{"id":2839,"date":"2019-12-02T15:58:06","date_gmt":"2019-12-02T15:58:06","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2839"},"modified":"2019-12-02T15:58:09","modified_gmt":"2019-12-02T15:58:09","slug":"eduardo-relvas-um-magico-na-voz-do-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/12\/02\/eduardo-relvas-um-magico-na-voz-do-operario\/","title":{"rendered":"Eduardo Relvas: um m\u00e1gico n\u2018A Voz do Oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>Poucas pessoas colaboraram neste jornal ao longo de tanto tempo como Eduardo Relvas. Embora ele o tenha feito de forma intermitente, f\u00ea-lo por quase meio s\u00e9culo &#8211; publicou aqui o seu primeiro artigo em 1929 e o \u00faltimo em 1976. \u00c9 um nome a recordar nas hist\u00f3rias do movimento sindical, do associativismo popular e das artes m\u00e1gicas em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hor\u00e1rio de trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p>Eduardo Relvas destacou-se como sindicalista na primeira metade dos anos 1920, no tempo da 1\u00aa Rep\u00fablica. Chegou a ser presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Classe dos Caixeiros de Lisboa e seu delegado junto da Uni\u00e3o [local] de Sindicatos Oper\u00e1rios. Foi tamb\u00e9m delegado ao congresso [nacional] da Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT) que se realizou em 1922, na Covilh\u00e3.<br> Para o sector dos empregados no com\u00e9rcio, foi uma fase defensiva, em torno da lei de 1919 que limitava o hor\u00e1rio de trabalho a 8 horas por dia.<br> Essa lei conferia alguns poderes de fiscaliza\u00e7\u00e3o aos sindicatos. Eduardo Relvas foi um dos primeiros fiscais. E empenhou-se na tarefa. Chegou a multar a \u201cprimeira casa comercial do pa\u00eds\u201d, os Armaz\u00e9ns Grandella. Mas era \u201cuma das leis mais desrespeitadas\u201d no pa\u00eds, pois as autoridades competentes n\u00e3o agiam, a come\u00e7ar pelos tribunais. Pelo contr\u00e1rio: em 1922 uma nova regulamenta\u00e7\u00e3o da mesma lei veio na pr\u00e1tica aumentar o limite legal do hor\u00e1rio de trabalho para 10 horas\u2026<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preso pol\u00edtico<\/h2>\n\n\n\n<p>Ainda no campo do sindicalismo, Eduardo Relvas foi secret\u00e1rio-geral do Cofre de Resist\u00eancia dos Caixeiros Portugueses, entre 1921 e 1923. Era um fundo de apoio \u00e0 propaganda sindical e de solidariedade com militantes v\u00edtimas da repress\u00e3o laboral e pol\u00edtica. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele j\u00e1 tinha sido uma dessas v\u00edtimas. Corria um dia de 1920 em Lisboa: a pol\u00edcia cercou e invadiu a sede do Partido Socialista Portugu\u00eas, na rua do Benformoso, com for\u00e7as de infantaria e cavalaria. Prendeu toda a gente que l\u00e1 estava, mais de 70 pessoas. Escapou um deputado por ter imunidade parlamentar. Eduardo Relvas passou ent\u00e3o 5 dias \u201cnas masmorras da Rep\u00fablica\u201d.<br><br>O \u201ccrime\u201d dele tinha sido assistir a um debate promovido pela Juventude Socialista, no qual se expressava desilus\u00e3o com a 1\u00aa Republica. E a repress\u00e3o policial n\u00e3o aplacou o descontentamento. No ano seguinte a Juventude Socialista, unida com alguns jovens anarquistas, transformava-se em Juventude Comunista\u2026<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Magia<\/h2>\n\n\n\n<p>Nessa altura j\u00e1 Eduardo Relvas se dedicava \u00e0s artes m\u00e1gicas. Atuou em diferentes palcos, incluindo no movimento sindical.<br><br>Havia muito o h\u00e1bito de sindicatos promoverem iniciativas de cariz recreativo e cultural, ora para angaria\u00e7\u00e3o de fundos ora pelo conv\u00edvio entre s\u00f3cios. Iniciativas como r\u00e9citas de poesia e espet\u00e1culos de teatro amador, por exemplo.