{"id":2114,"date":"2019-07-09T16:06:36","date_gmt":"2019-07-09T16:06:36","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=2114"},"modified":"2019-07-09T16:06:38","modified_gmt":"2019-07-09T16:06:38","slug":"a-arte-poetica-de-fernando-tavares-marques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/07\/09\/a-arte-poetica-de-fernando-tavares-marques\/","title":{"rendered":"A Arte Po\u00e9tica, de Fernando Tavares Marques"},"content":{"rendered":"\n<p>O modo po\u00e9tico de Fernando Tavares Marques (actor e poeta), tem, logo como afirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, uma caracter\u00edstica fecunda e hoje rara: \u00e9 genu\u00edna. Uma poesia que, ao contr\u00e1rio das pessoanas deriva\u00e7\u00f5es, n\u00e3o nos manda, a n\u00f3s leitores, sentir: o poeta sente e investe no que escreve e, nessa intimidade conjuntiva do sentir, faz de n\u00f3s c\u00famplices. E vai, na sua dispers\u00e3o est\u00e9tica, \u00e0s funduras do g\u00e9nero percorrendo, at\u00e9 \u00e0 contemporaneidade, v\u00e1rios estilos e influ\u00eancias, diversos modos de abordagem do fen\u00f3meno po\u00e9tico. Das \u201ccantigas de esc\u00e1rnio e maldizer\u201d (que, no expressivo teatral, percorre o p\u00edcaro vicentino), de que registo esse delirante (de humor, de ritmo, de excesso pros\u00f3dico) que \u00e9 \u201cF\u00e1bula do Passarinho\u201d, a lembrar, no seu desarmante final, a poesia sat\u00edrica de Jo\u00e3o de Deus, at\u00e9 ao lirismo da mais pura \u00e1gua desse magn\u00edfico poema que \u00e9 \u201cInven\u00e7\u00e3o de Mim\u201d, que permitiu a Vitorino d\u2019Almeida e a Carlos do Carmo um dos momentos mais altos do disco que os juntou a Maria Jo\u00e3o Pires. A poesia de Fernando T. Marques \u00e9, igualmente, uma poesia que acerta o passo, que est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o seu, dele e nosso, tempo, que o inquire, que nele mergulha para lhe denunciar o lodo, as inverdades, o sabujo acre que o invade. Poesia que \u00e9, mesmo quando se modela em lampejos \u00edntimos, metaf\u00edsicos harpejos, determinada, denunciadora, interventiva. Desde os poemas de 1975, nos quais o Eu se atravessa de modo conjuntivo &#8211; \u00e9 o N\u00f3s que est\u00e1 presente -, e em grito de coragem e de afirma\u00e7\u00e3o se rebela contra as injusti\u00e7as \u201cMas (a) ter a certeza de estar certo\u201d, at\u00e9 aos poemas mais intimistas, da entrega e da d\u00e1diva. Poesia que, inevitavelmente, sofre influ\u00eancias v\u00e1rias (e quem delas estiver ausente, que atire a primeira pedra \u2013 somos todos \u201cladr\u00f5es que roubamos a ladr\u00f5es\u201d) mas que se afirma pela sua expressividade, pela mon\u00f3dia, pelo ritmo febril que reside nesse modo de escrever, quase dialogal, de interac\u00e7\u00e3o discursiva, e muito teatral ou, pelo menos, ao Teatro, como arte da comunica\u00e7\u00e3o a partir da palavra, se atrela e destina. Tavares Marques escreve para dizer, da\u00ed que esta fala, a sua intr\u00ednseca org\u00e2nicidade, seja muito diz\u00edvel, muito represent\u00e1vel. Lemos os seus textos e apetece diz\u00ea-los alto, ou cant\u00e1-los (em s\u00edtio recolhido, claro, para n\u00e3o ati\u00e7armos o humor cinzent\u00e3o da vizinhan\u00e7a). Para isso contribui o modo de constru\u00e7\u00e3o sint\u00e1ctica de alguns dos versos, caso do poema \u201cA Nata\u00e7\u00e3o\u201d, em que o voc\u00e1bulo Nada se repete ao longo do texto, num jogo que se entrela\u00e7a exponencial no sentido dos versos anteriores; o poema \u201cBeija-me na Boca\u201d, que repete o verso at\u00e9 \u00e0 desarmante explos\u00e3o final \u2013 em que um corrosivo humor (marca identit\u00e1ria do Fernando, na qual a sua \u201carte po\u00e9tica\u201d melhor se afirma), onde a s\u00e1tira se estabelece desafio, den\u00fancia e combate.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Impulsos &amp; Motiva\u00e7\u00f5es<\/strong>, de Fernando Tavares Marques, c\/ilustra\u00e7\u00f5es de Fernando Bento \u2013 Edi\u00e7\u00e3o Clube BP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modo po\u00e9tico de Fernando Tavares Marques (actor e poeta), tem, logo como afirma\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, uma caracter\u00edstica fecunda e hoje rara: \u00e9 genu\u00edna. 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