{"id":2785,"date":"2019-12-02T11:54:01","date_gmt":"2019-12-02T11:54:01","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2785"},"modified":"2020-01-06T21:25:30","modified_gmt":"2020-01-06T21:25:30","slug":"a-cervejaria-galiza-e-uma-semente-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/12\/02\/a-cervejaria-galiza-e-uma-semente-de-esperanca\/","title":{"rendered":"A cervejaria Galiza \u201c\u00e9 uma semente de esperan\u00e7a\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o 33 os trabalhadores que fizeram quase triplicar a fatura\u00e7\u00e3o da hist\u00f3rica cervejaria portuense praticamente na fal\u00eancia por m\u00e1 gest\u00e3o. Lutam pelos postos de trabalho e pela viabilidade do estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores da cervejaria Galiza j\u00e1 desconfiavam de que algo estranho se passava. Uma marca de cerveja artesanal aparecera dias antes no estabelecimento para levar as cubas que diziam ter uma avaria. Ent\u00e3o, Ant\u00f3nio Ferreira e outro colega que mora ali perto decidiram montar vigil\u00e2ncia \u00e0 cervejaria na segunda-feira seguinte, dia de fecho semanal da Galiza. \u201cO meu colega ligou-me \u00e0 hora de jantar\u201d, conta o empregado \u00e0 A Voz do Oper\u00e1rio, \u201cporque viu vultos dentro da cervejaria\u201d. Era a administra\u00e7\u00e3o a arrumar o material e a preparar-se para esvaziar as instala\u00e7\u00f5es. Rapidamente, avisaram os restantes colegas, o Sindicato de Hotelaria do Norte e a comunica\u00e7\u00e3o social<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida foi essencial. Apesar de a advogada da administra\u00e7\u00e3o ter pedido \u00e0 pol\u00edcia para evacuar a cervejaria, o chefe da PSP reconheceu que se tratava de uma quest\u00e3o laboral e que devia ser resolvida pela via negocial. A partir da\u00ed os trabalhadores tomaram conta do estabelecimento e deram uma nova vida ao espa\u00e7o. Em 2011, a administra\u00e7\u00e3o contratou um gestor que deixou uma d\u00edvida de 1,8 milh\u00f5es de euros ao Estado e 200 mil a pequenos fornecedores. Em 2016, a administra\u00e7\u00e3o recorreu a um plano especial de revitaliza\u00e7\u00e3o para empresas e os trabalhadores passaram a receber o sal\u00e1rio em presta\u00e7\u00f5es. Em 2018, a mesma administra\u00e7\u00e3o achou que a solu\u00e7\u00e3o era contratar um consultor que come\u00e7ou a mudar os pratos que a casa oferecia com a consequente perda de clientes e decidiu contra a vontade dos trabalhadores que a cervejaria fechasse \u00e0s segundas-feiras. O que administradores, gestores e consultores n\u00e3o conseguiram foi alcan\u00e7ado pelos trabalhadores que sempre ali estiveram com sal\u00e1rios em atraso.<br> \u201cTemos agora a casa faturar o dobro do que faturavamos antes e isso permitiu-nos receber o subs\u00eddio de natal de 2018, o m\u00eas de outubro e estamos a pagar contas correntes. Iam cortar a luz e o g\u00e1s e tamb\u00e9m j\u00e1 as estamos a pagar\u201d, descreve Ant\u00f3nio Ferreira que ali trabalha h\u00e1 33 anos. Agora, s\u00e3o estes homens que decidem sobre como \u00e9 gerido o fruto do suor do seu esfor\u00e7o di\u00e1rio. As responsabilidades s\u00e3o divididas entre os 31 empregados da cervejaria Galiza que voltaram a ter casa cheia. S\u00e3o muitos os que optam por n\u00e3o folgar para j\u00e1 para defender os postos de trabalho e continuam a fazer turnos de vigil\u00e2ncia durante a madrugada.