{"id":2750,"date":"2019-11-08T12:34:03","date_gmt":"2019-11-08T12:34:03","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2750"},"modified":"2020-01-07T12:50:38","modified_gmt":"2020-01-07T12:50:38","slug":"alexandre-vieira-e-o-diario-sindicalista-a-batalha-um-destacado-colaborador-da-voz-do-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/11\/08\/alexandre-vieira-e-o-diario-sindicalista-a-batalha-um-destacado-colaborador-da-voz-do-operario\/","title":{"rendered":"Alexandre Vieira e o di\u00e1rio sindicalista A Batalha: um destacado colaborador d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>2019 \u00e9 o centen\u00e1rio do di\u00e1rio sindicalista A Batalha. Publicou-se entre 1919 e 1927 e teve ent\u00e3o um papel central como pilar e porta-voz da organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e sindical portuguesa. Alexandre Vieira foi um dos seus principais fundadores e seu primeiro diretor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Minho<\/h2>\n\n\n\n<p>Alexandre Vieira nasceu a 11 de Setembro de 1880 na cidade do Porto mas foi mais a norte, em Viana do Castelo, que passou a inf\u00e2ncia e come\u00e7ou a trabalhar aos 11 anos de idade. Foi na regi\u00e3o minhota que se tornou oper\u00e1rio gr\u00e1fico e sindicalista. Dali escreveu pela primeira vez para A Voz do Oper\u00e1rio. Em 1906 migrou para Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rep\u00fablica<\/h2>\n\n\n\n<p>No dia 18 de Mar\u00e7o de 1908, anivers\u00e1rio da Comuna de Paris, foi um dos fundadores do di\u00e1rio sindicalista A Greve. Este apenas durou seis meses, mas foi uma experi\u00eancia audaz \u00e0 \u00e9poca, assente em trabalho volunt\u00e1rio desde a reda\u00e7\u00e3o \u00e0 impress\u00e3o e \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o. O chefe de reda\u00e7\u00e3o foi Jos\u00e9 Fernandes Alves, que era tamb\u00e9m o chefe de reda\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio.<br><br>No desempenho destas fun\u00e7\u00f5es, esteve na linha da frente de grandes desafios que ent\u00e3o se colocaram aos trabalhadores portugueses. Destacamos tr\u00eas:<br> <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Repress\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>a) a repress\u00e3o do novo regime republicano, nomeadamente sob a lideran\u00e7a de Afonso Costa. Houve sedes sindicais encerradas, jornais apreendidos, militantes presos e at\u00e9 algumas pessoas mortas a tiro em manifesta\u00e7\u00f5es, logo a partir de 1911. Alexandre Vieira foi ent\u00e3o v\u00e1rias vezes preso. E n\u00e3o foram apenas curtas deten\u00e7\u00f5es: em 1913\/14, chegou a estar 9 meses encarcerado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fome<\/h2>\n\n\n\n<p>b) a crise social exponenciada pela 1\u00aa Guerra Mundial. A rotura de circuitos do com\u00e9rcio internacional foi devastadora para um pa\u00eds muito dependente de importa\u00e7\u00f5es de alimentos. A mis\u00e9ria agravou-se com a escassez e especula\u00e7\u00e3o de g\u00e9neros, e uma infla\u00e7\u00e3o galopante. Em 1917 chegaram a ocorrer tumultos em Lisboa, com multid\u00f5es esfomeadas assaltando armaz\u00e9ns para conseguir comida. Alexandre Vieira foi ent\u00e3o um dos respons\u00e1veis por uma redinamiza\u00e7\u00e3o do movimento sindical, para<br> que os trabalhadores se organizassem e defendessem os seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Guerra civil<\/h2>\n\n\n\n<p>c) Em janeiro de 1919 o pa\u00eds chegou \u00e0 guerra civil, com monarquia autorit\u00e1ria a ser restaurada no Norte do pa\u00eds. Como muitos oper\u00e1rios e sindicalistas, Alexandre Vieira participou na revolta armada que derrotou as for\u00e7as mon\u00e1rquicas \u00e0s portas de Lisboa, em Monsanto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>A Batalha<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que nasceu <em>A Batalha<\/em>. O primeiro n\u00famero saiu a 23 de Fevereiro de 1919, por iniciativa da Uni\u00e3o Oper\u00e1ria Nacional, que nesse ano se transformaria em Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT). V\u00e1rias vezes esse jornal foi apreendido e a sua reda\u00e7\u00e3o assaltada. At\u00e9 que em 1927 a ditadura militar o suspendeu e destruiu a reda\u00e7\u00e3o. Em 1930 voltou a ser publicado legalmente, como seman\u00e1rio, mas por pouco tempo. Apareceu de-<br> pois clandestinamente mas de forma muito irregular, nas d\u00e9cadas de 1930 e 1940. Renasceu com o 25 de Abril de 1974 e ainda hoje existe, a assumindo-se agora como um \u201cjornal de express\u00e3o anarquista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Anarquista<\/h2>\n\n\n\n<p>Alexandre Vieira era anarquista, como foram muitos sindicalistas da sua gera\u00e7\u00e3o. E manteve as suas convic\u00e7\u00f5es at\u00e9 falecer, em 1973. Mas quando o movimento sindical portugu\u00eas foi dilacerado por uma rivalidade entre anarquistas e comunistas, nos anos 1920, Vieira tomou ent\u00e3o uma posi\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo e defesa da unidade. Em 1928 integrou uma delega\u00e7\u00e3o de sindicalistas portugueses \u00e0 R\u00fassia sovi\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Antifascista<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao regressar da R\u00fassia, Vieira acabou por ficar exilado em Fran\u00e7a durante 4 anos. S\u00f3 chegou a Portugal em 1932. Os sindicatos livres foram proibidos logo em 1933. Mas, \u00e0 semelhan\u00e7a doutros velhos sindicalistas, manteve-se ativo e organizado. Foi dirigente da Universidade Popular Portuguesa e presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Inquilinos Lisbonenses. Teve ainda um papel destacado no Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>A Voz do Oper\u00e1rio<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>S\u00f3cio desde 1908, Alexandre Vieira foi eleito em 1926 para um \u00f3rg\u00e3o auxiliar da dire\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, a \u201ccomiss\u00e3o de instru\u00e7\u00e3o, arte e educa\u00e7\u00e3o\u201d. Nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960 foi um destacado colaborador deste jornal, a exemplo de v\u00e1rios outros antigos colaboradores d\u2019<em>A Batalha<\/em> que durante a ditadura colaboraram n\u2019<em>A Voz do Oper\u00e1rio<\/em>. Nomes como Em\u00edlio Costa, C\u00e9sar Nogueira ou Jos\u00e9 Antunes. Este \u00faltimo foi mesmo o diretor d\u2019<em>A Voz do Oper\u00e1rio<\/em> em 1946 e de novo em 1956\/58.<br>Uma nota final para sublinhar que Alexandre Vieira foi um dos respons\u00e1veis pela salvaguarda da biblioteca da antiga Universidade Popular, com a sua transfer\u00eancia em 1950 para A Voz do Oper\u00e1rio, onde foi preservada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2019 \u00e9 o centen\u00e1rio do di\u00e1rio sindicalista A Batalha. Publicou-se entre 1919 e 1927 e teve ent\u00e3o um papel central como pilar e porta-voz da organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e sindical portuguesa. Alexandre Vieira foi um dos seus principais fundadores e seu primeiro diretor. 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