{"id":1681,"date":"2019-03-17T21:11:03","date_gmt":"2019-03-17T21:11:03","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=1681"},"modified":"2019-03-18T07:17:20","modified_gmt":"2019-03-18T07:17:20","slug":"cova-da-moura-este-nao-e-o-julgamento-da-psp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/03\/17\/cova-da-moura-este-nao-e-o-julgamento-da-psp\/","title":{"rendered":"Cova da Moura: \u201cEste n\u00e3o \u00e9  o julgamento da PSP\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Acusados de mentir, sequestar, torturar, insultar e espancar seis jovens da Cova da Moura, os 17 pol\u00edcias que falsificaram os autos de not\u00edcia e em tribunal mant\u00eam a vers\u00e3o quer da invas\u00e3o \u00e0 esquadra de Alfragide, quer que o apedrejamento de uma carrinha da PSP esteve na origem da deten\u00e7\u00e3o do <em>rapper<\/em> Bruno Lopes, confiam na absolvi\u00e7\u00e3o. Tr\u00eas anos e 90 testemunhas depois, o Tribunal de Sintra marcou a leitura da senten\u00e7a para 30 de abril. Nas alega\u00e7\u00f5es finais, o Minist\u00e9rio P\u00fablico deixou cair as imputa\u00e7\u00f5es mais graves. O procurador Manuel das Dores manteve a acusa\u00e7\u00e3o de ofensas \u00e0 integridade f\u00edsica, inj\u00farias e falsifica\u00e7\u00e3o de documentos contra nove dos 17 arguidos, entre os quais o chefe da esquadra. Nem o sangue, nem os relat\u00f3rios m\u00e9dicos que comprovam traumatismos cranianos, hematomas, escoria\u00e7\u00f5es e contus\u00f5es convencem o magistrado. Deixou cair o crime de tortura porque, defende, \u201c\u00e9 preciso um sofrimento maior\u201d. Citou conven\u00e7\u00f5es internacionais para dizer que, do seu ponto de vista, nenhum dos epis\u00f3dios relatados de viva voz pelas v\u00edtimas representou sofrimento atroz. \u201cN\u00e3o estamos na presen\u00e7a de um tal grau de severidade. Era preciso que os indiv\u00edduos estivessem mais suportados nas les\u00f5es que apresentam\u201d, justificou referindo-se ao caso de Rui Moniz, que com o bra\u00e7o direito paralisado devido a um AVC, para sua perplexidade, deu entrada no hospital, apenas, com uma luxa\u00e7\u00e3o na coluna. Manuel das Dores deitou por terra outro ponto da investiga\u00e7\u00e3o, sem precedentes no pa\u00eds do DIAP da Amadora que, em parceria com a Unidade Nacional de Contra Terrorismo da Pol\u00edcia Judici\u00e1ria concluiu que os pol\u00edcias foram movidos por \u00f3dio e racismo. P\u00f4s em causa a credibilidade das v\u00edtimas. Inj\u00farias como \u201ca ra\u00e7a africana tem de desaparecer\u201d, \u201cvai para a tua terra\u201d, \u201cse eu mandasse eram todos esterilizados\u201d ou \u201cera preciso um Salazar\u201d, n\u00e3o agravam, no entender do procurador, nenhum dos crimes imputados aos arguidos. Nem o crime de sequestro, nos moldes em que foi apresentado pela investiga\u00e7\u00e3o e desmontado por 20 testemunhas, resistiu intacto ao \u00faltimo pronunciamento do MP. Apesar de dar como provada que a deten\u00e7\u00e3o de Bruno Lopes, no bairro da Cova da Moura, foi ilegal, acredita que os acontecimentos que se registaram na esquadra, onde as v\u00edtimas ficaram detidas \u201cde cara no ch\u00e3o\u201d durante 48 horas n\u00e3o s\u00e3o claros.<\/p>\n\n\n\n<p>Admite que os jovens que se dirigiram \u00e0 esquadra para saber do amigo \u201ciam indignados com o que aconteceu, principalmente com os disparos feitos contra pessoas do bairro\u201d e, embora admita que os pol\u00edcias mentiram quando descreveram a aproxima\u00e7\u00e3o de um grupo de mais de 20 com pedras na m\u00e3o, sustenta que a \u201catitude hostil\u201d pode ter precipitado o que a advogada das v\u00edtimas descreve como \u201ctratamentos desumanos, vexat\u00f3rios, racistas e ilegais\u201d. Pede a condena\u00e7\u00e3o dos agentes da PSP por todos os crimes de que est\u00e3o acusados num \u201csinal s\u00e9rio e inequ\u00edvoco de intoler\u00e2ncia de pr\u00e1ticas semelhantes no seio de institui\u00e7\u00f5es cuja miss\u00e3o as obriga a ser defensores da legalidade e dos direitos de todos os cidad\u00e3os\u201d. O MP diz que \u201ceste n\u00e3o \u00e9 um julgamento da PSP nem da esquadra de Alfragide e este procurador n\u00e3o faz leituras pol\u00edticas nem sociol\u00f3gicas do que aconteceu\u201d, para regozijo da defesa dos pol\u00edcias que elogia o magistrado por ter dado o benef\u00edcio da d\u00favida aos arguidos e pelo superintendente chefe do Comando da PSP de Lisboa que, \u201csem coment\u00e1rios\u201d assistiu \u00e0 ultima sess\u00e3o das alega\u00e7\u00f5es finais. Presidido por Ester Pacheco, o coletivo de ju\u00edzes pronuncia-se no \u00faltimo dia de abril. V\u00edtimas e arguidos podem recorrer. Em \u00faltima inst\u00e2ncia o caso pode chegar ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos caso os envolvidos n\u00e3o concordem com a decis\u00e3o das inst\u00e2ncias que podem seguir-se, nomeadamente o Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o, o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a e o Tribunal Constitucional. Tudo aconteceu a 5 de fevereiro de 2015, quando um jovem foi abordado durante um ronda policial. \u201cT\u00e1s-te a rir de qu\u00ea, macaco?\u201d. Detido e agredido num epis\u00f3dio, onde tr\u00eas mulheres foram feridas por disparos de bala de borracha, n\u00e3o teve direito \u00e0 interven\u00e7\u00e3o dos elementos da Associa\u00e7\u00e3o Moinho da Juventude, distinguida na Assembleia da Rep\u00fablica pelo combate ao racismo. Foram \u00e0 esquadra para tentar mediar e esclarecer a deten\u00e7\u00e3o e acabaram, dizem, numa cena de barb\u00e1rie.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acusados de mentir, sequestar, torturar, insultar e espancar seis jovens da Cova da Moura, os 17 pol\u00edcias que falsificaram os autos de not\u00edcia e em tribunal mant\u00eam a vers\u00e3o quer da invas\u00e3o \u00e0 esquadra de Alfragide, quer que o apedrejamento de uma carrinha da PSP esteve na origem da deten\u00e7\u00e3o do rapper Bruno Lopes, confiam &hellip; <a href=\"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/03\/17\/cova-da-moura-este-nao-e-o-julgamento-da-psp\/\" class=\"more-link\">Continue reading <span class=\"screen-reader-text\">Cova da Moura: \u201cEste n\u00e3o \u00e9  o julgamento da PSP\u201d<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":1575,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1681"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1681"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1681\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1682,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1681\/revisions\/1682"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1681"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=1681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}