{"id":2492,"date":"2019-09-04T13:51:17","date_gmt":"2019-09-04T13:51:17","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2492"},"modified":"2019-09-04T13:51:20","modified_gmt":"2019-09-04T13:51:20","slug":"o-que-eu-ouvi-na-barrica-das-macas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/09\/04\/o-que-eu-ouvi-na-barrica-das-macas\/","title":{"rendered":"O Que Eu Ouvi na Barrica das Ma\u00e7\u00e3s"},"content":{"rendered":"\n<p>M\u00e1rio de Carvalho \u00e9 um dos mais estimulantes e criativos autores da sua gera\u00e7\u00e3o. Senhor de um estilo pr\u00f3prio, rigoroso na utiliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, o autor de Contos da S\u00e9tima Esfera, vem utilizando a sua energia imag\u00e9tica em v\u00e1rios g\u00e9neros liter\u00e1rios, do romance ao conto, do teatro ao guionismo, da escrita ensa\u00edstica \u00e0 cr\u00f3nica, sempre com assertiva incurs\u00e3o em cada um desses territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante alguns anos das d\u00e9cadas de oitenta e noventa do s\u00e9culo passado, nas p\u00e1ginas do jornal P\u00fablico e no Jornal de Letras, M\u00e1rio de Carvalho foi publicando uma s\u00e9rie de cr\u00f3nicas sobre a realidade do Pa\u00eds, das artes \u00e0 pol\u00edtica, da sociologia ao memorialismo. Textos que, lidos hoje, volvidas d\u00e9cadas sobre a sua publica\u00e7\u00e3o original, ainda nos questionam, ainda fazem sentido, percorrem de modo desafiante as peculiaridades idiossincr\u00e1ticas da nossa condi\u00e7\u00e3o de portugueses envolvidos nos desafios da modernidade, dado existir neles algo de prof\u00e9tico, de vision\u00e1rio, de testemunho que, se reflectem o tempo da sua gesta\u00e7\u00e3o, v\u00e3o muito para al\u00e9m dele.<\/p>\n\n\n\n<p>As cr\u00f3nicas de O Que Ouvi na Barrica das Ma\u00e7\u00e3s, dizem-nos de um mundo nosso, ainda reconhec\u00edvel, dado que n\u00e3o mud\u00e1mos assim tanto, a realidade do Pa\u00eds, se existiram v\u00e1rias e prof\u00edcuas mudan\u00e7as, mant\u00e9m a ess\u00eancia das suas car\u00eancias econ\u00f3micas, pol\u00edticas, culturais e sociais, que estas cr\u00f3nicas, na sua dist\u00e2ncia temporal, lucidamente reflectem e denunciam.<\/p>\n\n\n\n<p>O Que Eu Ouvi na Barrica das Ma\u00e7\u00e3s, l\u00ea-se de um f\u00f4lego com um misto de prazer e esparsa nostalgia reflexiva, percorrendo as p\u00e1ginas em que o humor sagaz do autor, essa forma corrosiva de cr\u00edtica social, transforma a incurs\u00e3o dom\u00e9stica destas cr\u00f3nicas num retrato mordaz, a espa\u00e7os cruel, do Pa\u00eds que somos, das nossas grandezas, mis\u00e9rias e deslumbres sem lastro.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso de M\u00e1rio de Carvalho incide sobre o espa\u00e7o democr\u00e1tico p\u00f3s 25 de Abril, com as suas falhas e insufici\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas cr\u00f3nicas not\u00e1veis, divididas em quatro per\u00edodos tem\u00e1ticos, Divagando, Intervindo, Oficiando e Rememorando, d\u00e3o-nos a ler um Pa\u00eds perdido nas suas seculares contradi\u00e7\u00f5es, revelando-se nelas, mais do que o grande escritor que M\u00e1rio de Carvalho \u00e9, um comunicador de vast\u00edssimos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abVenham os salta-pocinhas, chamar-me moralista, venham. Eu ralado&#8230;\u00bb <\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O Que Eu Ouvi na Barrica das Ma\u00e7\u00e3s, de M\u00e1rio de Carvalho. Porto Editora\/2019<\/em><\/strong><em> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>de M\u00e1rio de Carvalho<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":2493,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[108],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2492"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2492"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2492\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2496,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2492\/revisions\/2496"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2493"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2492"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}