{"id":2646,"date":"2019-10-09T09:14:28","date_gmt":"2019-10-09T09:14:28","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2646"},"modified":"2019-10-09T09:14:33","modified_gmt":"2019-10-09T09:14:33","slug":"os-universos-tematicos-de-modesto-navarro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/10\/09\/os-universos-tematicos-de-modesto-navarro\/","title":{"rendered":"Os universos tem\u00e1ticos de Modesto Navarro"},"content":{"rendered":"\n<p>O discurso liter\u00e1rio de Modesto Navarro, a sua parte substantiva e a mais consequente ao longo da sua vasta obra ficcional, reside na mem\u00f3ria, nesse acervo que recolhe as emo\u00e7\u00f5es, o j\u00fabilo, as dores de um percurso de vida e as suas singularidades. A autoficcionalidade dessa obra transporta no seu bojo tem\u00e1tico, as origens, logo, a sua Vila Flor natal, a forja onde trabalhou com os irm\u00e3os e o pai, vertical e austero, a m\u00e3e, com a qual se fez sens\u00edvel e atento \u00e0s coisas do mundo, a biblioteca, quase interdita, da C\u00e2mara Municipal, as leituras inici\u00e1ticas por alguns livros, \u00e0 margem dos consensos estreitos da \u00e9poca, os seus conterr\u00e2neos e os afectos, o caf\u00e9 onde todas as not\u00edcias desaguavam, a dureza de uma exist\u00eancia sempre prec\u00e1ria. Depois, a escrita do primeiro livro de contos, Libelo Acusat\u00f3rio (1968), a descoberta da cidade grande, a publicidade, a milit\u00e2ncia pol\u00edtica, a guerra colonial, o conv\u00edvio com grandes autores, Saramago, Manuel da Fonseca, Orlando da Costa, Augusto da Costa Dias, a pris\u00e3o em Caxias.<br><br>Este vasto universo viv\u00eancial de Modesto, percorrer\u00e1 grande parte da sua fic\u00e7\u00e3o, desaguando nesse delta \u00e9pico que \u00e9 A Oitava Colina e, um romance formalmente menos conseguido, A Capital do Imp\u00e9rio, por onde as mem\u00f3rias de um jovem mancebo, aguardando guia de marcha para a guerra colonial, em Mo\u00e7ambique, percorre as margens de uma Lisboa fechada nos sil\u00eancios brumosos do salazarismo.<br><br>\u00c9 ainda este envolvimento entre fic\u00e7\u00e3o e realidade, que Modesto Navarro traz para o seu mais recente t\u00edtulo, Ronda. Trata-se de um livro em prosa po\u00e9tica por onde a mem\u00f3ria sensitiva do autor de Contos Transmontanos, percorre a Lisboa dos dias resistentes, a evoca\u00e7\u00e3o dorida e nost\u00e1lgica das gentes do seu territ\u00f3rio afectivo (Tr\u00e1s-os-Montes), o j\u00fabilo e a desilus\u00e3o do que foi a mais bela conquista do 25 de Abril, a Reforma Agr\u00e1ria, e os dias insanos, os verdugos e a ins\u00eddia dos dias de c\u00e1rcere em Caxias, o recordar das feridas: Daqui s\u00f3 se vai de tr\u00eas maneiras, dizia. Ou se fala a bem, ou se fala destru\u00eddo, ou n\u00e3o se fala e ent\u00e3o \u00e9 ida para o manic\u00f3mio e nunca mais se tem consci\u00eancia.<br><br>Modesto Navarro, fez ainda uma incurs\u00e3o marcante pela literatura de g\u00e9nero, pelo policial progressista, na senda do que acontecia em Cuba por esse tempo, com nomes como Alberto Molina. S\u00e3o de Modesto, sob o pseud\u00f3nimo Artur Cortez, alguns estim\u00e1veis romances como Morte no Tejo, A Morte dos Anjos, A Morte do Artista, Morte no Douro e Condenada \u00e0 Morte, que foi Pr\u00e9mio Caminho de Literatura Policial, em 1991. O romance O Deputado, uma das \u00faltimas incurs\u00f5es de Modesto pelo g\u00e9nero, \u00e9 uma corajosa den\u00fancia de um dos pol\u00edticos mais corruptos do p\u00f3s-25 de Abril.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O discurso liter\u00e1rio de Modesto Navarro, a sua parte substantiva e a mais consequente ao longo da sua vasta obra ficcional, reside na mem\u00f3ria, nesse acervo que recolhe as emo\u00e7\u00f5es, o j\u00fabilo, as dores de um percurso de vida e as suas singularidades. 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