{"id":2698,"date":"2019-11-04T17:35:51","date_gmt":"2019-11-04T17:35:51","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2698"},"modified":"2019-11-04T17:35:55","modified_gmt":"2019-11-04T17:35:55","slug":"agir-pelo-tejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/11\/04\/agir-pelo-tejo\/","title":{"rendered":"Agir pelo Tejo!"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 na Serra de Albarracim, em Espanha, que ele nasce, e a partir da\u00ed percorre 1007 Km at\u00e9 ao estu\u00e1rio, onde as suas \u00e1guas doces abra\u00e7am as \u00e1guas salgadas do mar e banham Lisboa numa luz especial! Ao longo deste percurso, o maior dos rios da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, o Tejo, vai deixando um vasto patrim\u00f3nio natural e cultural, com um potencial tur\u00edstico enorme que, se bem aproveitado daria um contributo importante para o desenvolvimento, por este rio acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de se diluir definitivamente no mar, o Tejo deixa um estu\u00e1rio de uma enorme beleza e riqueza natural, de um valor ecol\u00f3gico inestim\u00e1vel, classificada como Reserva Natural. As fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, desta \u00e1rea, assumem&nbsp;um lugar de maior import\u00e2ncia na preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade do nosso territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m a n\u00edvel do Planeta, da\u00ed a sua inclus\u00e3o na Rede Natura 2000 e nas \u00e1reas abrangidas pela Conven\u00e7\u00e3o de RAMSAR (Zonas H\u00famidas&nbsp;do Planeta).<\/p>\n\n\n\n<p>A viv\u00eancia do homem com o Tejo tem s\u00e9culos. Nele encontraram sobreviv\u00eancia alimentar (n\u00e3o s\u00f3 com a pesca,&nbsp;mas tamb\u00e9m com a agricultura que permitiu desenvolver), condi\u00e7\u00f5es para sua defesa, mobilidade fluvial para pessoas e bens, lazer, inspira\u00e7\u00e3o art\u00edstica e uma porta aberta para o Mundo!<\/p>\n\n\n\n<p>Rio de caracter\u00edsticas mediterr\u00e2nicas, apresentou&nbsp;sempre irregularidade nos seus caudais, alterando naturalmente entre cheias e caudais diminutos, em fun\u00e7\u00e3o&nbsp;dos per\u00edodos de chuvas ou de estio. No entanto, a partir&nbsp;dos meados do S\u00e9culo XX, com a constru\u00e7\u00e3o de barragens&nbsp;no Tejo e nos seus afluentes principais, dos dois lados da&nbsp;fronteira, a produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica passou a ditar a gest\u00e3o destes rios, em detrimento de todo e qualquer outro usoe das exig\u00eancias do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. Foi a preocupa\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o de energia que esteve na origem do&nbsp;Conv\u00e9nio assinado, em 1968, entre Espanha e Portugal, para regula\u00e7\u00e3o do uso das \u00e1guas de 5 rios internacionais, entre eles, o Tejo. Revisto em 1998, o texto do acordo&nbsp;continuou muito longe de corrigir esta situa\u00e7\u00e3o, e de&nbsp;colocar o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e o desenvolvimento sustent\u00e1vel, como principais objetivos, nomeadamente para o Tejo. Hoje, \u00e9 um imperativo para Portugal, renegociar este acordo conhecido como \u201cConven\u00e7\u00e3o de Albufeira\u201d!&nbsp;A situa\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o e escassez de caudal agravou-se&nbsp;dramaticamente nos \u00faltimos anos, em consequ\u00eancia dos transvases praticados em Espanha e tamb\u00e9m dos per\u00edodos de secas decorrentes das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Rever os termos da gest\u00e3o das \u00e1guas do Tejo por forma a garantir caudais que assegurem o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico dos ecossistemas do rio e a qualidade das \u00e1guas na entrada em Portugal, \u00e9 fundamental! \u00c9 ainda fundamental, que o Governo Portugu\u00eas assuma uma postura firme, relativamente ao encerramento urgente da Central Nuclear de Almaraz que representa uma amea\u00e7a real, para o Tejo e&nbsp;para as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da quest\u00e3o dos caudais, o Tejo tem outros&nbsp;problemas que impossibilitam o seu pleno aproveitamento numa perspetiva econ\u00f3mica, social e de lazer. A polui\u00e7\u00e3o \u00e9 um deles. Os setores industrial e agroalimentar, s\u00e3o hoje, os principais poluidores. Violam descaradamente as leis e fogem \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de sistemas de tratamento eficientes e adaptados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o que t\u00eam. Exemplos n\u00e3o faltam, ainda temos em mem\u00f3ria o caso da ind\u00fastria de celulose de Castelo Branco. O assoreamento versus extra\u00e7\u00e3o de areias ou calhau, \u00e9 outro dos problemas ambientais do Tejo. Um assoreamento que n\u00e3o se deve s\u00f3&nbsp;\u00e0 falta de caudal para transportar as areias at\u00e9 \u00e0 costa,&nbsp;mas tamb\u00e9m \u00e0 cont\u00ednua eros\u00e3o das margens desprotegidas pelos inc\u00eandios e por pr\u00e1ticas agr\u00edcolas incorretas que destru\u00edram as margens. Por outro lado, a pr\u00e1tica de extra\u00e7\u00e3o por suc\u00e7\u00e3o, anos a fio no mesmo local e perto de infraestruturas hidr\u00e1ulicas, \u00e9 tamb\u00e9m um problema grave e perigoso, tal como se viu em Entre-os-Rios. Por \u00faltimo, o desmantelamento e esvaziamento das entidades&nbsp;p\u00fablicas com responsabilidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental, tem contribu\u00eddo para que estas situa\u00e7\u00f5es se repitam e se&nbsp;agravem, comprometendo a natureza, a sa\u00fade p\u00fablica e&nbsp;o contributo ao desenvolvimento sustent\u00e1vel que o Tejo&nbsp;poderia dar \u00e0s regi\u00f5es que atravessa. A atua\u00e7\u00e3o dos sucessivos Governos, sejam eles PSD\/CDS ou PS, pautou-se pela falta de vontade pol\u00edtica de fazer frente aos problemas, por vezes at\u00e9 mostrando condescend\u00eancia com os criminosos, outras vezes, s\u00e3o os pr\u00f3prios governos que est\u00e3o na origem do problema! Veja-se agora, as implica\u00e7\u00f5es para a Reserva Natural do Estu\u00e1rio do Tejo e para as Salinas do Samouco que ter\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o do aeroporto no Montijo!<\/p>\n\n\n\n<p>Estou convencida que n\u00e3o chegar\u00e1 apelar \u00e0s \u201cT\u00e1gides\u201d&nbsp;ao socorro para incutir nos governantes a sensibilidade de&nbsp;Cam\u00f5es pelo Tejo. Teremos de ser todos n\u00f3s a agir pelo Tejo!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 na Serra de Albarracim, em Espanha, que ele nasce, e a partir da\u00ed percorre 1007 Km at\u00e9 ao estu\u00e1rio, onde as suas \u00e1guas doces abra\u00e7am as \u00e1guas salgadas do mar e banham Lisboa numa luz especial! 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