{"id":1466,"date":"2019-02-06T12:23:50","date_gmt":"2019-02-06T12:23:50","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=1466"},"modified":"2019-07-09T12:18:52","modified_gmt":"2019-07-09T12:18:52","slug":"participacao-e-inclusao-na-baixa-da-banheira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2019\/02\/06\/participacao-e-inclusao-na-baixa-da-banheira\/","title":{"rendered":"Participa\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o na Baixa da Banheira"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o dez e meia da manh\u00e3 no Espa\u00e7o Educativo d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio na Baixa da Banheira. Na sala 1, duas meninas est\u00e3o na \u00e1rea da dramatiza\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o caraterizadas com diferentes artigos. N\u00e3o se sabe bem o que representam. Ali ao lado, tr\u00eas crian\u00e7as fazem a experi\u00eancia do vulc\u00e3o no laborat\u00f3rio de ci\u00eancias enquanto um menino desenvolve uma atividade no laborat\u00f3rio de matem\u00e1tica. As crian\u00e7as distribuem-se pela sala dividindo-se pelas diferentes \u00e1reas at\u00e9 que chega a hora de arrumar e se sentam numa roda para comunicar aquilo que estiveram fazer. Esta \u00e9 uma din\u00e2mica que pode parecer casual e desprovida de sentido. Mas todos sabem onde est\u00e3o e o que fazem. Como uma orquestra em que cada um toca um instrumento diferente, tudo \u00e9 organizado.<br>\nA este jornal, In\u00eas Costa, psic\u00f3loga nesta escola, explica que \u201ch\u00e1 um processo de reflex\u00e3o\u201d. Diz que \u201caqui o poder \u00e9 partilhado com as crian\u00e7as e n\u00e3o \u00e9 o adulto que diz o que as crian\u00e7as t\u00eam de fazer. A ideia \u00e9 estimul\u00e1-las a assumir compromissos\u201d. Susana Machado, coordenadora t\u00e9cnica-pedag\u00f3gica desta escola, acrescenta que \u201ch\u00e1 a liberdade de as crian\u00e7as escolherem\u201d mas tamb\u00e9m h\u00e1 acompanhamento no sentido de as orientar para aquilo que lhes falta fazer nas diferentes \u00e1reas de conhecimento. H\u00e1 sempre uma \u201cpostura estrat\u00e9gica\u201d. V\u00ea-se que s\u00e3o ativos nos processos de tomada de decis\u00e3o, sabem onde est\u00e1 cada coisa, o que h\u00e1 para fazer e que tarefas t\u00eam. Susana Machado explica que as crian\u00e7as \u201ct\u00eam no\u00e7\u00e3o das tarefas que deixaram por fazer no dia anterior. Atribuem significado ao que fazem e h\u00e1 uma avalia\u00e7\u00e3o di\u00e1ria\u201d. Mas vai muito para al\u00e9m disso. Uns t\u00eam a responsabilidade de cuidar do peixe que est\u00e1 no aqu\u00e1rio, outros v\u00e3o cuidar da horta e ao almo\u00e7o h\u00e1 quem tenha de distribuir a fruta e os guardanapos. No fim, arrumam tudo. In\u00eas Costa conta que os pais ficam muito admirados quando as crian\u00e7as acabam por fazer em casa aquilo que fazem na escola. Tudo isto \u00e9 surpreendente se se pensar que A Voz do Oper\u00e1rio s\u00f3 est\u00e1 neste espa\u00e7o desde 2013. Hoje, tem 190 crian\u00e7as e 30 funcion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Todos diferentes, todos iguais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos elementos que sobressaem neste espa\u00e7o educativo \u00e9 a conviv\u00eancia entre toda a comunidade. Alunos, pais e funcion\u00e1rios contribuem ativamente de m\u00faltiplas formas. Susana Machado recorda uma atividade que levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma manta de hist\u00f3rias. Uma manta de retalhos que juntou tecidos que cada um trouxe. Como no dia em que se organizou um lanche em que cada fam\u00edlia trouxe uma comida tradicional dos seus pa\u00edses. S\u00e3o mais de 15 as nacionalidades que aqui convivem em perfeita harmonia. \u201cO modelo pedag\u00f3gico e a organiza\u00e7\u00e3o da escola s\u00e3o ferramentas de inclus\u00e3o. \u00c9 uma ferramenta contra a exclus\u00e3o. Os mi\u00fados d\u00e3o-se sem olhar \u00e0s diferen\u00e7as e n\u00e3o vemos as diferen\u00e7as como diferenciadoras mas como riqueza. As pessoas sentem que a escola est\u00e1 aberta \u00e0 comunidade e sentem-na como delas\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Rog\u00e9rio Santos, eleito no executivo da Junta da Uni\u00e3o de Freguesias de Baixa da Banheira e Vale da Amoreira, \u00e9 peremt\u00f3rio em afirmar que a vinda d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio para a ali foi um avan\u00e7o. \u201cTemos um projecto aut\u00e1rquico onde trabalhamos em parceria com as diferentes institui\u00e7\u00f5es. O <em>feedback<\/em> que temos enquanto eleitos \u00e9 que para as freguesias a escola d\u2019A Voz tem uma enorme reputa\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 referenciada como uma escola de qualidade\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com a C\u00e2mara Municipal da Moita \u00e9 igualmente boa, explica a psic\u00f3loga In\u00eas Santos. De tal forma, que houve colabora\u00e7\u00e3o na dinamiza\u00e7\u00e3o de uma assembleia de crian\u00e7as de todo o concelho que acabou por se transformar num importante ato de participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Nada que seja desconhecido \u00e0s crian\u00e7as d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, habituadas a debater. \u201cFoi no ano passado, em maio, no \u00e2mbito da feira anual de projetos em que todas as institui\u00e7\u00f5es educativas t\u00eam um espa\u00e7o para mostrar a sua atividade. Durante um dia fecharam o Centro de Exposi\u00e7\u00f5es e fizeram a assembleia\u201d, descreve. Mas antes houve todo um trabalho preparat\u00f3rio. Houve assembleias em cada sala, depois com os alunos todos da escola e, de seguida, a assembleia com crian\u00e7as de v\u00e1rias escolas com a presen\u00e7a do presidente da C\u00e2mara Municipal da Moita. Os alunos levaram problemas concretos e houve um compromisso da autarquia em resolver cada um destes casos. \u201cFoi um importante contributo d\u2019A Voz para a comunidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o dez e meia da manh\u00e3 no Espa\u00e7o Educativo d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio na Baixa da Banheira. Na sala 1, duas meninas est\u00e3o na \u00e1rea da dramatiza\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o caraterizadas com diferentes artigos. N\u00e3o se sabe bem o que representam. 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