<br><br>A magia seria uma paix\u00e3o para a vida e Eduardo Relvas tornou-se prestigiado nesse meio, n\u00e3o apenas em Portugal, mas tamb\u00e9m em Espanha e no Brasil. Publicou quatro livros sobre a mat\u00e9ria. Em 1949 organizou um certame nacional de ilusionismo; em 1923 fundou, na sede do sindicato dos caixeiros de Lisboa, o Gr\u00e9mio M\u00e1gico Portugu\u00eas\u2026<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Associativismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Outra paix\u00e3o na vida de Eduardo Relvas seria o associativismo popular.<br>Foi um destacado precursor da atual Confedera\u00e7\u00e3o Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto \u2013 ao lado de outros \u201cobreiros\u201d d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio como J\u00falio Silva, Raul Esteves dos Santos e Alberto Monteiro. Esteve entre os dinamizadores dos congressos de coletividades realizados em Lisboa em 1924 e 1934, al\u00e9m de ter sido secret\u00e1rio-geral da ent\u00e3o Federa\u00e7\u00e3o das Sociedades de Recreio e autor dos respectivos estatutos.<br><br>A associa\u00e7\u00e3o de base que ele representava nessas tarefas era o Grupo Dram\u00e1tico e Escolar \u201cOs Combatentes\u201d, na qual foi ativo ao longo de d\u00e9cadas. Era um entusiasta da \u201cobra educativa, de solidariedade e de recreio ali levada a efeito\u201d. Em particular da escola prim\u00e1ria que esta associa\u00e7\u00e3o criou e manteve durante muitos anos, \u201cfilha dos sacrif\u00edcios dispendidos pelos s\u00f3cios, na sua grande maioria prolet\u00e1rios\u201d.<br><br>A difus\u00e3o do ensino seria mais uma paix\u00e3o para Eduardo Relvas, num pa\u00eds t\u00e3o atrasado pelo analfabetismo. Num discurso em 1936, \u201cexaltou a maneira como o povo trabalhador se organiza[va] para difundir a instru\u00e7\u00e3o, visto que as escolas oficiais n\u00e3o chega[va]m para atender \u00e0 massa em idade escolar\u201d. Esta era uma refer\u00eancia a muitas associa\u00e7\u00f5es, mas em especial \u00e0 maior de todas: A Voz do Oper\u00e1rio\u2026<br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Voz do Oper\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>Aqui, al\u00e9m de colaborador do jornal, Eduardo Relvas foi membro da comiss\u00e3o de pareceres em 1926\/28 e 1\u00ba secret\u00e1rio da assembleia geral em 1928\/30. Passou depois a funcion\u00e1rio, trabalhando muito tempo como respons\u00e1vel pelo servi\u00e7o funer\u00e1rio que esta sociedade ent\u00e3o prestava a s\u00f3cios e familiares.<br><br>Em 1933 foi um dos fundadores e presidente da assembleia geral do Sindicato do Pessoal da Sociedade A Voz do Oper\u00e1rio, al\u00e9m de seu delegado junto da Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Oper\u00e1rias de Lisboa. Mas esta experi\u00eancia apenas durou alguns meses, pois logo a ditadura de Salazar proibiu e dissolveu os sindicatos livres.<br><br>Eduardo Relvas foi tamb\u00e9m vice-presidente da cooperativa A Padaria do Povo. Natural de Lisboa, viveu entre 1896 e 1977.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucas pessoas colaboraram neste jornal ao longo de tanto tempo como Eduardo Relvas. Embora ele o tenha feito de forma intermitente, f\u00ea-lo por quase meio s\u00e9culo &#8211; publicou aqui o seu primeiro artigo em 1929 e o \u00faltimo em 1976. \u00c9 um nome a recordar nas hist\u00f3rias do movimento sindical, do associativismo popular e das &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/12\/02\/eduardo-relvas-um-magico-na-voz-do-operario\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Eduardo Relvas: um m\u00e1gico n\u2018A Voz do Oper\u00e1rio<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":2840,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[93],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2839"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2839"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2839\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2842,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2839\/revisions\/2842"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2840"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2839"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}