{"id":2527,"date":"2019-10-02T14:03:24","date_gmt":"2019-10-02T14:03:24","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2527"},"modified":"2019-11-04T17:28:35","modified_gmt":"2019-11-04T17:28:35","slug":"a-historia-do-pais-vai-ficar-com-um-buraco-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/10\/02\/a-historia-do-pais-vai-ficar-com-um-buraco-negro\/","title":{"rendered":"&#8220;A hist\u00f3ria do pa\u00eds vai ficar com um buraco negro&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quais \u00e9 que acha que s\u00e3o as raz\u00f5es que levam a que os artistas n\u00e3o tenham trabalho ou n\u00e3o consigam sobreviver s\u00f3 disso?<\/h2>\n\n\n\n<p>Portugal tem atrasos enormes no seu desenvolvimento cultural. Isto \u00e9 hist\u00f3rico e implica medidas fortes de combate a esses atrasos. S\u00e3o atrasos que afetam todo o povo portugu\u00eas, n\u00e3o \u00e9 um problema que afeta s\u00f3 os artistas profissionais. Por outro lado, \u00e9 verdade que mesmo aquele trabalho art\u00edstico que \u00e9 realizado por aqueles que estudaram e se dedicam a esse trabalho a tempo inteiro \u00e9, em Portugal, esmagadoramente feito como trabalho n\u00e3o remunerado. \u00c9 uma coisa de que se fala pouco, mas a maior parte da cultura art\u00edstica que existe em Portugal n\u00e3o \u00e9 paga, \u00e9 feita \u00e0s custas do esfor\u00e7o e dos meios dos pr\u00f3prios artistas. H\u00e1 \u00e1reas onde isso acontece menos e outras onde essa \u00e9 a \u00fanica maneira de se poder trabalhar. Os meios s\u00e3o muito escassos e chegam a muito pouca gente. Por omiss\u00e3o do Estado, s\u00e3o muito dependentes do mercado, que condiciona a liberdade e a diversidade do trabalho art\u00edstico. Fundamentalmente, as dificuldades radicam na falta de apoios financeiros, de oportunidades de trabalho, de equipamentos e de log\u00edstica que permitam facilidade nesse trabalho e, necessariamente, de encomendas e toda uma s\u00e9rie de recursos que, n\u00e3o esgotando todo o trabalho art\u00edstico, permitem que esse trabalho art\u00edstico se fa\u00e7a com alguma qualidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Envolveu-se na cria\u00e7\u00e3o do Manifesto em Defesa da Cultura. Por que decidiram lan\u00e7ar este movimento?<\/h2>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, havia uma s\u00e9rie de ativistas da \u00e1rea art\u00edstica, mas tamb\u00e9m de outras \u00e1reas da cultura, que tinham atravessado o processo das lutas das Plataformas das Artes. Foram lutas problem\u00e1ticas, porque eram processos promovidos, essencialmente, por estruturas empresariais ou por estruturas empregadoras, e, portanto, com objetivos muito espec\u00edficos que n\u00e3o correspondiam \u00e0s necessidades da maioria dos artistas que se mobilizou para as apoiar. Esse grupo ativista tinha atravessado este processo com uma reflex\u00e3o muito cr\u00edtica, acompanhando mas ao mesmo tempo acumulando uma reflex\u00e3o do que deveria ser uma luta por outra pol\u00edtica para a cultura que verdadeiramente correspondesse \u00e0s necessidades mais estruturais e gerais da situa\u00e7\u00e3o da cultura em Portugal. Depois, deram-se os PEC do governo PS e os efeitos da crise financeira mundial em Portugal, a queda do executivo e a vit\u00f3ria da direita nas elei\u00e7\u00f5es de 2011. Houve uma rea\u00e7\u00e3o de toda uma s\u00e9rie de personalidades da cultura em torno de uma posi\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 das medidas mais agudas e gravosas mas, ao mesmo tempo, de toda a tend\u00eancia de desinvestimento, desresponsabiliza\u00e7\u00e3o do Estado e mercantiliza\u00e7\u00e3o da cultura que vinha de h\u00e1 d\u00e9cadas. Estas s\u00e3o as duas componentes que de certa forma ajudam a uma tomada de posi\u00e7\u00e3o que depois incluiu a decis\u00e3o de criar um movimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma das reivindica\u00e7\u00f5es \u00e9 de 1% para a cultura. Porqu\u00ea 1%?