{"id":2904,"date":"2020-01-06T21:13:25","date_gmt":"2020-01-06T21:13:25","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2904"},"modified":"2020-02-03T11:09:04","modified_gmt":"2020-02-03T11:09:04","slug":"soberania-energetica-e-crise-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2020\/01\/06\/soberania-energetica-e-crise-climatica\/","title":{"rendered":"Soberania energ\u00e9tica e crise clim\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo portugu\u00eas anunciou a antecipa\u00e7\u00e3o do encerramento das centrais termoel\u00e9ctricas do Pego e de Sines, respectivamente para 2021 e 2023. F\u00ea-lo em nome do combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e da necessidade de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o incontest\u00e1veis as vantagens de substituir a produ\u00e7\u00e3o de energia obtida pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis por solu\u00e7\u00f5es de energia renov\u00e1vel \u2013 h\u00eddrica, e\u00f3lica, solar, etc. J\u00e1 a forma e os prazos anunciados devem merecer contesta\u00e7\u00e3o, sem receios de enfrentar alguma cegueira fundamentalista. <\/p>\n\n\n\n<p>Para termos uma ideia comparativa, registe-se que o objetivo recentemente anunciado pela Uni\u00e3o Europeia (UE) foi o de parar de construir centrais termoel\u00e9ctricas a partir de 2020, e mesmo assim com a excep\u00e7\u00e3o da Pol\u00f3nia e da Gr\u00e9cia, que v\u00e3o continuar a constru\u00ed-las. Na Alemanha, detentora de 80 centrais termoel\u00e9ctricas, o mais longe que se admite ir \u00e9 pelo encerramento destas at\u00e9 2035. <\/p>\n\n\n\n<p>Dir-me-\u00e3o: e h\u00e1 algum problema de darmos o exemplo, de estar no pelot\u00e3o da frente? Neste caso h\u00e1, e j\u00e1 se devia ter aprendido com outros pelot\u00f5es da frente, como o do euro, que nos deixaram amarrados ao carro-vassoura. <\/p>\n\n\n\n<p>Desde logo, as centrais termoel\u00e9ctricas cumprem uma fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica no abastecimento de energia ao pa\u00eds e o seu encerramento precipitado levar\u00e1 \u00e0 sua substitui\u00e7\u00e3o pela importa\u00e7\u00e3o de electricidade produzida noutros pa\u00edses, e pelo menos parcialmente, produzida a carv\u00e3o. Corremos at\u00e9 o risco de abandonar a nossa soberania energ\u00e9tica para estar a comprar electricidade a quem depois usar\u00e1 esse dinheiro para comprar a nossa quota no \u201cmercado das licen\u00e7as de CO2\u201d. E para o efeito de estufa \u00e9 exactamente igual se a energia que eu consumo vem de um central termoel\u00e9ctrica em Sines, Marrocos ou Espanha. J\u00e1 para a economia nacional, n\u00e3o \u00e9 bem a mesma coisa. <\/p>\n\n\n\n<p>Sem esquecer outros impactos negativos do encerramento destas centrais, n\u00e3o s\u00f3 sobre os mais de mil trabalhadores envolvidos, mas sobre dois equipamentos industriais do nosso j\u00e1 depauperado aparelho produtivo que ter\u00e3o que ser desmantelados ou reconvertidos. Ali\u00e1s, \u00e9 em parte a necessidade de mitigar estes impactos que leva outros pa\u00edses a adoptarem prazos mais largos. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um facto que as duas Centrais Termoel\u00e9ctricas t\u00eam um peso elevado na \u201cprodu\u00e7\u00e3o nacional\u201d de gases de efeito de estufa, estimado respectivamente em 13,5% e 3,6%, mas o sector que mais contribui para essa \u201cprodu\u00e7\u00e3o nacional\u201d de gases de efeito de estufa \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis, e n\u00e3o se vislumbram no Programa do Governo quaisquer medidas significativas para acelerar o desenvolvimento do sector ferrovi\u00e1rio nacional, \u00fanica alternativa vi\u00e1vel ao transporte rodovi\u00e1rio. J\u00e1 na Alemanha, est\u00e1 anunciado um programa de investimento p\u00fablico na ferrovia de 86 mil milh\u00f5es de euros. <\/p>\n\n\n\n<p>Pelo sinteticamente exposto, recomendar-se-ia do governo menos mediatismo desta quest\u00e3o, menos propaganda, e um estudo mais s\u00e9rio das implica\u00e7\u00f5es da antecipa\u00e7\u00e3o do encerramento destas duas centrais. <\/p>\n\n\n\n<p>Sendo certo que o problema central que o pa\u00eds enfrenta est\u00e1 a montante da quest\u00e3o das centrais termoel\u00e9ctricas. \u00c9 que sendo a produ\u00e7\u00e3o, transporte e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9ctrica um dos sectores mais estrat\u00e9gicos da economia nacional, a sua liberaliza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o retirou ao Estado instrumentos de soberania que agora nos fazem falta. <\/p>\n\n\n\n<p>Com a viagem paga pela EDP &#8211; Electricidade de Portugal, v\u00e1rios jornalistas foram a Londres assistir \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o do seu mais recente plano estrat\u00e9gico da empresa, num reflexo da desloca\u00e7\u00e3o dos objectivos da empresa, comprovado pelo conte\u00fado do dito plano, que menoriza a import\u00e2ncia para a EDP dos investimentos em Portugal (ali\u00e1s, o plano fala de Ib\u00e9ria e nem sequer de Portugal, e fala da necessidade de libertar a EDP da excessiva exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Ib\u00e9ria) e valoriza a aposta em mercados que est\u00e3o a prometer mais altas taxas de rentabilidade, nomeadamente na Am\u00e9rica do Norte e na Europa al\u00e9m Pirin\u00e9us. <\/p>\n\n\n\n<p>A venda anunciada, pela EDP, de um conjunto de barragens, \u00e9 j\u00e1 consequ\u00eancia dessa estrat\u00e9gia que implica igualmente a aliena\u00e7\u00e3o da central termoel\u00e9ctrica de Sines que agora o governo pagar\u00e1 para que a EDP a encerre. <\/p>\n\n\n\n<p>O facto de a EDP vir a usar os lucros amassados em Portugal para investir em parques e\u00f3licos nos Estados Unidos e entregar os lucros gerados a accionistas chineses, americanos e europeus, em nada contribuir\u00e1 para a melhoria da vida dos portugueses, excepto no contributo que esse parques e\u00f3licos dar\u00e3o \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases \u00e0 escala planet\u00e1ria, o que deve deixar muito felizes os bons alunos do costume. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que com a privatiza\u00e7\u00e3o dos sectores estrat\u00e9gicos \u00e9 todo um pa\u00eds que \u00e9 sistematicamente posto a correr atr\u00e1s de interesses privados. Que a \u201ccrise clim\u00e1tica\u201d sirva igualmente para percebermos como \u00e9 importante e urgen- te recuperar e usar o controlo p\u00fablico desses instrumentos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo portugu\u00eas anunciou a antecipa\u00e7\u00e3o do encerramento das centrais termoel\u00e9ctricas do Pego e de Sines, respectivamente para 2021 e 2023. F\u00ea-lo em nome do combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e da necessidade de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa. 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