{"id":1493,"date":"2019-02-06T12:57:00","date_gmt":"2019-02-06T12:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=1493"},"modified":"2019-07-09T11:01:28","modified_gmt":"2019-07-09T11:01:28","slug":"africa-austral-constroi-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/02\/06\/africa-austral-constroi-o-futuro\/","title":{"rendered":"\u00c1frica Austral constr\u00f3i o futuro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Na \u00c1frica Austral, pa\u00edses independentes como Angola, Mo\u00e7ambique, \u00c1frica do Sul, Nam\u00edbia e Zimbabwe, libertados do dom\u00ednio colonial e do jugo racista, d\u00e3o passos seguros rumo a um futuro melhor. Apesar do legado deixado pelo colonialismo e o <em>apartheid<\/em>, dos problemas pol\u00edticos, econ\u00f3micos e sociais da actualidade, dos conflitos e guerras e das persistentes inger\u00eancias e press\u00f5es estrangeiras.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De \u00abcontinente perdido\u00bb ainda h\u00e1 pouco, a \u00c1frica passou a ser vista, pelas suas imensas riquezas, como o \u00abcontinente do futuro\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Possui inesgot\u00e1veis recursos naturais, \u00e9 um mercado apetec\u00edvel, vive um crescimento demogr\u00e1fico exponencial: com 300 milh\u00f5es de habitantes em 1950 e 800 milh\u00f5es em 2000, tem hoje 1.300 milh\u00f5es de pessoas, metade das quais com menos de 25 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A economia continental progride: na d\u00e9cada de 70, o PIB <em>per capita<\/em> africano era 10% do dos pa\u00edses desenvolvidos mas a partir de meados dos anos 90 a \u00c1frica come\u00e7ou a crescer com taxas m\u00e9dias anuais de 5 a 6%, contra aumentos de 1,5 a 2% nos pa\u00edses do Norte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com estas riquezas potenciais, n\u00e3o \u00e9 de estranhar a inger\u00eancia das pot\u00eancias imperiais (EUA, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha\u2026) em \u00c1frica. Nem as guerras e os conflitos, em geral ateados e alimentados do exterior, de que s\u00e3o exemplos nestes anos mais recentes, a agress\u00e3o da NATO \u00e0 L\u00edbia, a interven\u00e7\u00e3o francesa no Mali, a presen\u00e7a militar estado-unidense na Som\u00e1lia, a guerra civil no Sud\u00e3o do Sul, o caos na Rep\u00fablica Centro Africana, o \u00abterrorismo isl\u00e2mico\u00bb na Nig\u00e9ria e na regi\u00e3o do Lago Chade, a \u00abguerra de baixa intensidade\u00bb no Leste da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u2013 tudo isso provocando mortes, fomes, mis\u00e9ria, deslocados e refugiados e bloqueando o desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00c1frica Austral, pa\u00edses que conquistaram a independ\u00eancia de armas na m\u00e3o, como Angola e Mo\u00e7ambique, em 1975, contra o colonialismo, ou o Zimbabwe (1980), a Nam\u00edbia (1990) e a \u00c1frica do Sul (1994), contra a opress\u00e3o da minoria racista, governaram procurando o r\u00e1pido desenvolvimento e a emancipa\u00e7\u00e3o social dos seus povos. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos angolano, mo\u00e7ambicano e zimbabweano optaram por orienta\u00e7\u00f5es progressistas mas o imperialismo imp\u00f4s guerras aos seus pa\u00edses, com a coniv\u00eancia do regime do <em>apartheid<\/em> na \u00c1frica do Sul e de movimentos fantoches, provocando milhares de v\u00edtimas e colossais problemas econ\u00f3micos e sociais, cujas consequ\u00eancias perduram.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, nos pa\u00edses que conquistaram a liberdade e integraram a Linha da Frente contra o <em>apartheid<\/em> \u2013 \u00c1frica do Sul, Angola, Mo\u00e7ambique, Zimbabwe e Nam\u00edbia, mais a Tanz\u00e2nia e a Z\u00e2mbia \u2013, os movimentos, frentes e partidos que lideraram as lutas independentistas continuam hoje a beneficiar de apoio popular maiorit\u00e1rio (o MPLA em Angola, a Frelimo em Mo\u00e7ambique, a ZANU-PF no Zimbabwe, a Swapo na Nam\u00edbia e o ANC, aliado ao Partido Comunista e \u00e0 central sindical Cosatu na \u00c1frica do Sul).