<\/h2>\n\n\n\n<p>1% do PIB para a cultura era uma recomenda\u00e7\u00e3o de uma iniciativa da UNESCO, chamada Agenda 21, onde se propunha que pa\u00edses com uma economia semelhante \u00e0 de Portugal dedicassem essa percentagem do PIB \u00e0 atividade cultural. Era uma coisa de que se falava muito em confer\u00eancias sobre a cultura, em contextos acad\u00e9micos especializados. Havia entre algumas das pessoas que tinham sobrescrito o manifesto e faziam parte do seu nascimento, como Manuel Gusm\u00e3o, a proposta de que isso pudesse integrar a nossa reflex\u00e3o e o nosso programa. Nunca foi nossa inten\u00e7\u00e3o tornarmo-nos naquilo de que muitas vezes somos apelidados: \u201co movimento 1% para a cultura\u201d. At\u00e9 porque a pr\u00f3pria proposta \u00e9 problem\u00e1tica. Aparentemente 1% para a cultura tanto d\u00e1 para uma pol\u00edtica de direita como para uma pol\u00edtica de esquerda, embora se possa constatar na pr\u00e1tica, e at\u00e9 por uma reflex\u00e3o mais elaborada, que de facto nunca poder\u00e1 ser parte de uma pol\u00edtica de direita porque entra em conflito com os interesses econ\u00f3micos que se instalam em torno daquilo que se chamam as ind\u00fastrias culturais. Necessariamente uma mobiliza\u00e7\u00e3o dos recursos do Estado para apoiar a cultura vai tirar o p\u00e3o de todo o mercado que se instala \u00e0 volta da produ\u00e7\u00e3o cultural. Mesmo tendo em conta uma pol\u00edtica neoliberal como aquela que tem sido executada em portugal h\u00e1 sempre um impacto positivo de haver mais dinheiro a circular. Sobretudo numa situa\u00e7\u00e3o como a portuguesa, que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de grande mis\u00e9ria e que se aprofundou imenso desde 2008. Com imenso desemprego, estruturas culturais destru\u00eddas, abandono da profiss\u00e3o e emigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conseguiram colocar na agenda medi\u00e1tica e na discuss\u00e3o pol\u00edtica a quest\u00e3o do 1%.<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim. A principal conquista \u00e9 precisamente termos conseguido colocar na discuss\u00e3o p\u00fablica e na a\u00e7\u00e3o de massas as quest\u00f5es e as exig\u00eancias da cultura e marcar meia d\u00fazia de eixos importantes na responsabiliza\u00e7\u00e3o do Estado. O cumprimento da constitui\u00e7\u00e3o, o valor do direito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma exig\u00eancia vincadamente de esquerda, o direito de todos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o. Outro eixo de valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho na cultura \u00e9 a luta pelo emprego e contra a precariedade, melhores sal\u00e1rios, apoio \u00e0s estruturas no sentido de permitir melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e uma luta muito importante, que n\u00e3o \u00e9 apenas contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o da cultura, mas por um princ\u00edpio que diz que a cultura tem um valor em si pr\u00f3prio, que n\u00e3o tem pre\u00e7o. Isto para impedir toda uma doutrina que estava a ser promovida de h\u00e1 v\u00e1rios governos para tr\u00e1s no sentido de come\u00e7ar a avaliar o valor econ\u00f3mico da cultura. Claro, para depois poderem dizer que a cultura boa era a que tinha sustentabilidade, a que se aguentava economicamente, e que a outra n\u00e3o merecia viver. O 1% para a cultura \u00e9 a garantia material de que isto se possa realizar, uma pol\u00edtica democr\u00e1tica, de esquerda em respeito pela constitui\u00e7\u00e3o tenha meios para se realizar. Esta exig\u00eancia, pela sua simplicidade, pelo reconhecimento da generalidade das pessoas, da sua evid\u00eancia, ganhou um car\u00e1ter simb\u00f3lico muito grande, tornou-se muito agregador.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"886\" height=\"591\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/brf_48_300cmyk.