{"id":2209,"date":"2019-08-01T21:32:21","date_gmt":"2019-08-01T21:32:21","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2209"},"modified":"2020-02-03T11:40:19","modified_gmt":"2020-02-03T11:40:19","slug":"jose-gregorio-de-almeida-e-amilcar-costa-sindicalistas-caixeiros-na-voz-do-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/08\/01\/jose-gregorio-de-almeida-e-amilcar-costa-sindicalistas-caixeiros-na-voz-do-operario\/","title":{"rendered":"Dois sindicalistas caixeiros n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>Entre 1938 e 1940, o director e o chefe de reda\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio foram respectivamente Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida e Am\u00edlcar Costa, dois dos mais destacados sindicalistas portugueses no per\u00edodo da 1\u00aa Rep\u00fablica, no sector dos empregados no com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Estiveram na linha da frente de uma gera\u00e7\u00e3o que lutou e abriu caminho para direitos fundamentais como a folga semanal ou o limite de horas de trabalho di\u00e1rias. Mas cuja mem\u00f3ria em grande medida acabou por se perder sob o peso de quase meio s\u00e9culo de censura e repress\u00e3o duma ditadura de cariz fascista. \u00c9 uma hist\u00f3ria que ainda hoje continua muito mal conhecida, uma lacuna que a historiografia est\u00e1 ainda longe de colmatar. Mas que faz parte da hist\u00f3ria d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, pelo contributo que eles deram para a vida deste jornal e pelo espa\u00e7o que aqui tiveram para se manterem organizados e activos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"> Um sindicato republicano <\/h2>\n\n\n\n<p> Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida era alentejano e poeta. Nasceu em 1883, no concelho de Montemor-o-Novo. E foi na sua terra, ainda no tempo da monarquia, que se tornou activista, na propaganda republicana e nas primeiras comemora\u00e7\u00f5es locais do Dia do Trabalhador, o 1\u00ba de Maio. Veio depois viver para Lisboa e em 1907 j\u00e1 era vice -presidente do sindicato (na altura dizia-se Associa\u00e7\u00e3o de Classe) dos Caixeiros de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"775\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Jose-Gregorio-de-Almeida_300cmyk-775x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2211\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Jose-Gregorio-de-Almeida_300cmyk-775x1024.jpg 775w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Jose-Gregorio-de-Almeida_300cmyk-227x300.jpg 227w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Jose-Gregorio-de-Almeida_300cmyk-768x1014.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Jose-Gregorio-de-Almeida_300cmyk-136x180.jpg 136w\" sizes=\"(max-width: 775px) 100vw, 775px\" \/><figcaption>Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nascido na capital em 1890, Amilcar Costa era mais jovem. Mas aderiu a esse sindicato tamb\u00e9m ainda no tempo da monarquia, em 1908. Era um sindicato claramente conotado com a causa republicana, embora cioso da sua agenda pr\u00f3pria, centrada nos problemas laborais. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"> Descanso semanal e hor\u00e1rio de trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p> \u00c0 implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica em 1910 seguiu-se uma fase de luta e conquista de direitos fundamentais para os trabalhadores do com\u00e9rcio em Portugal: um dia de descanso semanal em 1911; a redu\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de trabalho, primeiro para 10 horas di\u00e1rias (e 60 semanais) em 1915, depois para 8 horas di\u00e1rias (48 semanais) em 1919. Mas depois veio uma fase defensiva, em que a participa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o de trabalhadores diminuiu e com ela baixou a for\u00e7a para defender a concretiza\u00e7\u00e3o desses direitos,  que na pr\u00e1tica acabaram sendo muito torpedeados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1913 Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida foi fundador e primeiro secret\u00e1rio-geral da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Empregados no Com\u00e9rcio, at\u00e9 1915. Am\u00edlcar Costa desempenhou essa tarefa entre 1917 e 1919. Depois empenharam-se noutras actividades. Almeida veio a ser presidente e deputado do antigo Partido Socialista Portugu\u00eas, al\u00e9m de vereador na C\u00e2mara Municipal de Lisboa. Costa tamb\u00e9m aderiu a esse partido mas dedicou-se sobretudo a associa\u00e7\u00f5es de cariz social. Em 1929 foi um dos principais fundadores da associa\u00e7\u00e3o Inv\u00e1lidos do Com\u00e9rcio, e depois seu secret\u00e1rio-geral at\u00e9 se aposentar, em 1959. