{"id":2133,"date":"2019-07-09T16:36:15","date_gmt":"2019-07-09T16:36:15","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2133"},"modified":"2020-04-02T15:48:43","modified_gmt":"2020-04-02T15:48:43","slug":"northern-soul-a-danca-das-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/07\/09\/northern-soul-a-danca-das-jovens\/","title":{"rendered":"Northern Soul: a dan\u00e7a das jovens"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria da m\u00fasica popular foram as massas em movimento, na dan\u00e7a, que fizeram romper as defini\u00e7\u00f5es culturais de estilos, essas idealiza\u00e7\u00f5es est\u00e1ticas que dificilmente suportam a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade juvenil, sempre sequiosa de uma identidade num mundo que n\u00e3o sentem como seu. Mas para simplificar a comunica\u00e7\u00e3o, continuamos a usar hoje para descrever a insubmissa soul oper\u00e1ria, explosiva e capaz de incendiar pistas de dan\u00e7a mais de 50 anos depois das suas grava\u00e7\u00f5es originais, um nome que ainda faz arder paix\u00f5es, northern soul. Reza a lenda que o termo nasceu na loja de discos Soul City de Londres, nos in\u00edcios da d\u00e9cada de 70. Para descrever o estilo de m\u00fasica que os f\u00e3s de futebol dos clubes do norte procuravam, quando visitavam Londres e a sua loja, o tamb\u00e9m jornalista David Godin sintetizou a prefer\u00eancia dessa sua clientela pela soul americana de meados de 60 numa ins\u00edgnia que ainda hoje \u00e9 sin\u00f3nimo de paix\u00e3o e comunh\u00e3o, dan\u00e7ando noite fora, debaixo de grande m\u00fasica. Em Londres, se queres gerir uma loja de discos, tempo \u00e9 dinheiro. E para que os seus empregados n\u00e3o se perdessem em sugest\u00f5es dos \u00faltimos \u00eaxitos das listas de vendas americanas, Dave Godin resumia como northern soul aquela m\u00fasica negra e fortemente ritmada, altamente dan\u00e7\u00e1vel e inspirada na est\u00e9tica musical da editora Motown, a famosa editora de Detroit. A fustigada capital da ind\u00fastria autom\u00f3vel norte- americana produziu sempre da melhor m\u00fasica popular e urbana do s\u00e9culo XX. Devido \u00e0s suas origens oper\u00e1rias e negra, a sua m\u00fasica tanto deve ao encanto das melodias como do ritmo, numa tradi\u00e7\u00e3o musical que se estende ao longo do tempo at\u00e9 aos dias de hoje. Talvez n\u00e3o seja por isso t\u00e3o improv\u00e1vel que, anos mais tarde, viesse a encontrar numa gera\u00e7\u00e3o de \u201cjovens almas rebeldes\u201d das cidades industriais como Birmingham ou Manchester, o reavivar de uma f\u00e9 pelos jovens oper\u00e1rios brancos de um fen\u00f3meno musical que ainda hoje deixa as suas marcas na sub-cultura juvenil, alicer\u00e7ado no poder da soul negra americana da d\u00e9cada de 60 e no prazer da dan\u00e7a e da comunh\u00e3o colectiva. <br><br>Nascia a northern soul. Um fen\u00f3meno que se precipitou quando os jovens oper\u00e1rios das cidades industriais do norte de Inglaterra se apropriaram da m\u00fasica negra de 60 para dan\u00e7ar toda a noite depois de uma semana de trabalho. Baixos sal\u00e1rios, desprezo social dos governos e institui\u00e7\u00f5es e uma busca de identidade pr\u00f3pria arrastaram estes \u201cz\u00e9 ningu\u00e9m\u201d do Reino Unido para uma arena de sonhos transpirados numa noite de s\u00e1bado, em piruetas acrob\u00e1ticas, agressivos passos de dan\u00e7a, saltos e express\u00f5es dram\u00e1ticos de indiv\u00edduos unidos por uma s\u00f3 f\u00e9, a m\u00fasica soul. <br><br>De um s\u00f3 golpe, criavam um movimento \u00fanico, com a sua pr\u00f3pria m\u00fasica, os seus c\u00f3digos de indument\u00e1ria, s\u00edmbolos e locais pr\u00f3prios de culto, o clube, onde dan\u00e7avam soul toda a noite e se identificavam atrav\u00e9s da dan\u00e7a, nos seus badgets de amor ao movimento e aos clubes que o representavam. Nascia ali a cultura do clube, a raiz do movimento clandestino da cultura rave das d\u00e9cadas de 80 e 90. A chamada \u201cm\u00fasica negra\u201d, express\u00e3o que re\u00fane de forma simples, brutal e redutora toda a genealogia que vai de Louis Armstrong a James Brown e segue depois de Grandmaster Flash, Kool Herc e Afrika Bambaata at\u00e9 aos dias de hoje, seguiu como seria de esperar com as transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, uma evolu\u00e7\u00e3o mais ao menos linear. A northern soul, na d\u00e9cada de 70, foi um fen\u00f3meno estranho que fez alterar a normalidade evolutiva dessa esp\u00e9cie musical. Mais uma vez, a realidade subverteu as regras e explodiu com as conven\u00e7\u00f5es, lan\u00e7ando as sementes para o fen\u00f3meno global da m\u00fasica de dan\u00e7a que ainda hoje arrasta milh\u00f5es de jovens de todo o mundo e a cria\u00e7\u00e3o da figura central do DJ no epicentro desse movimento. Os tempos mudaram e com ele tamb\u00e9m as dan\u00e7as, mas a f\u00e9 no poder redentor e explosivo da m\u00fasica soul mant\u00e9m-se.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo da hist\u00f3ria da m\u00fasica popular foram as massas em movimento, na dan\u00e7a, que fizeram romper as defini\u00e7\u00f5es culturais de estilos, essas idealiza\u00e7\u00f5es est\u00e1ticas que dificilmente suportam a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade juvenil, sempre sequiosa de uma identidade num mundo que n\u00e3o sentem como seu. 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