{"id":10504,"date":"2026-11-05T15:46:40","date_gmt":"2026-11-05T15:46:40","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10504"},"modified":"2026-11-05T15:46:41","modified_gmt":"2026-11-05T15:46:41","slug":"a-palestina-e-os-cineastas-corajosos-no-doclisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/11\/05\/a-palestina-e-os-cineastas-corajosos-no-doclisboa\/","title":{"rendered":"A Palestina e os cineastas corajosos no DocLisboa"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Palestina: a hist\u00f3ria repetida das injusti\u00e7as<\/h2>\n\n\n\n<p><em>\u201cHabibi Hussein\u201d<\/em> (<em>\u201cQuerido Hussein\u201d<\/em>, na tradu\u00e7\u00e3o literal) tra\u00e7a o percurso do \u00faltimo projeccionista do cinema Jenin, na Palestina. Hussein trabalhou durante 43 anos, e sonha voltar ao seu of\u00edcio. Uma ONG alem\u00e3 consegue fundos para a reconstru\u00e7\u00e3o da sala. Aproveita-se dos conhecimentos \u00fanicos de Hussein ao n\u00edvel da projec\u00e7\u00e3o de filmes em pel\u00edcula. Essas \u201cgenerosas pessoas\u201d facilmente o descartam, quando j\u00e1 n\u00e3o precisam dos seus pr\u00e9stimos. A ironia \u00e9 que os tempos foram mudando, e aquilo que foi reconstru\u00eddo tamb\u00e9m desaparece.<\/p>\n\n\n\n<p>O foco na Palestina esteve tamb\u00e9m num conjunto de obras raramente vistas, que colocam o dedo na ferida intoler\u00e1vel que continua aberta naquela regi\u00e3o, sob o olhar cego de organiza\u00e7\u00f5es e comunidade internacional. <em>\u201cTall el Zaatar\u201d<\/em> \u00e9 o \u00fanico filme realizado sobre o massacre que aconteceu em Agosto de 1976 num campo de refugiados administrado pela ONU a nordeste de Beirute. Com imagens filmadas antes e depois do cerco, o document\u00e1rio d\u00e1 voz aos sobreviventes, escrevendo uma hist\u00f3ria de resist\u00eancia popular.<\/p>\n\n\n\n<p>A realizadora Monica Maurer, que descobriu e restaurou <em>\u201cTall el Zaatar\u201d<\/em>, veio ainda apresentar uma trilogia de curtas-metragens que realizou nos anos 70. <em>\u201cChildren of Palestina\u201d<\/em> retrata as consequ\u00eancias da guerra e da ocupa\u00e7\u00e3o territorial no crescimento das crian\u00e7as. \u00c9 evidente o ataque perpetrado aos direitos fundamentais dos mais pequenos ao n\u00edvel da nacionalidade, sa\u00fade, higiene, educa\u00e7\u00e3o e do direito a brincar. Os dois outros filmes focam-se no esfor\u00e7o de um povo para sobreviver a um conflito b\u00e1rbaro. A Sociedade do Crescente Vermelho tem um papel fundamental nesse reerguer constante, atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de hospitais e do apoio necess\u00e1rio e poss\u00edvel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil. As crian\u00e7as continuam a ser a prioridade, j\u00e1 que at\u00e9 elas sofrem ferimentos irrevers\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas narrativas atrozes repetem-se diariamente na Palestina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os corajosos do cinema<\/h2>\n\n\n\n<p>Um festival serve para nos lembrar de artistas que podem estar esquecidos, neste caso na arte cinematogr\u00e1fica. Orson Welles, um colosso na sua juventude, sobretudo ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o, em 1941, de <em>\u201cCitizen Kane\u201d<\/em> (em Portugal, <em>\u201cO mundo a seus p\u00e9s\u201d<\/em>), teve uma carreira descendente. O document\u00e1rio <em>\u201cOrson Welles: The One-Man Band\u201d<\/em> centra-se nos projectos inacabados do homem acusado de megalomania, e que foi muito mais que realizador. Welles era um narrador inigual\u00e1vel. Reinventava-se nas mais banais e emblem\u00e1ticas personagens. Filmou-se no universo de Melville, Shakespeare, Cervantes. Al\u00e9m do cinema, dedicou-se \u00e0 magia: um mestre da ilus\u00e3o, num duplo sentido. Orson Welles percorreu com bravura um horizonte, que, como diz no filme, s\u00f3 alguns conseguem perscrutar. Morreu em 1985.<\/p>\n\n\n\n<p>O cinema nunca mais foi o mesmo depois de Vittorio De Sica realizar, em 1948, <em>\u201cLadr\u00f5es de Bicicleta\u201d<\/em>. De repente, v\u00edamos uma It\u00e1lia que n\u00e3o escondia a crueza com que a sociedade tratava os que buscam o sustento di\u00e1rio. O document\u00e1rio <em>\u201cVittorio De Sica \u2013 La vita in scena\u201d<\/em> tra\u00e7a o percurso daquele que come\u00e7ou como ator, e percebeu que tinha de passar para o outro lado da c\u00e2mara, se queria contar as hist\u00f3rias dos desfavorecidos. De Sica era um diretor de atores genial, um homem com uma vida familiar dupla, um cineasta atento \u00e0 humanidade de cada indiv\u00edduo. Descreveu como ningu\u00e9m a solid\u00e3o dos mais velhos, no estrondoso <em>\u201cUmberto D\u201d<\/em> (1952) e o desamparo dos que est\u00e3o a entrar na vida, em <em>\u201cAs crian\u00e7as olham para n\u00f3s\u201d<\/em> (1943).<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena descobrir ou rever os filmes destes dois cineastas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo cabe em Lisboa durante o Doclisboa. A 24\u00aa edi\u00e7\u00e3o deste festival internacional de cinema n\u00e3o foi excep\u00e7\u00e3o, com filmes que sublinharam a diversidade de perspectivas sobre um mundo contempor\u00e2neo em ebuli\u00e7\u00e3o, com pontes para o passado e cen\u00e1rios de poss\u00edveis futuros.<\/p>\n","protected":false},"author":155,"featured_media":10505,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[177],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/155"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10504"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10507,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504\/revisions\/10507"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10504"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}