{"id":2711,"date":"2019-11-05T11:44:17","date_gmt":"2019-11-05T11:44:17","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2711"},"modified":"2019-11-06T12:40:51","modified_gmt":"2019-11-06T12:40:51","slug":"os-monstros-preferidos-de-alberto-manguel-apresentados-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/11\/05\/os-monstros-preferidos-de-alberto-manguel-apresentados-em-lisboa\/","title":{"rendered":"Os Monstros preferidos de Alberto Manguel, apresentados em Lisboa"},"content":{"rendered":"\n<p>Alberto Manguel esteve em Lisboa no passado dia 25 de outubro para apresentar o seu mais recente trabalho &#8211; <em>Monstros Fabulosos: Dr\u00e1cula; Alice; Super-Homem e outros amigos liter\u00e1rios\u00a0<\/em>(ed. Tinta da China). A sess\u00e3o teve lugar no Museu da Farm\u00e1cia e contou com a presen\u00e7a do poeta e cr\u00edtico Pedro Mexia e do humorista Ricardo\u00a0Ara\u00fajo Pereira, que introduziram a obra de Manguel.<\/p>\n\n\n\n<p>Alberto Manguel \u00e9 um dos maiores bibli\u00f3filos da&nbsp;atualidade. O seu percurso de vida confunde-se com a&nbsp;hist\u00f3ria dos seus livros, da sua biblioteca, das suas leituras. Nasceu em Buenos Aires (1948) e cresceu entre a sua terra natal e Telavive, onde o seu pai desempenhava fun\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Esta realidade votou-o a mudan\u00e7as&nbsp;frequentes de casa, motivo que o autor apresenta para a&nbsp;forte liga\u00e7\u00e3o \u00edntima que ent\u00e3o desenvolveu com os livros. Aos 16 anos, come\u00e7ou a trabalhar numa livraria, em Buenos Aires, e \u00e9 nesse contexto que conhece Jorge Luis Borges, que j\u00e1 cego, lhe pede que seja seu leitor. Em 1968, sai da Argentina e vive em Espanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Inglaterra, ganhando a vida como leitor e tradutor em v\u00e1rias editoras. J\u00e1 neste per\u00edodo se dedica \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de antologias em torno do universo fant\u00e1stico e imagin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>No presente trabalho, Manguel faz-nos chegar as 30 personagens fant\u00e1sticas que mais o acompanharam ao&nbsp;longo da vida, devidamente ilustradas por ele. Num tom&nbsp;erudito e l\u00fadico, o autor passeia por cada uma das figuras, adotando registos muito diversos. Como destacou Pedro Mexia, se nalguns casos parece organizar verbetes quase enciclop\u00e9dicos, noutros cap\u00edtulos aflora uma vertente mais ensa\u00edstica em torno da natureza das personagens. Nesses momentos, a extraordin\u00e1ria sensibilidade leitora de Manguel \u00e9-nos integralmente oferecida, e o autor d\u00e1-&nbsp;nos a ler o mesmo livro que leu, em suma, partilha connosco a sua experi\u00eancia \u00edntima: \u201cO credo de Capuchinho Vermelho \u00e9 o mesmo de Thoreau: desobedi\u00eancia civil (&#8230;) \u00e9 por Capuchinho Vermelho divergir que aparecem o bosque, o lobo, o lenhador e a aventura rom\u00e2ntica da av\u00f3. Sem o esp\u00edrito divergente de Capuchinho Vermelho, n\u00e3o&nbsp;haveria hist\u00f3ria\u201d. Quem imaginaria semelhante rela\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica? Facto \u00e9 que depois de confrontados com esta leitura, torna-se dif\u00edcil dela nos desvincularmos. \u00c9 precisamente esta capacidade de desdobrar as v\u00e1rias camadas das hist\u00f3rias, quase como quem nos esfrega os olhos para melhor vermos o que sempre l\u00e1 esteve de facto, que Ricardo Ara\u00fajo Pereira destacou, admitindo sentir-se esmagado pela mestria do autor argentino: \u00abh\u00e1 qualquer coisa no ato de ler e interpretar um texto que&nbsp;eu acho que \u00e9 decisivo para quem procura nos livros, nas&nbsp;hist\u00f3rias uma resposta para \u201co que \u00e9 isto de estar vivo\u201d\u00bb,&nbsp;acrescentou o humorista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<em>Monstros Fabulosos&nbsp;<\/em>Manguel dedica-se ainda a&nbsp;um exerc\u00edcio quase efabulat\u00f3rio a partir das personagens, como se se propusesse a adivinhar o que sentiriam&nbsp;e o \u201cn\u00e3o-escrito\u201d, como faz no cap\u00edtulo dedicado a Gertrudes (m\u00e3e de Hamlet): \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil a uma m\u00e3e admiti-lo, mas ela acha que o filho n\u00e3o \u00e9 bom da cabe\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O presente trabalho parece apresentar-se como uma&nbsp;decorr\u00eancia l\u00f3gica na obra do autor para quem os homens s\u00e3o, afinal, \u201cfilhos e filhas de fantasmas de papel e tinta\u201d e que afirma ter-lhe sido o mundo e tudo o que sobre ele sabe revelado atrav\u00e9s das p\u00e1ginas dos livros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alberto Manguel esteve em Lisboa no passado dia 25 de outubro para apresentar o seu mais recente trabalho &#8211; Monstros Fabulosos: Dr\u00e1cula; Alice; Super-Homem e outros amigos liter\u00e1rios\u00a0(ed. 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