{"id":1643,"date":"2019-03-11T15:45:02","date_gmt":"2019-03-11T15:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=1643"},"modified":"2019-08-02T11:10:32","modified_gmt":"2019-08-02T11:10:32","slug":"se-nao-sabe-porque-e-que-pergunta-a-diversidade-em-debate-parte2%ef%bb%bf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/03\/11\/se-nao-sabe-porque-e-que-pergunta-a-diversidade-em-debate-parte2%ef%bb%bf\/","title":{"rendered":"Se n\u00e3o sabe porque \u00e9 que pergunta? A diversidade em debate (parte2)\ufeff"},"content":{"rendered":"\n<p>Esta quest\u00e3o, t\u00edtulo da obra que regista em livro um di\u00e1logo entre\nJo\u00e3o dos Santos e Jo\u00e3o Monteiro, parece-nos ser uma met\u00e1fora interessante para\nexplicitar o\nargumento que vos trazemos. Importa ganhar consci\u00eancia de que todas as\ncrian\u00e7as precisam de ver consideradas as suas diferen\u00e7as e agrupadas com outras\ncrian\u00e7as com diferentes necessidades e formas de pensar para se poderem enriquecer\nmutuamente pela diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, os agrupamentos de alunos com o objetivo de os\nhomogeneizar iniciam processos de discrimina\u00e7\u00e3o que se traduzem na\ncria\u00e7\u00e3o de guetos e de processos educativos de primeira versus processos\neducativos de segunda. A utiliza\u00e7\u00e3o do crit\u00e9rio idade para a cria\u00e7\u00e3o de grupos tem\ndemonstrado largamente a sua inefici\u00eancia. Basta olharmos para as estat\u00edsticas\ndo insucesso ou, em alternativa, por exemplo, no programa mundialmente\nconhecido: As novas oportunidades. Ou seja, genericamente a quest\u00e3o \u00e9 a seguinte: somos\nconhecidos pela fragilidade dos nossos processos educativos (os primeiros).\nPor\u00e9m, n\u00e3o pensamos em como os melhorar. Em vez disso, criamos umas segundas\noportunidades que procuram remediar o que n\u00e3o correu bem com as primeiras.\nIndependentemente\nda bondade, rapidamente se verificou que as novas oportunidades foram\nassociadas a oportunidades para os incapazes que n\u00e3o conseguiram \u00e0\nprimeira. Transform\u00e1mos as segundas oportunidades em oportunidades de segunda.\nDe mansinho assistimos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o dentro da escola de grupos com car\u00e1cter\ntempor\u00e1rio que, mais cedo ou mais tarde, levam os elementos que os constituem a\napropriar-se da identidade atribu\u00edda e a tornarem-se definitivos: os que t\u00eam um\nritmo de aprendizagem lento, os que est\u00e3o atrasados, os que v\u00e3o \u00e0 frente, etc. O que devia ter\nsido uma forma de ajuda tempor\u00e1ria transforma-se numa forma de organiza\u00e7\u00e3o de\ntrabalho definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Com os iguais aprendemos\npouco. Encontramos conforto nas certezas e, como Narciso, ficamos seduzidos\npelo espelho que o outro se torna. Por\u00e9m, como a Hist\u00f3ria n\u00e3o se cansa de\nnos demostrar, rapidamente nos transformamos em inimigos e, pela competi\u00e7\u00e3o,\nquerermos ser melhor do que os outros. <\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, s\u00f3 o confronto com a diferen\u00e7a pode\nsuscitar o que os psic\u00f3logos apelidam de conflito sociocognitivo. S\u00f3 evolu\u00edmos quando temos\na necessidades de integrar diferentes perspetivas que nos permitem reconfigurar\no pensamento atual e aceder a n\u00edveis superiores de complexidade. \u00c9 fundamental\nexaminar diferentes solu\u00e7\u00f5es para os mesmos problemas. Devemos introduzir no nosso sistema de\npensamento factos novos introduzidos pelo pensamento dos outros. Para podermos\nevoluir \u00e9 necess\u00e1rio confrontar as representa\u00e7\u00f5es que temos com\nas representa\u00e7\u00f5es que os outros t\u00eam sobre as mesmas coisas, comparar as nossas formas de aprender com\nas formas de aprender dos nossos camaradas e perceber nas diferentes formas de\nabordar as situa\u00e7\u00f5es, aquilo que t\u00eam em comum e de diferente. <\/p>\n\n\n\n<p>Para o desenvolvimento intelectual \u00e9 fundamental fazermos o\nexerc\u00edcio\nde