{"id":2652,"date":"2019-11-04T10:53:13","date_gmt":"2019-11-04T10:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2652"},"modified":"2019-12-02T11:37:48","modified_gmt":"2019-12-02T11:37:48","slug":"quando-o-desporto-e-solidariedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/11\/04\/quando-o-desporto-e-solidariedade\/","title":{"rendered":"Quando o desporto \u00e9 solidariedade"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Braima Dab\u00f3 \u00e9 a prova de que nem sempre os grandes momentos do desporto se traduzem em golos, recordes&nbsp;batidos e ta\u00e7as ou medalhas. O corredor guineense de alta competi\u00e7\u00e3o surpreendeu o planeta nos Mundiais de&nbsp;Atletismo de Doha, no Qatar, na eliminat\u00f3ria dos 5 mil metros quando estava a 250 metros do fim da prova e decidiu parar para ajudar Jonathan Busby a chegar \u00e0 meta. Perante a ova\u00e7\u00e3o de milhares de espetadores, Braima Dab\u00f3 terminou a corrida abra\u00e7ado ao atleta de Aruba que mais tarde disse ter recebido a ajuda de um \u201canjo\u201d.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando sofri a les\u00e3o e ca\u00ed, do nada apareceu uma m\u00e3o a segurar-me. Era a m\u00e3o&nbsp;de um anjo. N\u00e3o tenho muitas palavras para descrever o que aconteceu. Foi uma das cenas mais marcantes da minha vida.&nbsp;Posso dizer que ganhei um irm\u00e3o. O Dab\u00f3 j\u00e1 faz parte da minha fam\u00edlia. Para l\u00e1 do facto de as imagens j\u00e1 rodarem o mundo, ele j\u00e1 \u00e9 uma celebridade em Aruba\u201d, de-&nbsp;clarou Jonathan Busby \u00e0 imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>O anjo do atleta caribenho nasceu na&nbsp;Guin\u00e9-Bissau, numa pobre aldeia da regi\u00e3o de Tombali, onde n\u00e3o h\u00e1 sequer estradas asfaltadas, e estuda atualmente&nbsp;em Bragan\u00e7a. Respondeu depois da prova&nbsp;que fez apenas \u201co que qualquer um estaria disposto a fazer naquela posi\u00e7\u00e3o\u201d. O facto&nbsp;\u00e9 que Braima Dab\u00f3 \u00e9 j\u00e1 apelidado de \u201cher\u00f3i do fairplay\u201d e \u00e9 um dos quatro nomeados para o pr\u00e9mio nessa categoria que vai&nbsp;ser atribu\u00eddo este m\u00eas no M\u00f3naco.<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade desportiva traduziu ao&nbsp;longo da hist\u00f3ria a vontade da humanidade em superar os seus pr\u00f3prios limites&nbsp;e encontrou na solidariedade uma marca&nbsp;caracter\u00edstica de quem se sacrifica para&nbsp;ir mais al\u00e9m, seja individualmente ou coletivamente. Mesmo hoje, apesar da profissionaliza\u00e7\u00e3o, das elevadas quantias envolvidas, da financeiriza\u00e7\u00e3o de diferentes modalidades e do crescente peso da competitividade, o conceito de desportivismo continua a significar lealdade, companheirismo e \u00e9tica. A express\u00e3o&nbsp;\u201cganhar ou perder \u00e9 desporto\u201d mostra o&nbsp;qu\u00e3o est\u00e1 enraizada a ideia de que h\u00e1 valores mais importantes do que a vit\u00f3ria  <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ol\u00edmpiada popular em Barcelona<\/h2>\n\n\n\n<p>Em agosto de 1936, realizou-se em Berlim a mais controversa das edi\u00e7\u00f5es dos&nbsp;Jogos Ol\u00edmpicos com Adolf Hitler a encabe\u00e7ar a cerim\u00f3nia de abertura. Nesse mesmo ano, Espanha, que perdeu a organiza\u00e7\u00e3o do evento para a Alemanha nazi, decidiu boicotar o evento em conjunto com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e organizar a Olimp\u00edada Popular, em Barcelona, com mais de 6 mil atletas provenientes de 22 pa\u00edses convocados pela Confedera\u00e7\u00e3o Desportiva Internacional do Trabalho e pela Internacional Vermelha do Desporto, conhecida como Sportintern. Muitos dos participantes pertenciam a associa\u00e7\u00f5es, clubes desportivos sindicais e partidos de esquerda apesar de&nbsp;haver atletas de alto n\u00edvel. As delega\u00e7\u00f5es da Alemanha e de It\u00e1lia, com regimes fascistas, eram compostas por exilados desses pa\u00edses e a inaugura\u00e7\u00e3o da Olimp\u00edada Popular estava prevista para 19 de julho.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois dias antes do evento desportivo, Francisco Franco liderou o levantamento fascista que deu in\u00edcio \u00e0 guerra civil de Espanha e os jogos tiveram de&nbsp;ser cancelados. Alguns atletas nunca&nbsp;chegaram a Barcelona porque esbarraram com o encerramento da fronteira francesa mas muitos outros tiveram de abandonar a capital catal\u00e3 \u00e0 pressa.