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas d\u00e9cadas passadas, Ant\u00f3nio acha que todos se sentem mais valorizados por gerirem a pr\u00f3pria casa e ningu\u00e9m sente falta de um patr\u00e3o. \u201cEstava h\u00e1 pouco a falar com um cliente e a dizer-lhe que h\u00e1 muita gente que pensava que n\u00e3o era poss\u00edvel um novo PREC (Processo Revolucion\u00e1rio em Curso) mas temos aqui no Porto um PRECzinho\u201d, gracejou antes de pedir que a juventude \u201cponha os olhos nisto\u201d e que entenda que n\u00e3o basta apenas lutar nas redes sociais porque \u201ch\u00e1 momentos em que \u00e9 preciso tomar decis\u00f5es no local de trabalho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sindicatos e partidos solid\u00e1rios com trabalhadores<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde que os trabalhadores passaram a gerir a cervejaria, foram in\u00fameras as demonstra\u00e7\u00f5es de solidariedade recebidas. Para al\u00e9m do apoio do Sindicato de Hotelaria do Norte e da visita de uma delega\u00e7\u00e3o da CGTP encabe\u00e7ada por Arm\u00e9nio Carlos, secret\u00e1rio-geral. Tamb\u00e9m o PCP visitou o estabelecimento com a presen\u00e7a de Jer\u00f3nimo de Sousa e outros dirigentes regionais e locais. \u201cEstamos nesta fase interm\u00e9dia de defini\u00e7\u00e3o do caminho e, neste sentido, tendo em conta esta situa\u00e7\u00e3o, o governo pode dar aqui uma contribui\u00e7\u00e3o positiva, na exata medida em que haja disponibilidade por parte dos detentores da [Cervejaria] Galiza e isso possa corresponder a uma sa\u00edda onde todos saiam bem\u201d, afirmou Jer\u00f3nimo de Sousa, que jantou no estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ainda a CDU, atrav\u00e9s de Ilda Figueiredo, vereadora na C\u00e2mara Municipal do Porto, que um grupo de deputados e vereadores de v\u00e1rios partidos, entre os quais do PS, onde se encontrava o presidente da autarquia, Rui Moreira. A autarquia aprovou ainda por unanimidade uma mo\u00e7\u00e3o da CDU para \u201cexpressar p\u00fablica e institucionalmente\u201d a todas as entidades envolvidas, um apelo \u00e0 viabiliza\u00e7\u00e3o da Cervejaria Galiza. \u201cAcho que \u00e9 imposs\u00edvel votar contra a sua mo\u00e7\u00e3o. (\u2026) compreendo a boa inten\u00e7\u00e3o e acho que \u00e9 bom que a cidade, \u00e0 volta destes estabelecimentos, tenha esta atitude, \u00e9 por isso que n\u00f3s somos uma cidade diferente. Eu diria que temos uma cidade patri\u00f3tica e n\u00f3s achamos que todas estas coisas fazem parte de n\u00f3s\u201d, afirmou Rui Moreira em resposta \u00e0 proposta da vereadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra das visitas ao local foi feita por Catarina Martins, coordenadora do BE, que manifestou a sua solidariedade com os trabalhadores da cervejaria, \u201cporque a situa\u00e7\u00e3o deles \u00e9 muito complicada\u201d e recordou que \u201cos trabalhadores foram confrontados com o facto dos donos da empresa estarem a tentar tirar tudo das instala\u00e7\u00f5es, n\u00e3o lhes pagando os sal\u00e1rios que lhes devem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundada a 29 de julho de 1972, a cervejaria detida pela empresa Atividades Hoteleiras da Galiza Portuense \u00e9 uma das refer\u00eancias do Porto no setor da restaura\u00e7\u00e3o e situa-se na Rua do Campo Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o 33 os trabalhadores que fizeram quase triplicar a fatura\u00e7\u00e3o da hist\u00f3rica cervejaria portuense praticamente na fal\u00eancia por m\u00e1 gest\u00e3o. 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