{"id":2630,"date":"2019-10-07T14:53:34","date_gmt":"2019-10-07T14:53:34","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2630"},"modified":"2019-10-07T14:53:37","modified_gmt":"2019-10-07T14:53:37","slug":"marighella-50-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/10\/07\/marighella-50-anos-depois\/","title":{"rendered":"Marighella, 50 anos depois"},"content":{"rendered":"\n<p>Em novembro, assinalam-se 50 anos do assassinato daquele que chegou a ser considerado o inimigo \u201cn\u00famero um\u201d da ditadura brasileira. Carlos Marighella foi abatido numa emboscada da pol\u00edcia em S\u00e3o Paulo na noite de 4 de novembro de 1969. Na \u00e9poca, o hist\u00f3rico comunista liderava a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, organiza\u00e7\u00e3o armada opositora.<br><br>Meio s\u00e9culo depois, com v\u00e1rios dos membros do governo e deputados do partido de Jair Bolsonaro a elogiarem muitos dos torturadores e militares da ditadura, o cancelamento da estreia do filme Marighella, realizado por Wagner Moura, fez reavivar as tens\u00f5es na ind\u00fastria audiovisual brasileira.<br><br>Em comunicado, produtora O2 Filmes explicou que a biografia do ex-deputado e guerrilheiro Carlos Marighella \u201cn\u00e3o conseguiu cumprir a tempo todos os tr\u00e2mites exigidos pela Ancine (Ag\u00eancia Nacional do Cinema)\u201d para conseguir uma verba p\u00fablica para distribui\u00e7\u00e3o. Tanto a distribuidora do filme, Paris Filmes, como fontes da Ancine ouvidas pelo edi\u00e7\u00e3o brasileira do El Pa\u00eds afirmaram que a produ\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o momento, n\u00e3o sofreu \u201cpress\u00f5es pol\u00edticas\u201d e que a sua trajet\u00f3ria transcorreu com normalidade, ainda que dificultada pela morosidade devido \u00e0s turbul\u00eancias administrativas da pr\u00f3pria entidade. A verdade \u00e9 que a sombra dos tempos que se vivem no Brasil deixam a suspeita de que possa ter havido m\u00e3o do governo.<br><br>Em julho, Bolsonaro chegou a ponderar a extin\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia caso n\u00e3o pudesse criar um \u201cfiltro de conte\u00fados\u201d. Tamb\u00e9m criticou publicamente um edital destinado a canais p\u00fablicos de televis\u00e3o para financiamento de filmes com a tem\u00e1tica LGBT, que, logo depois, foi suspenso pelo Minist\u00e9rio da Cidadania. Tamb\u00e9m veio a p\u00fablico que a Embaixada do Brasil em Montevideu tinha recomendado a n\u00e3o exibi\u00e7\u00e3o de um filme sobre Chico Buarque num festival uruguaio que tinha apoio do governo brasileiro. J\u00e1 o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, comemorou a decis\u00e3o da Ancine de negar recursos ao filme Marighella.<br><br>Na semana passada, o jornal Folha de S. Paulo noticiava que o j\u00fari que atribuiu a Chico Buarque o Pr\u00e9mio Cam\u00f5es aguarda h\u00e1 v\u00e1rios meses a assinatura do presidente Jair Bolsonaro para desbloquear a verba a atribuir ao cantor e escritor brasileiro. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita no maior pr\u00e9mio liter\u00e1rio do mundo lus\u00f3fono que se pode dever \u00e0 posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de Chico Buarque em rela\u00e7\u00e3o ao presidente brasileiro. O mesmo artigo antecipava que a decis\u00e3o deve ser analisada por Jair Bolsonaro que ter\u00e1 de pagar metade do pr\u00e9mio de 100 mil euros.<br><br>Por sua vez, o filme Marighella, \u00e0 espera de data para estrear no Brasil, continua a ser exibido com sucesso em v\u00e1rios festivais de cinema por todo o mundo. Esta produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 inspirada na biografia do guerrilheiro urbano escrita pelo jornalista M\u00e1rio Magalh\u00e3es, que acompanha os \u00faltimos cinco anos de vida de Marighella, do golpe militar de 1964 ao seu assassinato, em 1969. O cantor Seu Jorge interpreta a figura do guerrilheiro comunista que continua a incomodar o fascismo meio s\u00e9culo depois.<br><br>Precisamente em 1939, ent\u00e3o dirigente do Partido Comunista Brasileiro, foi preso e torturado acabando por escrever no Pres\u00eddio Especial de S\u00e3o Paulo um dos seus poemas mais conhecidos, Liberdade, publicado postumamente em Poemas: rond\u00f3 da liberdade: \u201cE que eu por ti, se torturado for, possa feliz, indiferente \u00e0 dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em novembro, assinalam-se 50 anos do assassinato daquele que chegou a ser considerado o inimigo \u201cn\u00famero um\u201d da ditadura brasileira. Carlos Marighella foi abatido numa emboscada da pol\u00edcia em S\u00e3o Paulo na noite de 4 de novembro de 1969. Na \u00e9poca, o hist\u00f3rico comunista liderava a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, organiza\u00e7\u00e3o armada opositora. 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