{"id":2585,"date":"2019-10-03T15:15:35","date_gmt":"2019-10-03T15:15:35","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2585"},"modified":"2019-10-03T15:15:38","modified_gmt":"2019-10-03T15:15:38","slug":"11-de-outubro-140o-aniversario-do-jornal-a-voz-do-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/10\/03\/11-de-outubro-140o-aniversario-do-jornal-a-voz-do-operario\/","title":{"rendered":"11 de outubro &#8211; 140\u00ba anivers\u00e1rio do Jornal \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Nunca \u00e9 demais recordar que foi em 1879, numa reuni\u00e3o de oper\u00e1rios tabaqueiros, em que se debatiam os muitos problemas da classe e se repudiava o facto de os jornais de ent\u00e3o terem recusado a publica\u00e7\u00e3o de uma artigo sobre os seus problemas e reivindica\u00e7\u00f5es, que Cust\u00f3dio Gomes proferiu a c\u00e9lebre frase: \u201cSoubesse eu escrever, que n\u00e3o estava com demoras. J\u00e1 h\u00e1 muito que t\u00ednhamos Jornal; bem ou mal, o que l\u00e1 se disser \u00e9 o que \u00e9 a verdade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E nessa reuni\u00e3o foi decidido criar um Jornal dedicado \u00e0s batalhas laborais e \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Um Jornal onde n\u00e3o fosse preciso mendigar um espa\u00e7o para a publica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias, porque ele pr\u00f3prio estava ao servi\u00e7o da causa oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, em 11 de outubro de 1879 foi publicado o n\u00famero inaugural do Jornal \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d, tendo Cust\u00f3dio Braz Pacheco assinado o editorial, no qual se delinearam as diretrizes do Jornal, designadamente: \u201cpugnar denodadamente pelos interesses materiais e morais da classe que representa; concorrer quanto poss\u00edvel para a educa\u00e7\u00e3o e moral da classe oper\u00e1ria e instru\u00e7\u00e3o do povo, defender os que sofrerem injusti\u00e7as\u201d, prosseguindo noutro texto: \u201cfazermos sentir aos nossos opressores que, pelo trabalho e pela palavra, temos a for\u00e7a precisa para sacudirmos o jugo de ferro que nos quiseram impor, e bem assim demonstrarmos, com argumentos indestrut\u00edveis, que a classe oper\u00e1ria desempenha um importante papel no teatro do mundo\u201d. Mas o jornal atravessava dificuldades, tanto organizativas como econ\u00f3micas e em agosto de 1882 \u00e9 pedida a colabora\u00e7\u00e3o dos seus assinantes e na sequ\u00eancia de v\u00e1rias reuni\u00f5es, foi decidido criar uma Institui\u00e7\u00e3o que desse suporte ao Jornal e assim, em 13 de fevereiro de 1883, numa assembleia geral dos assinantes do seman\u00e1rio, nasceu a Sociedade \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1880, muitos editoriais do Jornal s\u00e3o assinados por Angelina Vidal, que vincou no Jornal o seu ardor republicano e defendeu os direitos das mulheres e das classes laboriosas, ao mesmo tempo que combateu as injusti\u00e7as sociais e o obscurantismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de outubro de 1905, que comemora os 26 anos do Jornal, vem o seguinte texto: \u201c\u00c9 j\u00e1 longo o caminho andado, convimos; mas \u00e9 mais longo ainda o caminho a percorrer \u2026 n\u00e3o somos daqueles que desfale\u00e7am, ou a quem o \u00e2nimo se lhes entibie. Fi\u00e9is ao cumprimento da nossa miss\u00e3o, havemos de seguir avante\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas p\u00e1ginas do Jornal ecoou a alegria da Rep\u00fablica e a preocupa\u00e7\u00e3o com o seu desmoronamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1923 o Jornal refere que \u201ca perseveran\u00e7a \u00e9 a arma dos fortes \u2026 e n\u00f3s todos, os que constituem a massa imensa dos salariados, que temos um fito, uma aspira\u00e7\u00e3o \u2013 a emancipa\u00e7\u00e3o da humanidade sofredora \u2013 n\u00e3o podemos parar no caminho andado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia do golpe fascista de 28 de maio de 1926, o jornalista Jos\u00e9 Fernandes Alves escreve no Jornal que \u201ca ditadura militar n\u00e3o a aceitaremos n\u00f3s, n\u00e3o a aceitar\u00e1 o povo portugu\u00eas, cioso da sua liberdade e das suas regalias\u201d e \u201csabemos perfeitamente o que se tem passado na It\u00e1lia e na Espanha, com as odiosas ditaduras de Mussolini e de Rivera, pa\u00edses em que a classe trabalhadora vive esmagada, calcada pelo tac\u00e3o da bota dos odiosos ditadores\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A funda\u00e7\u00e3o do MUD (Movimento de Unidade Democr\u00e1tica) foi devidamente destacada nas p\u00e1ginas de \u201dA Voz do Oper\u00e1rio\u201d, que esteve presente na reuni\u00e3o que lhe deu origem, em 8 de outubro de 1945. Em 1 de mar\u00e7o de 1955, o Jornal \u00e9 objeto de remodela\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, passando a ser impresso a duas cores, com o t\u00edtulo \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d agora a vermelho. Naturalmente, a revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril de 1974 teve no Jornal um grande destaque e regozijo. Aqui se deu conta dos avan\u00e7os da revolu\u00e7\u00e3o e das inerentes melhorias das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e do povo, como se combateu os recuos contrarrevolucion\u00e1rios da pol\u00edtica de direita que se seguiu, a qual restringiu muitas das conquistas alcan\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, o Jornal deu mais um importante passo, passando tamb\u00e9m a ser editado on-line.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora em condi\u00e7\u00f5es distintas, passadas 14 d\u00e9cadas, persiste a explora\u00e7\u00e3o e a desigualdade social, permanecendo a necessidade de prosseguir a luta por uma sociedade melhor e mais justa, de que o jornal \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d sempre foi e continuar\u00e1 a ser mensageiro. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comemoramos este m\u00eas o 140\u00ba anivers\u00e1rio do Jornal \u201cA Voz do Oper\u00e1rio\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":2515,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[84],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2585"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2585"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2585\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2588,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2585\/revisions\/2588"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2585"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}