{"id":10347,"date":"2026-08-31T08:55:21","date_gmt":"2026-08-31T08:55:21","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10347"},"modified":"2026-08-31T08:55:21","modified_gmt":"2026-08-31T08:55:21","slug":"soy-cuba-a-revolucao-que-se-conta-a-ela-mesma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/08\/31\/soy-cuba-a-revolucao-que-se-conta-a-ela-mesma\/","title":{"rendered":"\u201cSoy Cuba\u201d: a revolu\u00e7\u00e3o que se conta a ela mesma"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante duas horas e vinte minutos, acompanhamos quatro epis\u00f3dios sobre a vida em Cuba durante o regime tirano de Batista. As hist\u00f3rias est\u00e3o alicer\u00e7adas numa voz de narra\u00e7\u00e3o feminina que humaniza a ilha.\u00a0<em>\u201cSoy Cuba\u201d<\/em>, o t\u00edtulo, \u00e9 uma frase recorrente. N\u00e3o \u00e9 apenas o separador com que arranca cada segmento, mas o refr\u00e3o que fica connosco quando terminamos de ver este filme &#8211; que s\u00f3 recentemente foi redescoberto pelo ocidente e alguns conceituados cineastas americanos, como Francis Ford Coppola e Martin Scorsese. N\u00e3o \u00e9 apenas o que se conta que impressionou estes senhores da s\u00e9tima arte. \u00c9 a forma como o realizador move a c\u00e2mara, filma os corpos em movimento nos seus percursos, sem nunca falhar um enquadramento e a sua respectiva emo\u00e7\u00e3o. O centro \u00e9 o povo cubano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A mais bela terra oprimida<\/h2>\n\n\n\n<p>A pausada voz de Cuba diz:&nbsp;<em>\u201cQuando Crist\u00f3v\u00e3o Colombo desembarcou aqui, escreveu no seu di\u00e1rio: \u00e9 a terra mais bela que os olhos humanos alguma vez viram.\u201d&nbsp;<\/em>O que esta obra magn\u00edfica aprofunda \u00e9 o contraste com tal beleza que acontecia na ilha, antes da revolu\u00e7\u00e3o socialista. Nesses tempos idos, muitos eram os que iam a Cuba pela divers\u00e3o e \u00e0 custa da mis\u00e9ria alheia.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria trabalha num bar onde \u00e9 conhecida como Betty. Esconde isto do seu noivo vendedor de fruta. Um americano quer conhecer o s\u00edtio onde Maria vive, como se existisse algum exotismo nisso. Fica chocado com a pobreza, e age como se os seus d\u00f3lares pudessem comprar tudo. A manh\u00e3 revela a mis\u00e9ria extrema. A narra\u00e7\u00e3o diz-lhe, perante os olhares dos jovens e adultos que repele:&nbsp;<em>\u201cPorque \u00e9 que est\u00e1s a fugir, se vieste aqui para te divertir? Olha! H\u00e1 casinos, bares, hot\u00e9is e bord\u00e9is para ti. Mas estas m\u00e3os das crian\u00e7as e dos velhos tamb\u00e9m sou eu.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Pedro \u00e9 um trabalhador que fala com as canas de a\u00e7\u00facar. Quer que apanhem chuva e cres\u00e7am. N\u00e3o por si, mas pelos seus filhos. Ouvimos os seus pensamentos:&nbsp;<em>\u201cAntes pensava que a coisa mais assustadora era a morte, agora penso que \u00e9 a vida.\u201d<\/em>&nbsp;A sua aspira\u00e7\u00e3o \u00e9 destru\u00edda quando o propriet\u00e1rio lhe anuncia que vendeu tudo a uma empresa. Pedro tem de abandonar a sua casa e o seu sustento. Desolado, silencia a dor. Com o \u00faltimo peso que lhe resta, manda os filhos divertir-se. O seu gesto seguinte \u00e9 acabar com tudo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u201cRevolu\u00e7\u00e3o ou morte.\u201d<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que se escuta nos dois epis\u00f3dios posteriores. A revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acontece entre os estudantes. A marcante terceira hist\u00f3ria de&nbsp;<em>\u201cSoy Cuba\u201d<\/em>&nbsp;segue Enrique, um universit\u00e1rio que, numa noite, protege a desconhecida Gloria dos marinheiros americanos. H\u00e1 uma esperan\u00e7a lan\u00e7ada neste encontro. Por\u00e9m, os acontecimentos externos s\u00e3o mais poderosos. Anunciam a morte de Fidel. Essa falsa not\u00edcia, lan\u00e7ada pelo ditador para confundir a popula\u00e7\u00e3o, tem de ser desmentida. Os estudantes trabalham clandestinamente nesse sentido. \u201cFidel vive!\u201d lemos nos panfletos que voam pelo c\u00e9u e caem nas ruas, depois da pol\u00edcia exercer a sua viol\u00eancia extremada. \u201cViva a liberdade. Abaixo a tirania!\u201d, gritam. J\u00e1 antes, um dos jovens respondera ao pol\u00edcia sobre um livro de Lenine que este encontrou:&nbsp;<em>\u201cQuem nunca leu este livro \u00e9 um ignorante.\u201d<\/em>&nbsp;Fidel e os outros rebeldes est\u00e3o na Sierra Maestra a fazer luta armada. Cuba fala:&nbsp;<em>\u201cOs homens quando nascem t\u00eam dois caminhos, ou se tornam escravos daquilo que os oprime, ou iluminam o seu caminho; e, caso caiam pela justi\u00e7a, milhares de outros se erguer\u00e3o de seguida.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No desfecho, vamos para as montanhas. Os opressores procuram Fidel Castro. Cada guerrilheiro responde com&nbsp;<em>\u201cEu sou Fidel.\u201d<\/em>&nbsp;Fora de tudo isto est\u00e1 Mariano, que vive com a fam\u00edlia ali perto. N\u00e3o aceita a revolu\u00e7\u00e3o com armas. Mudar\u00e1 de opini\u00e3o ao perceber que a opress\u00e3o do outro lado \u00e9 letal para os que ama.<\/p>\n\n\n\n<p>Cuba vive um embargo total desde 3 de Fevereiro de 1962.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSoy Cuba\u201d: nas salas de cinema estreou finalmente, em c\u00f3pia restaurada, o filme que o russo-georgiano Mikhail Kalatozov realizou em 1964. \u00c9 uma boa oportunidade para ver um marco da cinematografia mundial, que nos elucida sobre o que \u00e9 a liberdade e a opress\u00e3o (e de que lado, sem medo, podemos escolher estar).<\/p>\n","protected":false},"author":155,"featured_media":10349,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[177],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10347"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/155"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10347"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10347\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10351,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10347\/revisions\/10351"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10347"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}