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Futuro comum<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para melhor combater a pobreza e o atraso, aumentar a qualidade de vida dos seus povos e acelerar o desenvolvimento, os pa\u00edses da \u00c1frica Austral criaram em 1992 a Comunidade de Desenvolvimento da \u00c1frica Austral (SADC).<\/p>\n\n\n\n<p>Integram esse organiza\u00e7\u00e3o inter-governamental 15 pa\u00edses (\u00c1frica do Sul, Angola, Botswana, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Lesoto, Madagascar, Malawi, Maur\u00edcia, Mo\u00e7ambique, Nam\u00edbia, Swazil\u00e2ndia, Tanz\u00e2nia, Z\u00e2mbia, Zimbabwe e Seicheles). Escolheram como lema \u00abRumo a um futuro comum\u00bb \u2013 todo um programa a cumprir. J\u00e1 antes, desde 1980, existia uma organiza\u00e7\u00e3o semelhante, a SADDC, que juntava apenas nove estados membros. &nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os pa\u00edses da SADC somam uma popula\u00e7\u00e3o de 210 milh\u00f5es de pessoas e um Produto Interno Bruto conjunto de 470 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Ao longo deste quarto de s\u00e9culo, a organiza\u00e7\u00e3o regional tem promovido a coopera\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, assegurado a paz e a seguran\u00e7a comuns, contribu\u00eddo para a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de problemas surgidos nos estados-membros.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da SADC na \u00c1frica Austral, existem no continente outras organiza\u00e7\u00f5es regionais e uma pan-africana, a Uni\u00e3o Africana. Foi fundada em 2002, em Durban, com 55 estados-membros, e tem sede em Adis Abeba. Sucedeu \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o da Unidade Africana (OUA), criada em 1963, na capital et\u00edope, por 32 pa\u00edses independentes, ent\u00e3o com o prop\u00f3sito central de combater o colonialismo e o neocolonialismo no continente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es em 2019<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este ano est\u00e1 prevista a realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es em duas dezenas de pa\u00edses africanos, incluindo na Guin\u00e9-Bissau (legislativas), em Mar\u00e7o, e, antes disso, em Fevereiro, na Nig\u00e9ria, a 16, e no Senegal, a 24, ambas presidenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pa\u00edses da \u00c1frica Austral, haver\u00e1 elei\u00e7\u00f5es no Malawi, no Botswana e na Nam\u00edbia. Em Mo\u00e7ambique, o povo ir\u00e1 \u00e0s urnas em Outubro, escolher o presidente da Rep\u00fablica e deputados.<\/p>\n\n\n\n<p>De igual modo, na \u00c1frica do Sul, j\u00e1 em Maio, decorrer\u00e3o elei\u00e7\u00f5es gerais, as sextas democr\u00e1ticas desde 1994. Ser\u00e3o escolhidos 400 deputados do parlamento nacional, nove governos provinciais e o chefe do Estado de uma das maiores pot\u00eancias econ\u00f3micas de \u00c1frica. Perspectiva-se que o Congresso Nacional Africano (ANC) e seus aliados conquistem de novo a maioria, o que lhes permitir\u00e1 prosseguir a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade desenvolvida e sem explora\u00e7\u00e3o na p\u00e1tria de Nelson Mandela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Carlos Lopes Pereira<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Jornalista<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00c1frica Austral, pa\u00edses independentes como Angola, Mo\u00e7ambique, \u00c1frica do Sul, Nam\u00edbia e Zimbabwe, libertados do dom\u00ednio colonial e do jugo racista, d\u00e3o passos seguros rumo a um futuro melhor. 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