&nbsp;Contudo, pelo menos 200 participantes&nbsp;de diferentes nacionalidades decidiram ficar e juntar-se aos trabalhadores que pegaram em armas para combater o fascismo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Futebol rebelde<\/h2>\n\n\n\n<p>A maioria dos jogadores de futebol tem origens populares e as ruas dos bairros mais pobres foram palco de&nbsp;intermin\u00e1veis jogos que apenas tinham como baliza duas pedras. N\u00e3o \u00e9 de estranhar, pois, que alguns dos que foram elevados a estrelas do desporto&nbsp;mais medi\u00e1tico do planeta assumam posturas solid\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o Benfica ganhou o \u00faltimo campeonato, Bruno Lage deixou uma&nbsp;mensagem importante aos adeptos.&nbsp;\u201cSe voc\u00eas se unirem e tiverem a for\u00e7a e a exig\u00eancia que t\u00eam com o futebol&nbsp;nos outros aspetos do nosso Portugal, da nossa economia, da nossa sa\u00fade,&nbsp;da nossa educa\u00e7\u00e3o, vamos ser um pa\u00eds melhor\u201d, apontou o treinador. N\u00e3o t\u00eam sido poucas as posi\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias de&nbsp;in\u00fameros treinadores e jogadores com diferentes causas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, Pep Guardiola, que comanda o Manchester City, nunca escondeu o seu apoio \u00e0 causa independentista&nbsp;da Catalunha e recentemente contestou a senten\u00e7a de pris\u00e3o a v\u00e1rios l\u00edderes separatistas catal\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Marcelo Bielsa, questionado pela imprensa sobre a revolta no Chile, afirmou que a sua opini\u00e3o n\u00e3o \u00e9 indiferente, \u201cn\u00e3o porque seja qualificada mas porque se multiplica\u201d. Cuidadoso nas&nbsp;palavras, o treinador do Leeds United&nbsp;considerou \u201cadmir\u00e1vel o que o povo chileno est\u00e1 a fazer, especialmente os cidad\u00e3os comuns, que exercem a democracia e s\u00e3o um exemplo para todos os pa\u00edses que s\u00e3o tratados injustamente&nbsp;pelos seus governantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem tamb\u00e9m nunca escondeu o seu compromisso com a luta dos trabalhadores e dos povos \u00e9 Diego Armando Maradona. O deus de muitos ateus do futebol n\u00e3o brilhou apenas nos relvados. Apesar de muitas pol\u00e9micas, o \u2018pibe\u2019&nbsp;manteve-se fiel \u00e0s ra\u00edzes sociais onde&nbsp;nasceu e deu a cara pelos seus amigos&nbsp;Fidel Castro e Hugo Ch\u00e1vez. Durante o Campeonato Mundial de Futebol na Coreia do Sul e Jap\u00e3o, o governo nip\u00f3nico queria impedir a entrada no pa\u00eds do antigo capit\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o argentina e negou-lhe o visto. \u201cEu n\u00e3o matei ningu\u00e9m&nbsp;e respeito as leis japonesas. N\u00e3o lhes atirei nenhuma bomba nuclear. \u00c9 um contra-senso, se querem proteger os ja- poneses n\u00e3o deviam permitir a entrada&nbsp;da sele\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos\u201d, defendeu-se Maradona.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chegou \u00e0 Fiorentina, um jornalista perguntou ao brasileiro S\u00f3crates se gostava mais de Mazzola ou Rivera. \u201cN\u00e3o os conhe\u00e7o. Estou aqui para ler Gramsci na l\u00edngua original e estudar a hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio italiano\u201d, respondeu o \u00eddolo dos adeptos do Corinthians. Foi precisamente neste&nbsp;clube fundado por um grupo de oper\u00e1rios de S\u00e3o Paulo que S\u00f3crates ficou&nbsp;conhecido por liderar a \u201cdemocracia corinthiana\u201d em plena ditadura brasileira. Durante os jogos, a equipa paulista usava frases no equipamento como \u201cdiretas&nbsp;j\u00e1\u201d ou \u201ceu quero votar para presidente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pela igualdade, contra o racismo<\/h2>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria dos Estados Unidos est\u00e1&nbsp;marcada a ferros pela discrimina\u00e7\u00e3o racial. Foram muitos os atletas afro-americanos que usaram o desporto como ferramenta de den\u00fancia da realidade que vivem os negros naquele&nbsp;pa\u00eds. \u00c9 poss\u00edvel que Mohammad Ali seja o mais conhecido. Eleito \u201cdesportista do s\u00e9culo\u201d pela Sports Illustrated&nbsp;em 1999, o pugilista norte-americano&nbsp;recusou-se a combater no Vietname arriscando a sua carreira. \u201cNenhum vietcongue me chamou de negro, por que lutaria contra eles?