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ditadura<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1925 Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida regressou \u00e0s lides sindicais e ao cargo de secret\u00e1rio-geral da Federa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Empregados no Com\u00e9rcio. Foi nesse ano delegado ao \u00faltimo congresso da Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT). Procurou defender a unidade do movimento sindical ent\u00e3o dilacerado por uma rivalidade entre fac\u00e7\u00f5es. Em 1926 foi tamb\u00e9m eleito pela primeira vez como presidente da dire\u00e7\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. Um dia depois dessa elei\u00e7\u00e3o deu-se o golpe que instaurou a ditadura militar. Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida voltou assim a estar na linha da frente, nessa situa\u00e7\u00e3o defensiva e dif\u00edcil. A CGT foi dissolvida em 1927 e depois os sindicatos livres em 1933. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"622\" src=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/placa_300cmyk-1024x622.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2212\" srcset=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/placa_300cmyk-1024x622.jpg 1024w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/placa_300cmyk-300x182.jpg 300w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/placa_300cmyk-768x467.jpg 768w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/placa_300cmyk-180x110.jpg 180w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/placa_300cmyk-220x134.jpg 220w, https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/placa_300cmyk.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Placa evocativa n&#8217; A Voz do Oper\u00e1rio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preso pol\u00edtico<\/h2>\n\n\n\n<p>Am\u00edlcar Costa foi duas vezes preso pol\u00edtico, em 1918 e em 1942. A primeira vez aconteceu sob o regime de Sid\u00f3nio Pais, e o pretexto foi estar a dirigir uma greve. Na segunda vez, sob a ditadura de Salazar, aconteceu por suspeita de estar envolvido em propaganda subversiva. Mas n\u00e3o se deixou intimidar. E em 1945 deu a cara pela oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura como dirigente local do Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida, o \u00faltimo artigo que publicou antes de falecer foi no jornal conotado com a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura no distrito de \u00c9vora, o Democracia do Sul, que ele havia ajudado a fundar 50 anos antes. Embora limitado pela censura, despediu-se reafirmando os seus ideais de democracia e de justi\u00e7a social. <\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Greg\u00f3rio de Almeida e Am\u00edlcar Costa faleceram, respectivamente, em 1954 e 1960. Ambos foram sepultados envoltos na bandeira d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. J\u00e1 n\u00e3o chegaram a ver o fim da ditadura. Mas contribu\u00edram para que este jornal sobrevivesse. <\/p>\n\n\n\n<p>E s\u00e3o exemplo do importante contributo dado por outros antigos sindicalistas caixeiros que durante a ditadura aqui tiveram um espa\u00e7o para continuarem organizados e activos. Nomes como Ant\u00f3nio Ramos S\u00e9rgio, falecido em 1945; Jos\u00e9 Antunes, director deste jornal em 1946 e depois novamente entre 1956 e 58; Eduardo Relvas, que colaborou durante d\u00e9cadas at\u00e9 \u00e0 \u00faltima edi\u00e7\u00e3o publicada antes de falecer, j\u00e1 depois do 25 de Abril; al\u00e9m de outros que tiveram uma colabora\u00e7\u00e3o pontual, como Rui Forsado e Jos\u00e9 Ferreira Tom\u00e9. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estiveram na linha da frente de uma gera\u00e7\u00e3o que lutou e abriu caminho para direitos fundamentais como a folga semanal ou o limite de horas de trabalho di\u00e1rias.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":2210,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[93],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2209"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2209"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3024,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2209\/revisions\/3024"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2210"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2209"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}