{"id":1477,"date":"2019-02-06T12:36:54","date_gmt":"2019-02-06T12:36:54","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=1477"},"modified":"2019-03-03T18:54:01","modified_gmt":"2019-03-03T18:54:01","slug":"os-velhos-e-as-casas%ef%bb%bf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/02\/06\/os-velhos-e-as-casas%ef%bb%bf\/","title":{"rendered":"\u2026os velhos e as casas\ufeff"},"content":{"rendered":"\n<p>No jogo de empurra, a que se tem assistido no campo da legisla\u00e7\u00e3o sobre o arrendamento urbano e onde a direita parece ter levado tudo de rold\u00e3o e onde agora a esquerda recupera terreno, surgem propostas animadoras para quem mais tem sofrido: os velhos, empurrados de um lado para o outro, entre o desespero e a esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uns tempos atr\u00e1s, perante a amea\u00e7a de um aumento brutal e indiscriminado das rendas que conduziria inexoravelmente ao despejo e \u00e0 rua, conseguiram-se morat\u00f3rias atendendo \u00e0 idade e a incapacidades e ainda foi tido em conta a antiguidade do arrendamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecidas aquelas condi\u00e7\u00f5es, hoje ningu\u00e9m pode ser desalojado.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, ainda h\u00e1 quem proponha que se a casa estiver em ruinas e o senhorio entender fazer obras profundas, o drama pode acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Oxal\u00e1 que tal ideia nunca venha a ser aprovada.<\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1rvores morrem de p\u00e9\u2026como diz o drama.<\/p>\n\n\n\n<p>As casas tamb\u00e9m morrem de p\u00e9 e mais f\u00e1cil \u00e9 matar um pr\u00e9dio que uma \u00e1rvore: pois a estas \u00e9 preciso salgar-lhes as ra\u00edzes ou fazer-lhe uma incis\u00e3o circular em torno do tronco para que a seiva n\u00e3o chegue l\u00e1 a cima; \u00e0s casas basta quebrar duas ou tr\u00eas telhas em determinados s\u00edtios, esperar que um algeroz se entupa ou deixar aberta uma janela num fogo desabitado e o assassinato ocorre e n\u00e3o haver\u00e1 nem acusa\u00e7\u00e3o, nem condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto se m\u00e3o malvada ou um acidente n\u00e3o atearem fogo e ent\u00e3o arde a casa e arde o contrato de arrendamento, sem apelo nem desagravo\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Paradoxal situa\u00e7\u00e3o esta em que o pa\u00eds se encontra: nunca se construiu tanto como h\u00e1 algumas dezenas de anos para c\u00e1 e nunca houve tanta falta de casas e nunca se demoliu tanto; em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses da Europa, c\u00e1 pouco se aproveita do que j\u00e1 est\u00e1 feito e quando tal sucede \u00e9 para morada de ricos ou escrit\u00f3rios de multinacionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E, no entanto, \u00e9 relativamente f\u00e1cil recuperar as casas velhas onde vivem velhos e que, por vezes, chegam a ser exemplos patrimoniais de \u201carquitetura ch\u00e3\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio que n\u00e3o chova dentro das casas e garantir a seguran\u00e7a das instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas para que eles, quanto mais n\u00e3o seja, se aque\u00e7am sem perigos.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para isso, imp\u00f5e-se que, com imagina\u00e7\u00e3o, haja apoios e incentivos a inquilinos e senhorios, que sejam claros os crit\u00e9rios de autoriza\u00e7\u00e3o de demoli\u00e7\u00f5es, a imposi\u00e7\u00e3o de obras coercivas e, se for o caso disso, o recurso \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o por utilidade p\u00fablica e, obviamente, vontade pol\u00edtica quanto baste.<\/p>\n\n\n\n<p>Francisco da Silva Dias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No jogo de empurra, a que se tem assistido no campo da legisla\u00e7\u00e3o sobre o arrendamento urbano e onde a direita parece ter levado tudo de rold\u00e3o e onde agora a esquerda recupera terreno, surgem propostas animadoras para quem mais tem sofrido: os velhos, empurrados de um lado para o outro, entre o desespero e &hellip; 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