{"id":10461,"date":"2026-10-15T22:33:17","date_gmt":"2026-10-15T22:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10461"},"modified":"2026-10-15T22:33:18","modified_gmt":"2026-10-15T22:33:18","slug":"violencia-policial-sobre-manifestantes-pacificos-provoca-37-feridos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/10\/15\/violencia-policial-sobre-manifestantes-pacificos-provoca-37-feridos\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia policial sobre manifestantes pac\u00edficos provoca 37 feridos"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cA pol\u00edcia espancou-nos sem qualquer justifica\u00e7\u00e3o, as feridas n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsicas, s\u00e3o tamb\u00e9m emocionais. No intervalo entre as mais de 15 entrevistas que j\u00e1 dei hoje, choro quando recordo as imagens da viol\u00eancia policial de ontem.\u201d Este \u00e9 o relato de Mariana Guedes, um dos elementos do Movimento pela Habita\u00e7\u00e3o do Porto que tem estado a ocupar a Pra\u00e7a D.Jo\u00e3o I nos \u00faltimos 5 dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Movimento pela Habita\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em protesto no Porto desde o \u00faltimo s\u00e1bado denunciou que durante a madrugada desta quinta-feira, 15 de outubro, houve uma interven\u00e7\u00e3o policial desmedida que causou ferimentos em pelo menos 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o movimento, entre os feridos est\u00e1 uma pessoa com defici\u00eancia motora e v\u00e1rios participantes tiveram de receber assist\u00eancia hospitalar. Duas cabe\u00e7as, um pulso e um bra\u00e7o partidos foram o resultado da viol\u00eancia desmesurada da pol\u00edcia de choque sobre quem se encontrava na pra\u00e7a D.Jo\u00e3o I.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A interven\u00e7\u00e3o policial come\u00e7ou quando os manifestantes cantavam <em>Gr\u00e2ndola Vila Morena\u00a0<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Por volta das 3h da manh\u00e3, e sem qualquer aviso, as for\u00e7as policiais iniciaram a interven\u00e7\u00e3o violenta. Pouco antes tinham sido dadas garantias ao advogado do movimento de que os manifestantes podiam permanecer a ocupar a pra\u00e7a, desde que n\u00e3o fizessem barulho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos da acampada, observando as movimenta\u00e7\u00f5es de aproxima\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, formaram um cord\u00e3o humano para proteger a zona das tendas. Ap\u00f3s ordens da PSP, os manifestantes desmontaram as tendas de forma pac\u00edfica. Enquanto procediam \u00e0 desmontagem, e sem qualquer aviso, come\u00e7ou a interven\u00e7\u00e3o policial. \u201cCome\u00e7aram a agredir-nos brutalmente enquanto cant\u00e1vamos pacificamente o <em>Gr\u00e2ndola Vila Morena<\/em>&#8220;, relata Mariana Guedes ao jornal <em>A Voz do Oper\u00e1rio<\/em>. \u201cAs for\u00e7as de seguran\u00e7a agrediram-nos sem piedade, levaram tudo \u00e0 frente, objetos pessoais e comida foram destru\u00eddos e deitados fora\u201d, acrescenta. \u201cEles perseguiram-nos at\u00e9 fora da pra\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cConfrontos\u201d entre manifestantes e pol\u00edcia?<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que foi veiculado por v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o, e pelo pr\u00f3prio presidente da c\u00e2mara do Porto, a pol\u00edcia n\u00e3o foi obrigada a intervir e n\u00e3o houve confrontos pr\u00e9vios.\u201dHouve, sim, uma interven\u00e7\u00e3o policial violenta sobre cidad\u00e3os que estavam a protestar pacificamente por melhores direitos habitacionais\u201d, conta-nos Mariana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pol\u00edcia tentou arrancar-me a canadiana das m\u00e3os, empurraram-me para o ch\u00e3o e come\u00e7aram a bater-me\u201d, relata-nos Cristiana Leal, deficiente motora que se encontrava a ocupar a pra\u00e7a. \u201cEu gritava que era deficiente, mas eles continuavam a dar-me bastonadas.\u201d As for\u00e7as policiais s\u00f3 pararam de a agredir quando uma das suas companheiras se deitou sobre a Cristiana e gritou \u201cParem, ela tem uma defici\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsto nao tem a ver com a ocupa\u00e7\u00e3o ilegal do espa\u00e7o publico, eles t\u00eam medo do poder popular\u201d, diz-nos Mariana Guedes. E continua:\u201d As pessoas est\u00e3o revoltadas. Todos os dias fazemos assembleias \u00e0s 19h30 e temos tido bastante apoio popular e o movimento est\u00e1 a crescer.