo do desemprego tinha acabado. Quando se realizou a I Confer\u00eancia da Reforma Agr\u00e1ria, em outubro de 1976, a \u00e1rea semeada chegava a 139%, o gado tinha aumentado 112%, as m\u00e1quinas e alfaias 169% e a \u00e1rea de regadio 126%.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RA<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 Pass\u00e1mos a ter trabalho assegurado, alimenta\u00e7\u00e3o como n\u00e3o t\u00ednhamos nas nossas casas, pass\u00e1mos a ter casas de banho, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 A Reforma Agr\u00e1ria teve uma ades\u00e3o grande e melhorou consideravelmente a vida dos trabalhadores, muitos come\u00e7aram a ter televis\u00f5es, frigor\u00edficos, m\u00e1quinas de lavar a roupa, autom\u00f3veis. As f\u00e9rias, os sal\u00e1rios, os transportes entre a casa e o trabalho e, claro, as estruturas sociais como as padarias, os lagares, as hortas coletivas. Tudo isso foram conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o e da Reforma Agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como escolhiam os nomes das UCP?<br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong>&nbsp;&#8211; Ao princ\u00edpio falava-se de herdade colectiva e n\u00e3o soava bem. Surgiu o nome Unidade Coletiva de Produ\u00e7\u00e3o que foi bem aceite. Depois o Governo s\u00f3 aceitava UCP\/Cooperativa Agr\u00edcola. Ent\u00e3o, para se distinguirem, cada UCP come\u00e7ou a adotar um nome diferente. Grito da Revolu\u00e7\u00e3o, Muralha de A\u00e7o, Vit\u00f3ria do Povo, Cora\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o, Catarina Euf\u00e9mia, \u00c1lvaro Cunhal, Custou Mas Foi, Fidel Castro, foram alguns dos nomes escolhidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como &#8220;morre&#8221; o processo da Reforma Agr\u00e1ria?<br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 O I Governo Constitucional do PS, dirigido por M\u00e1rio Soares, e Ant\u00f3nio Barreto, ministro da Agricultura foram os que iniciaram a ofensiva contra a Reforma Agr\u00e1ria. Contavam acabar com isto em poucos meses mas aguent\u00e1mos 14 anos. Esta ofensiva arrastou-se dia e noite numa luta heroica e corajosa dos trabalhadores rurais. Oito anos depois dos ataques, tinham roubado 700 mil hectares de terra, descaracterizaram as terras, roubaram a corti\u00e7a e 122 mil m\u00e1quinas e alfaias agr\u00edcolas, destru\u00edram 220 UCP, arruinaram edif\u00edcios e acabaram com albufeiras, espancaram dois mil trabalhadores e assassinaram o Casquinha e o Caravela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a heran\u00e7a que deixa a Reforma Agr\u00e1ria?<br><br><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>MV<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 As terras foram ocupadas n\u00e3o para substituir agr\u00e1rios por outros agr\u00e1rios. A terra tem uma fun\u00e7\u00e3o social e s\u00f3 a cumpre com as m\u00e3os de quem a trabalha. Esse ensinamento \u00e9 uma das heran\u00e7as da Reforma Agr\u00e1ria. Devemos defender uma nova Reforma Agr\u00e1ria porque a terra deve ser de quem trabalha. H\u00e1 terras abandonadas, mato, animais que morrem \u00e0 fome e n\u00f3s a comer o que vem do estrangeiro. Se nos fecharem as fronteiras, s\u00f3 podemos comer mato e silvas. Destru\u00edram, espancaram e mataram mas a Reforma Agr\u00e1ria nunca mais perder\u00e1 a sua voz.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 Foi uma experi\u00eancia muito rica. N\u00e3o conseguir\u00edamos p\u00f4r o Alentejo a produzir nem repovo\u00e1-lo sem uma Reforma Agr\u00e1ria. A nossa foi um produto da realidade que t\u00ednhamos. A Reforma Agr\u00e1ria avan\u00e7ou com a for\u00e7a dos trabalhadores e com o apoio do MFA. Quando a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mudou, a Reforma Agr\u00e1ria estancou. Foram avan\u00e7os r\u00e1pidos, organizados e serenos que assustaram a rea\u00e7\u00e3o que estava contra a Revolu\u00e7\u00e3o e que desejava a integra\u00e7\u00e3o capitalista europeia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>MV<\/em><\/strong>&nbsp;\u2013 N\u00e3o nos esque\u00e7amos que a Reforma Agr\u00e1ria modificou radicalmente a propriedade da terra no Sul de Portugal que tinha s\u00e9culos de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>AG<\/em><\/strong> \u2013 A destrui\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria foi a destrui\u00e7\u00e3o da agricultura e dos campos do Sul. A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 maioritariamente idosa, a juventude desapareceu quando o trabalho acabou. O nosso Alentejo sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o brutal. A Reforma Agr\u00e1ria do futuro n\u00e3o vai ser igual \u00e0 do passado e h\u00e1-de ser produto dos que a fizerem. Mas isso s\u00f3 pode acontecer com a derrota da direita e das suas pol\u00edticas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 40 anos, os trabalhadores agr\u00edcolas do Sul do Pa\u00eds tomaram a decis\u00e3o de romper com s\u00e9culos de opress\u00e3o baseada na propriedade das terras. Extensas herdades de uma minoria agr\u00e1ria com poder econ\u00f3mico e pol\u00edtico conviviam com a pobreza e a mis\u00e9ria da maioria do proletariado agr\u00edcola. Com Abril, encerraram-se as portas da brutalidade fascista &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2015\/05\/01\/a-funcao-social-da-terra-so-se-cumpre-com-as-maos-de-quem-a-trabalha\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;A fun\u00e7\u00e3o social da terra s\u00f3 se cumpre com as m\u00e3os de quem a trabalha&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":2957,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2948"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2948"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2948\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2959,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2948\/revisions\/2959"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2948"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}