\u201d. Em 1967,&nbsp;quando, juntamente com Martin Luther King, de quem era amigo, esteve em Louisville para apoiar a luta da popula\u00e7\u00e3o local pelo acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o afirmou: \u201cPor que me pedem para&nbsp;vestir um uniforme e deslocar-me 10 mil milhas para lan\u00e7ar bombas e balas contra o povo do Vietname enquanto os negros de Louisville s\u00e3o tratados como c\u00e3es, sendo-lhes negados os mais elementares direitos humanos?&nbsp;N\u00e3o, n\u00e3o vou viajar 10 mil milhas para&nbsp;ajudar a assassinar e queimar outra na\u00e7\u00e3o pobre para que simplesmente continue a domina\u00e7\u00e3o dos senhores brancos sobre os povos de cor mais escura mundo afora. \u00c9 hora de tais males chegarem ao fim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano seguinte, em 1968, os atletas negros norte-americanos Tommie Smith e John Carlos conquistaram as&nbsp;medalhas de ouro e bronze nos Jogos Ol\u00edmpicos do M\u00e9xico e subiram ao p\u00f3dio com o australiano Peter Norman.&nbsp;No p\u00f3dio, os velocistas afro-americanos levantaram o punho fechado com uma luva negra enquanto soava o hino&nbsp;dos Estados Unidos, imitando o gesto&nbsp;de sauda\u00e7\u00e3o dos Panteras Negras. \u201cSe ganho, sou americano, n\u00e3o afro-americano. Mas se fa\u00e7o algo de mal, ent\u00e3o diz-se que sou negro. Somos negros e&nbsp;estamos orgulhosos de s\u00ea-lo. A Am\u00e9rica negra vai entender o que fizemos&nbsp;esta noite\u201d, afirmou Tommie Smith.<\/p>\n\n\n\n<p>Avery Brundage, presidente do Comit\u00e9 Ol\u00edmpico Internacional, considerou o gesto inadequado e ordenou a suspens\u00e3o dos dois atletas da equipa norte-americana e pediu que fossem&nbsp;expulsos da vila ol\u00edmpica, o que foi recusado pelo Comit\u00e9 Ol\u00edmpico mexicano que considerou os velocistas convidados de honra e anunciou que seriam&nbsp;tratados como tal. Brundage, que fora presidente do Comit\u00e9 Ol\u00edmpico norte-americano durante os Jogos Ol\u00edmpicos de Berlim em 1936, n\u00e3o fez qualquer&nbsp;obje\u00e7\u00e3o \u00e0 sauda\u00e7\u00e3o nazi realizada por&nbsp;v\u00e1rios atletas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, Serena Williams contestou a discrimina\u00e7\u00e3o salarial so-&nbsp;bre as trabalhadoras negras. \u201cO dia 31&nbsp;de julho \u00e9 o Dia da Igualdade de Sal\u00e1rio das Mulheres Negras, que representa o n\u00famero de dias em 2017 que&nbsp;uma mulher negra deve trabalhar para ganhar o mesmo que um homem branco ganhou em 2016 &#8211; s\u00e3o quase mais 8 meses! As mulheres negras s\u00e3o a pedra&nbsp;angular das nossas comunidades, s\u00e3o&nbsp;fenomenais e merecem sal\u00e1rio igual\u201d,&nbsp;escreveu a tenista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Batista Pereira, o nadador do povo<strong>\ufeff<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Personagem de Esteiros, livro de Soeiro Pereira Gomes, e considerado por muitos o melhor nadador portugu\u00eas de sempre, Batista Pereira cresceu junto ao Tejo em Alhandra. Sem instrutor nem subs\u00eddios estatais, aos 14 anos era j\u00e1 o melhor portugu\u00eas nos 200, 400 e 1500&nbsp;metros. Depois, foi campe\u00e3o mundial&nbsp;da travessia do Estreito de Gibraltar, em 1953, e bateu o recorde mundial da travessia do Canal da Mancha.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um her\u00f3i que escondia a sua&nbsp;condi\u00e7\u00e3o de militante comunista desde&nbsp;1946, luta que nunca abandonou antes e depois da revolu\u00e7\u00e3o de Abril. Cresceu numa zona oper\u00e1ria: \u201cSoeiro Pereira Gomes foi o homem mais extraordin\u00e1rio que eu conheci, um homem bom,&nbsp;um homem inteligent\u00edssimo, um grande amigo do povo. Foi um dos que me ensinaram as primeiras letras, e o primeiro fato e os primeiros sapatos que tive foi ele quem mos deu; lembro-me como se fosse hoje: era um fato aos quadradinhos pretos e brancos e uns sapatos amarelos de biqueira larga\u201d,&nbsp;recordou Batista Pereira sobre o hist\u00f3rico escritor comunista com quem ganhou consci\u00eancia de classe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Braima Dab\u00f3 \u00e9 a prova de que nem sempre os grandes momentos do desporto se traduzem em golos, recordes&nbsp;batidos e ta\u00e7as ou medalhas. 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