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2541\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/brf_48_300cmyk.jpg 886w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/brf_48_300cmyk-300x200.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/brf_48_300cmyk-768x512.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/brf_48_300cmyk-150x100.jpg 150w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/brf_48_300cmyk-370x247.jpg 370w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/brf_48_300cmyk-220x147.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 886px) 100vw, 886px\" \/><figcaption> O Manifesto tem uma a\u00e7\u00e3o permanente desde 2011<br><strong>\u00a9<\/strong> Bruno Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">At\u00e9 o PS passou a falar disto.<\/h2>\n\n\n\n<p>O PS \u00e9 um caso escandaloso porque nunca teve esta medida no seu programa. E fala disto agora no final da legislatura. Ant\u00f3nio Costa come\u00e7ou por dizer h\u00e1 um ano na sua reuni\u00e3o com as estruturas em luta que 1% para a cultura era uma coisa para m\u00e9dio ou longo prazo. A express\u00e3o comum da maior parte dos governantes, desde o governo de Passos Coelho a Ant\u00f3nio Costa, era sempre de uma certa complac\u00eancia, n\u00e3o dizer que n\u00e3o mas que era um objectivo m\u00edtico. Depois, no fim do ano, come\u00e7ou a dizer que no fundo n\u00e3o sabia muito bem do que \u00e9 que se estava a falar. Se se estava a falar em 1% do Or\u00e7amento, se era 1% da despesa p\u00fablica no seu todo, se era 1% do PIB. Ant\u00f3nio Costa tem a obriga\u00e7\u00e3o de saber do que \u00e9 que as pessoas est\u00e3o a falar porque todas estas coisas est\u00e3o explicitadas no programa do manifesto e em discuss\u00f5es e reflex\u00f5es que se t\u00eam feito durante este oito anos de luta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Considera que o primeiro-ministro tenta enganar os portugueses quando vem agora falar durante a campanha em 2% para a cultura?<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma mistifica\u00e7\u00e3o. O PS perdeu o comboio, chega ao fim da legislatura sem um pingo de estrat\u00e9gia sobre esta quest\u00e3o. N\u00e3o restitu\u00edram o Minist\u00e9rio da Cultura, que se mant\u00e9m como uma secretaria de Estado. A hist\u00f3ria dos ministros da Cultura \u00e9 uma desgra\u00e7a. Ant\u00f3nio Costa chega atrasado e quer fazer qualquer coisa e diz qualquer disparate que possa fazer parecer que est\u00e1 \u00e0 frente. Trata-se obviamente de uma estrat\u00e9gia de mistifica\u00e7\u00e3o. A exig\u00eancia que se generalizou nos meios culturais e nas pessoas que se preocupam com as quest\u00f5es da cultura \u00e9 1% j\u00e1 como patamar m\u00ednimo do Or\u00e7amento de Estado, com o objetivo de atingir faseadamente o 1% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em 2015, o povo portugu\u00eas retirou \u00e0 direita a maioria. O movimento ente-se tamb\u00e9m co-respons\u00e1vel por essa consequ\u00eancia.<\/h2>\n\n\n\n<p>Humildemente, sim. N\u00e3o falo apenas do Manifesto, falo tamb\u00e9m do contributo para a unidade de todo um mundo de estruturas, desde os sindicatos at\u00e9 \u00e0s pequenas estruturas e grupos, todos relacionados com a atividade cultural, que em grande medida ou estavam paralisados ou estavam cada um a trabalhar para seu lado. A cria\u00e7\u00e3o da plataforma Cultura em Luta foi um momento muito importante de desenvolvimento da luta nesta \u00e1rea. E creio que, salvo as propor\u00e7\u00f5es em quantidade, esta luta foi uma das lutas mais marcantes desta \u00faltima d\u00e9cada e tem vindo a crescer.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O ano de 2018 foi um ano de intensa luta no setor da cultura. Que avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que faz destes \u00faltimos quatro anos de governo PS?