{"id":2678,"date":"2019-11-04T17:06:59","date_gmt":"2019-11-04T17:06:59","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2678"},"modified":"2020-01-07T12:50:01","modified_gmt":"2020-01-07T12:50:01","slug":"amalia-rodrigues-eu-sou-a-toalha-que-eles-poem-na-mesa-quando-tem-visitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/11\/04\/amalia-rodrigues-eu-sou-a-toalha-que-eles-poem-na-mesa-quando-tem-visitas\/","title":{"rendered":"Am\u00e1lia Rodrigues: \u201cEu sou a toalha que eles p\u00f5em na mesa quando t\u00eam visitas\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando saiu a not\u00edcia da morte da fadista, a figura mais&nbsp;importante da literatura portuguesa, Jos\u00e9 Saramago,&nbsp;revelou em Paris que Am\u00e1lia Rodrigues \u201ccelebrada pelo salazarismo\u201d fez chegar dinheiro ao Partido Comunista Portugu\u00eas, ent\u00e3o na clandestinidade. Foram estas declara\u00e7\u00f5es que serviram de mote para uma investiga\u00e7\u00e3o&nbsp;do jornalista Miguel Carvalho de mais 60 p\u00e1ginas publicada agora na revista Vis\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTinha a no\u00e7\u00e3o de que havia algum pano para mangas. Ou seja, de que a Am\u00e1lia n\u00e3o se teria limitado a acudir a uns pobrezinhos ou&nbsp;a umas fam\u00edlias de presos pol\u00edticos. Concentrei-me no per\u00edodo da ditadura e a dimens\u00e3o do que encontrei ultrapassou tudo o que eu pudesse imaginar\u201d, confessou&nbsp;Miguel Carvalho ao jornal Contacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o jornalista insistiu que este trabalho jornal\u00eds-&nbsp;tico n\u00e3o pretendeu colocar qualquer r\u00f3tulo na fadista. \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 aqui a dizer, nem eu o digo em parte al-&nbsp;guma, que a Am\u00e1lia era de esquerda ou era antifascista.&nbsp;A verdade \u00e9 que tamb\u00e9m n\u00e3o se pode dizer que ela se&nbsp;limitasse muitas vezes a atos meramente solid\u00e1rios e&nbsp;inconscientes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Lusa, na investiga\u00e7\u00e3o, feita com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, s\u00e3o apresentados documentos oficiais que tanto confirmam que Am\u00e1lia Rodrigues foi vigiada pela PIDE, a pol\u00edcia pol\u00edtica da ditadura do Estado Novo, por suspeita de&nbsp;apoio aos comunistas, como revelam que manteve atitudes amb\u00edguas com o regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o fim dos anos 40 at\u00e9 \u00e0s portas do 25 de abril de 1974, a cantora manteve la\u00e7os com a esquerda intelectual que se opunha ao regime e com muitos comunistas com a \u201cconsci\u00eancia clara de que eram perseguidos e presos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos 80 testemunhos recolhidos \u00e9 o do hist\u00f3rico pol\u00edtico comunista Domingos Abrantes que afirmou ser \u201cum facto confirmad\u00edssimo\u201d que Am\u00e1lia Rodrigues, por exemplo, ajudou o MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla sabia para o que estava a dar\u201d, garantiu Domingos Abrantes, 83 anos. \u201cE nessa \u00e9poca de grande&nbsp;repress\u00e3o, tudo o que era mais ou menos organizado&nbsp;estava ligado ao PCP. O resto \u00e9 conversa\u201d, opinou.<\/p>\n\n\n\n<p>Os testemunhos reunidos convergem na ideia de&nbsp;que Am\u00e1lia Rodrigues apoiou por diversas vezes, com dinheiro, portugueses exilados, protegeu amigos anti-fascistas e tentou influenciar a liberta\u00e7\u00e3o de presos pol\u00edticos, nomeadamente de Alain Oulman, o compositor com quem colaborou nas d\u00e9cadas de 60 e 70.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando saiu a not\u00edcia da morte da fadista, a figura mais&nbsp;importante da literatura portuguesa, Jos\u00e9 Saramago,&nbsp;revelou em Paris que Am\u00e1lia Rodrigues \u201ccelebrada pelo salazarismo\u201d fez chegar dinheiro ao Partido Comunista Portugu\u00eas, ent\u00e3o na clandestinidade. 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