{"id":2765,"date":"2019-11-10T23:21:58","date_gmt":"2019-11-10T23:21:58","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2765"},"modified":"2019-11-10T23:22:00","modified_gmt":"2019-11-10T23:22:00","slug":"o-diabo-foi-meu-padeiro-de-mario-lucio-sousa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/11\/10\/o-diabo-foi-meu-padeiro-de-mario-lucio-sousa\/","title":{"rendered":"O Diabo Foi Meu Padeiro, de M\u00e1rio L\u00facio Sousa"},"content":{"rendered":"\n<p>M\u00e1rio L\u00facio Sousa \u00e9 um dos autores mais inovadores\u00a0e interessantes da sua gera\u00e7\u00e3o, e da literatura escrita\u00a0em portugu\u00eas. Nascido em Cabo Verde, no Tarrafal, em 1964, licenciado em Direito pela Universidade de Havana, foi Ministro da Cultura do seu pa\u00eds, no mandato iniciado em 2011, e um autor de vastos e plurais recursos, com diversos t\u00edtulos publicados, entre poesia, teatro e romance, contando j\u00e1 no seu curr\u00edculo com os Pr\u00e9mios Liter\u00e1rios Carlos de Oliveira e Mi-\u00a0guel Torga e o Pr\u00e9mio do P.E.N. Clube.<\/p>\n\n\n\n<p><em>O Diabo Foi Meu Padeiro,\u00a0<\/em>\u00e9 um dos livros mais crus e assombrosos at\u00e9 hoje publicados, sobre o inferno\u00a0que foi o Campo de Concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal, a partir de 1936, e a forma infra-humana como o salazarismo tratou os presos pol\u00edticos para a\u00ed transportados. A estrutura narrativa de M\u00e1rio L\u00facio, at\u00e9m-se \u00e0s mem\u00f3rias de alguns resistentes que sobreviveram\u00a0nesse espa\u00e7o da\u00a0<em>morte lenta\u00a0<\/em>e aos testemunhos das\u00a0gentes de Ch\u00e3o Bom, referindo os nomes desses antifascistas, as suas viv\u00eancias, as torturas, a fome, a\u00a0sede, as doen\u00e7as, a capacidade colectiva de reinventar a vida para afugentar a morte, numa pl\u00eaiade de elementos hist\u00f3ricos que o autor carreou para a narrativa, tra\u00e7ando desse campo um retrato chocante,\u00a0que \u00e9, a um tempo, brutal e humano, rigoroso e l\u00edrico\u00a0sobre o tempo maior da vergonha que a ditadura, na sua fase mais agressiva, na realidade foi, trazendo\u00a0para o campo da arte liter\u00e1ria, com invulgar destreza discursiva, a den\u00fancia do terr\u00edvel pesadelo que foi o fascismo portugu\u00eas \u2013 que afinal existiu!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 beleza formal do discurso, M\u00e1rio L\u00facio Sousa\u00a0acrescenta a agilidade conceptual da narrativa, o uso\u00a0exemplar da l\u00edngua, o conceptualismo \u00e9pico do tempo dieg\u00e9tico, o desenvolvimento da trama ficcional e o seu entrosamento com a verdade hist\u00f3rica, fazendo deste romance um dos t\u00edtulos exemplares sobre o modo como esse per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria comum,\u00a0marcou de forma indel\u00e9vel todo um povo, mas sobretudo as gera\u00e7\u00f5es que o viveram.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Hoje \u00e9 dia 29 de Outubro de 1936. 152 portugueses, incluindo 34 marujos revoltosos, um anarquista de nome M\u00e1rio Castelhano, o Secret\u00e1rio-Geral do Partido Comunista, Bento Gon\u00e7alves, um imberbe de 17 anos chamado Edmundo Pedro, e eu, Pedro Santos Soares, acabamos de\u00a0nos certificar de que estamos em \u00c1frica. Nem uma planta,\u00a0nem uma cabra, nem um ser humano, nem um som.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um livro indispens\u00e1vel, de leitura obrigat\u00f3ria nestes dias em que algumas for\u00e7as do obscurantismo militante, andam por a\u00ed a tentar rescrever a Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>M\u00e1rio L\u00facio Sousa,\u00a0<\/em><\/strong><strong>O Diabo Foi Meu Padeiro. Edi\u00e7\u00e3o D. Quixote\/2019<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio L\u00facio Sousa \u00e9 um dos autores mais inovadores\u00a0e interessantes da sua gera\u00e7\u00e3o, e da literatura escrita\u00a0em portugu\u00eas. 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