<\/h2>\n\n\n\n<p>Se excetuarmos aspetos positivos que a generalidade dos portugueses sentem com o derrube do governo de direita e a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para que muitas medidas positivas fossem tomadas, no campo espec\u00edfico da cultura a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 muito negativa. Se h\u00e1 setor em que n\u00e3o se avan\u00e7ou absolutamente nada \u00e9 este sector. Ali\u00e1s, continua a ser uma exig\u00eancia da nossa luta a cria\u00e7\u00e3o de um programa de emerg\u00eancia porque os danos s\u00e3o terr\u00edveis. H\u00e1 coisas que j\u00e1 n\u00e3o se recuperam e, sobretudo, h\u00e1 uma ou duas gera\u00e7\u00f5es de jovens que n\u00e3o tiveram oportunidade de exercer o seu talento e a sua energia na cultura, o que quer dizer que a hist\u00f3ria deste pa\u00eds vai ficar com um buraco negro. Quando as futuras gera\u00e7\u00f5es fizeram a hist\u00f3ria, o levantamento do patrim\u00f3nio destes anos, v\u00e3o verificar que n\u00e3o foi apenas aquilo que foi impedido de existir. Mesmo aquilo que aconteceu degradou-se. A necessidade de sobreviv\u00eancia foi tal que tivemos companhias de teatro a fazerem pe\u00e7as com um elenco reduzido, mon\u00f3logos, corte de personagens, tudo para poderem sobreviver. Hoje, uma grande parte do tecido social da cultura, por exemplo na \u00e1rea das artes performativas, s\u00e3o empresas unipessoais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Manifesto fez algum tipo de apelo eleitoral?<\/h2>\n\n\n\n<p>Sim. O Manifesto teve uma reuni\u00e3o nacional no in\u00edcio deste ano e emitiu um comunicado em que faz uma avalia\u00e7\u00e3o muito cr\u00edtica da governa\u00e7\u00e3o do PS, afirmando a nossa responsabilidade pela queda do governo de direita e a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para a tomada de posse deste governo. Achamos que a pr\u00f3pria abertura deste novo ciclo pol\u00edtica permitiu tamb\u00e9m melhores condi\u00e7\u00f5es para a luta, n\u00e3o permitiu melhores condi\u00e7\u00f5es para se alcan\u00e7ar aquilo que se queria. Mas a luta intensificou-se e organizou-se melhor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mas qual foi a mensagem eleitoral?<\/h2>\n\n\n\n<p>O que n\u00f3s dizemos em rela\u00e7\u00e3o a estas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 que h\u00e1 estes eixos que n\u00f3s defendemos. Responsabiliza\u00e7\u00e3o do Estado, defesa do direito de todos a toda a cultura, o direito de todos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, a defesa do trabalho contra a precariedade, contra o desemprego, contra o trabalho n\u00e3o remunerado e exig\u00eancia de 1% para a cultura do Or\u00e7amento de Estado como patamar m\u00ednimo e 1% do PIB como objetivo a alcan\u00e7ar. Isto deve ser, na nossa opini\u00e3o, aquilo que deve orientar os portugueses para distinguirem os partidos que se empenharam nesta luta daqueles que estiveram fora dela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, os trabalhadores da cultura irromperam nas ruas para reclamar melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e investimento p\u00fablico. A cria\u00e7\u00e3o do Manifesto em Defesa da Cultura foi o f\u00f3sforo que incendiou o rastilho de anos de abandono do setor. O artista pl\u00e1stico Pedro Penilo foi um dos fundadores do movimento e n\u00e3o tem d\u00favidas de que enquanto os governos desprezarem a cultura a luta \u00e9 para continuar.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":2533,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[58],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2527"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2527"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2527\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2697,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2527\/revisions\/2697"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2533"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2527"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}