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como come\u00e7ou o protesto<\/h2>\n\n\n\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a D.Jo\u00e3o I come\u00e7ou no passado dia 10 de Outubro, depois da manifesta\u00e7\u00e3o \u201cN\u00e3o d\u00e1 mais\u201d. Convocada pelas redes sociais e em solidariedade com o movimento pela habita\u00e7\u00e3o do Estado Espanhol, a ocupa\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a nasce tamb\u00e9m do protesto contra nova lei de arrendamento recentemente aprovada com os votos a favor do PSD, IL, CDS-PP, a absten\u00e7\u00e3o do Chega.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento apresenta seis reivindica\u00e7\u00f5es principais: \u201cabaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de im\u00f3veis por fundos abutres; mais habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica; recupera\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis devolutos para habita\u00e7\u00e3o; tetos \u00e0s rendas\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o subiram 182% na \u00faltima d\u00e9cada e \u00e9 a nova lei do arrendamento piorar\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pre\u00e7os das casas em Portugal t\u00eam subido a um ritmo tr\u00eas vezes superior \u00e0 m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia. Segundo dados do Eurostat, no segundo trimestre deste ano, o pre\u00e7o das casas aumentou 16,5% em Portugal face ao per\u00edodo hom\u00f3logo de 2025, face a 4,7% na m\u00e9dia europeia. Foi o maior aumento entre os 27 Estados-membros. Na \u00faltima d\u00e9cada, os pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o subiram 182% e os rendimentos n\u00e3o chegaram a ver aumentos de 50%:&nbsp; as casas ficaram mais caras a um ritmo que os sal\u00e1rios n\u00e3o acompanhara, nem de perto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas das altera\u00e7\u00f5es na nova lei do arrendamento prev\u00eam: despejos facilitados em caso de incumprimento de rendas; fim do trav\u00e3o de aumento de 2% nas novas rendas; permiss\u00e3o de exig\u00eancia de at\u00e9 tr\u00eas rendas antecipadas; cau\u00e7\u00f5es sem limite de valor; caducidade dos contratos anteriores a 1990. Perante este panorama, acompanhado por um aumento brutal generalizado no custo de vida, \u00e9 expect\u00e1vel que o n\u00edvel de contesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o pare de aumentar em Portugal. A pr\u00f3xima grande jornada de luta ter\u00e1 lugar j\u00e1 no s\u00e1bado, na Manifesta\u00e7\u00e3o Nacional convocada pela CGTP-IN, para as 14h30, no Cais do Sodr\u00e9, em Lisboa. E no Porto \u00e0s 10:30 da manh\u00e3, da Pra\u00e7a da Batalha \u00e0 Pra\u00e7a D.Jo\u00e3o I, onde se encontra o Movimento pela Habita\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Milhares de pessoas em solidariedade com o Movimento<\/h2>\n\n\n\n<p>Milhares de pessoas concentraram-se esta quinta-feira \u00e0 noite na Pra\u00e7a D. Jo\u00e3o I, no Porto. Ao motivo original da a\u00e7\u00e3o &#8211; o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o &#8211; juntaram-se a revolta e a indigna\u00e7\u00e3o pela carga policial que deixou dezenas de feridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Formou-se ent\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o que saiu da pra\u00e7a onde se encontrava perto das 21h rumo aos Aliados, mas pouco depois regressou ao local de partida. O movimento promete l\u00e1 ficar a noite toda, com ou sem tendas&#8221;.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Movimento pela Habita\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em protesto no Porto desde o \u00faltimo s\u00e1bado denunciou que durante a madrugada desta quinta-feira, 15 de outubro, houve uma interven\u00e7\u00e3o policial desmedida que causou ferimentos em pelo menos 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":159,"featured_media":10462,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"coauthors":[255],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10461"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/159"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10461"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10461\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10464,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10461\/revisions\/10464"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10461"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}