aproximar e integrar os diferentes pontos de vista e de distinguir,\nprogressivamente, o saber do crer, aquilo que s\u00e3o as diferen\u00e7as fundamentais\ndaquilo que pode ser um ponto de acordo. Um saber onde se articula aquilo que\nnos \u00e9 comum e, portanto,\ntodos concordam, daquilo que nos separa, e sublinha as diferen\u00e7as\nleg\u00edtimas e aceit\u00e1veis entre diferentes pontos de vista, opini\u00f5es e conce\u00e7\u00f5es\nde uns e de outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Certo que este conflito n\u00e3o se produz espontaneamente, e muito\nmenos se nasce com uma predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para o efeito, \u00e9 necess\u00e1rio um saber\nprofissional e um controlo pedag\u00f3gico para favorecer o pensamento e as trocas\nentre os alunos, evitando que a confronta\u00e7\u00e3o se torne num conflito de\ninflu\u00eancias que ser\u00e1 ganho pela intimida\u00e7\u00e3o, imposi\u00e7\u00e3o e medo de acordo com os\nestatutos sociais mais ou menos expl\u00edcitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os professores n\u00e3o se podem abster e deixar que a\nespontaneidade tome conta das intera\u00e7\u00f5es. \u00c9 importante garantir que todos t\u00eam a\noportunidade de se exprimir e de ser entendidos e que a tarefa\/atividade proposta requer necessariamente\na interven\u00e7\u00e3o de todos. Assim, com estas condi\u00e7\u00f5es garantidas,\nrapidamente nos apercebemos em que ponto \u00e9 que a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 eficaz: ela\npermite que os alunos mais fr\u00e1geis numa determinada atividade se possam desenvolver e, em simult\u00e2neo,\nque os alunos identificados como os que t\u00eam aprendizagens mais s\u00f3lidas\nencontrem obst\u00e1culos na explicita\u00e7\u00e3o do conhecimento, o que lhes permite\nmelhorar a sua apropria\u00e7\u00e3o. Pois, a melhor maneira de aprender continua a ser a de ensinar. A obriga\u00e7\u00e3o\nde tornar o conhecimento expl\u00edcito para o outro faz evoluir o pensamento e,\nassim, consolidar o conhecimento. <\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da media\u00e7\u00e3o educativa nas intera\u00e7\u00f5es entre os alunos\ntamb\u00e9m a intera\u00e7\u00e3o entre professor e alunos deve buscar o desenvolvimento do pensamento. Para tal, as\nintera\u00e7\u00f5es verbais s\u00e3o fundamentais. Os trabalhos que t\u00eam sido feitos\nnesta \u00e1rea t\u00eam demonstrado que os professores disp\u00f5em de um conjunto de\nrecursos para suportar o desenvolvimento dos alunos, muito para al\u00e9m das perguntas diretas.\nConsidere-se: o incentivo \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de infer\u00eancias a\npartir de determinados conhecimentos, pedidos de justifica\u00e7\u00e3o ou clarifica\u00e7\u00e3o\nde uma opini\u00e3o e\/ou resposta, a focaliza\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o para um aspeto da tarefa\nem particular, o pedido\nde um resumo ou elabora\u00e7\u00e3o conceptual, s\u00e3o alguns exemplos de alternativa \u00e0s\nperguntas diretas.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a realidade \u00e9 outra. Os trabalhos que t\u00eam sido\nfeitos sobre as intera\u00e7\u00f5es em sala revelam que a fala do professor ocupa entre\n80% a 90% do tempo\ndas aulas. E as intera\u00e7\u00f5es predominantes s\u00e3o as mais pobres: Pergunta do\nprofessor, resposta do aluno, avalia\u00e7\u00e3o pelo professor e nova pergunta do\nprofessor. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, permanece a quest\u00e3o: se a aprendizagem \u00e9 feita pela\nnegocia\u00e7\u00e3o de significados atrav\u00e9s da confronta\u00e7\u00e3o de pontos de vista, como \u00e9 que os alunos aprendem se\nn\u00e3o podem falar?<strong><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta quest\u00e3o, t\u00edtulo da obra que regista em livro um di\u00e1logo entre Jo\u00e3o dos Santos e Jo\u00e3o Monteiro, parece-nos ser uma met\u00e1fora interessante para explicitar o argumento que vos trazemos. 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