{"id":10500,"date":"2026-11-05T15:39:21","date_gmt":"2026-11-05T15:39:21","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10500"},"modified":"2026-11-05T15:39:22","modified_gmt":"2026-11-05T15:39:22","slug":"nos-bastidores-da-harmonia-de-um-espetaculo-do-ccb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/11\/05\/nos-bastidores-da-harmonia-de-um-espetaculo-do-ccb\/","title":{"rendered":"Nos bastidores da harmonia de um espet\u00e1culo do CCB"},"content":{"rendered":"\n<p>Talvez n\u00e3o fosse pior come\u00e7ar pelo fim, o estrondoso aplauso do p\u00fablico, afinal, a grande prova dos nove dessa aritm\u00e9tica entre as parcelas, espectador e espet\u00e1culo. E, para quem duvidasse da ci\u00eancia exata da aclama\u00e7\u00e3o, ela repetiu-se, em dias diferentes, perante p\u00fablicos diversos. N\u00e3o havia d\u00favidas, aquilo que Madalena Wallenstein, coordenadora da F\u00e1brica das Artes do Centro Cultural de Bel\u00e9m, imaginara quando convidou o grupo Retimbrar e o jovem coro da Voz do Oper\u00e1rio, para que dividissem palco e prop\u00f3sitos no Festival Big Bang, tinha resultado na perfei\u00e7\u00e3o. Aqui chegados voltemos aos bastidores do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como atr\u00e1s referimos a Madalena Wallenstein lan\u00e7ou o repto a In\u00eas Melo, ensaiadora do coro da Voz do Oper\u00e1rio e aos Retimbrar, o grupo portuense que bebe na sonoridade da m\u00fasica popular portuguesa e executa, como poucos, os instrumentos tradicionais. Madalena ter\u00e1 feito essa conta de cabe\u00e7a e falou com a In\u00eas e com os Retimbrar, que j\u00e1 faziam parte dessa 15.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Big Bang do CCB. E, depois, a coisa desenrolou-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, assegura In\u00eas Melo, \u201cos mi\u00fados j\u00e1 cantavam quatro temas\u201d dos Retimbrar, quer dizer que esta adi\u00e7\u00e3o proposta n\u00e3o partia do zero absoluto. Mas o espet\u00e1culo tem uma narrativa pr\u00f3pria e cada um tinha a sua, claro.<\/p>\n\n\n\n<p>Serginho, um dos oito m\u00fasicos do grupo, conta-nos como estava idealizado o concerto dos Retimbrar: \u201cEm Dezembro t\u00ednhamos constru\u00eddo um espet\u00e1culo virado para m\u00fasicas desse per\u00edodo natal\u00edcio, interpretando uma vers\u00e3o do Natal dos Simples do Zeca Afonso\u201d. Essa ideia de estruturar espet\u00e1culos em fun\u00e7\u00e3o das \u00e9pocas ganhava sentido\u201d. E, diz-nos, \u201cse no ver\u00e3o pensamos num concerto mais festivo, em Abril, Maio um concerto mais pol\u00edtico, como este se iria realizar em Outubro, lembramo-nos do Outono, das colheitas, das vindimas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora j\u00e1 In\u00eas Melo lembrou-se que, no final do ano letivo anterior, a prop\u00f3sito desse grande mist\u00e9rio do amadurecimento humano, associado \u00e0 curiosidade de quem cresce, tinha resultado num conjunto de perguntas que as crian\u00e7as do coro tinham escrito num papel e colocado religiosamente numa caixa que In\u00eas guardou. Era altura de abrir essa caixa que, n\u00e3o sendo a de Pandora, que uma vez aberta liberta todos os males que v\u00eam ao Mundo, na verdade, pelo contr\u00e1rio, libertara ideias preciosas para este concerto que ambos, Voz do Oper\u00e1rio e Retimbrar, come\u00e7avam a construir.<\/p>\n\n\n\n<p>Serginho, um dos oito m\u00fasicos do grupo portuense, lembra que a narrativa deste novo espet\u00e1culo haveria de ser constru\u00edda \u00e0 volta das perguntas dos pequenos, desde logo a sua designa\u00e7\u00e3o: \u201cCan\u00e7\u00f5es ao entardecer\u201d. Como a curiosidade filos\u00f3fica da pequenada transformava a curiosidade cient\u00edfica do Outono: \u201cDeixamos de pensar no Outono como esta\u00e7\u00e3o, mas como momento da vida\u201d, diz-nos Serginho. \u201cAs perguntas dos mi\u00fados acabariam por ser a introdu\u00e7\u00e3o, para cada uma das 10 m\u00fasicas do alinhamento, mas eram, sobretudo, a narrativa do espet\u00e1culo\u201d, diz-nos Serginho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando realizamos um concerto com outro grupo costumamos criar um tema em colabora\u00e7\u00e3o. Neste caso, criamos uma m\u00fasica, \u2018O Equin\u00f3cio\u2019 inspirado no tema sugerido pelas perguntas dos mi\u00fados. Aos quatro temas que o coro j\u00e1 conhecia, repescamos um outro tema, \u201cA Primavera\u201d, que eu e a Sara t\u00ednhamos criado no ano passado, para uma pe\u00e7a de teatro infantil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim se foi construindo o concerto de 50 minutos, \u201cideias muito simples\u201d, acrescenta Serginho, \u201cmas que trouxeram uma diversidade\u2026\u201d E assim seria o concerto que Madalena pensou.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os 8 m\u00fasicos do Retimbrar, mais as 27 crian\u00e7as do coro da Voz do Oper\u00e1rio, mais a In\u00eas Melo, subiram ao palco, a surpresa foi completa. Serginho conta-nos como foi: \u201cCome\u00e7amos s\u00f3 n\u00f3s com o \u2018Pastor \u00e0 Paisana\u2019 e as crian\u00e7as entraram j\u00e1 no \u00faltimo refr\u00e3o. A partir da\u00ed era uma pergunta dos mi\u00fados que introduzia a m\u00fasica que, de alguma forma, procurava responder \u00e1 quest\u00e3o suscitada\u201d. O segundo tema, a \u2018Ma\u00e7\u00e3zinha\u2019, \u201cIn\u00eas Melo teve o papel de solista. Depois, cantamos \u2018Coisas da Minha Terra\u2019, a que se seguiu o \u2018Lindo Par\u2019 e \u2018Saudades do Futuro\u2019, um tema s\u00f3 com vozes e guitarra\u201d. E, de um tema mais introspetivo seguiu-se o \u201c\u2019Vai de Centro ao Centro\u2019, uma can\u00e7\u00e3o tradicional alentejana\u201d. Depois surgiria a Trancanhola Crocod\u00e9lica, em que a precurs\u00e3o impera num di\u00e1logo de castanholas, entre Serginho e Pancho. Seguiu-se \u201cO Equin\u00f3cio\u201d, a \u201cJardineira\u201d e, por \u00faltimo, \u201cVai n\u00e3o vai\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 claro que quer\u00edamos repetir isto\u201d confessa-nos Serginho: \u201cAs vozes das crian\u00e7as d\u00e3o uma luz \u00e0s m\u00fasicas que \u00e9 de arrepiar\u201d, confessa-nos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos concertos, o de 2 de Outubro, foi para escolas e o segundo foi para o p\u00fablico geral. \u201cOs alunos das escolas s\u00e3o um p\u00fablico especial, muito exigente\u201d, refere o m\u00fasico. \u201cSe o espet\u00e1culo n\u00e3o for muito convincente tornam-se barulhentos e, na verdade, estava um sil\u00eancio incr\u00edvel durante as m\u00fasicas e, quando acabavam, a ova\u00e7\u00e3o era ensurdecedora\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos repetir? Claro que sim. Qualquer grupo coral de crian\u00e7as pode cantar connosco, mas isso \u00e9 o nosso concerto. Aquilo n\u00e3o. Aquilo foi o concerto dos Retimbar com a Voz do Oper\u00e1rio, inspirado nas perguntas das crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na 15.\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Festival Big Bang, no CCB, Madalena Wallenstein, coordenadora da F\u00e1brica das Artes do Centro Cultural de Bel\u00e9m decidiu convidar o grupo portuense de m\u00fasica popular, Retimbrar e o c\u00f4ro da Voz do Oper\u00e1rio, para partilharem o palco, num espet\u00e1culo designado \u201c Can\u00e7\u00f5es ao Entardecer\u201d. Tudo parte das interroga\u00e7\u00f5es dos mi\u00fados da Voz do Oper\u00e1rio a ao processo de crescimento e do talento e criatividade dos 8 m\u00fasicos do grupo. Surpreendente, \u00fanico, mas ficou a vontade de repetir a experi\u00eancia, segundo dois dos protagonistas.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":10501,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[184],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10500"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10500"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10500\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10503,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10500\/revisions\/10503"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10500"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}