{"id":10338,"date":"2026-08-31T08:51:02","date_gmt":"2026-08-31T08:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10338"},"modified":"2026-08-31T08:51:02","modified_gmt":"2026-08-31T08:51:02","slug":"distracoes-ilusoes-tolices-e-privatizacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/08\/31\/distracoes-ilusoes-tolices-e-privatizacoes\/","title":{"rendered":"Distra\u00e7\u00f5es, ilus\u00f5es, tolices e privatiza\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>Como com todo o conhecimento, n\u00e3o temos todos de aprender tudo de cada vez, h\u00e1 um conhecimento que est\u00e1 socializado. A ideologia \u00e9 uma forma de socializa\u00e7\u00e3o desse conhecimento. (Mas nas sociedades organizadas em classes antag\u00f3nicas h\u00e1 sempre duas ideologias, n\u00e3o esquecer, e a dominante \u00e9 a da classe dominante, ou seja, no caso portugu\u00eas, dos que beneficiam com as privatiza\u00e7\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>Adiante. As nacionaliza\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o portuguesa representaram um novo patamar desse processo de aprendizagem colectiva. Elas foram realizadas pelos que h\u00e1 muito sabiam que os meios de produ\u00e7\u00e3o devem ser socializados, e com eles todos os que tinham aprendido durante o fascismo essa mesma necessidade e todos os que aprenderam, durante o pr\u00f3prio processo revolucion\u00e1rio, a necessidade imperiosa de expropriar a burguesia dos meios que estava a usar para travar a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Distra\u00e7\u00f5es e ilus\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Quando chegou a onda de privatiza\u00e7\u00f5es nos anos 90, s\u00f3 caiu quem quis. \u00c9 verdade que as promessas foram muitas, que o embrulho foi bem embrulhado, mas repito, caiu quem quis, mesmo se podemos reconhecer que muitos ca\u00edram por distra\u00e7\u00e3o, ingenuidade ou por ainda acreditarem no Pai Natal. Porque para cair no conto do vig\u00e1rio das privatiza\u00e7\u00f5es tiveram, sempre, de n\u00e3o querer ouvir os alertas de quem n\u00e3o tinha esquecido as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>As privatiza\u00e7\u00f5es da contra-revolu\u00e7\u00e3o foram o estendal de crimes que hoje est\u00e1 amplamente demonstrado. E que a actual situa\u00e7\u00e3o nacional ilustra muito bem. Toda uma mitologia desmoronou-se perante o peso esmagador da pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia da superioridade da gest\u00e3o privada ficou enterrada nos esc\u00e2ndalos do BES, da PT, do BPN, na forma com os capitalistas destru\u00edram a CIMPOR ou entregaram ao capital estrangeiro todo o sector financeiro nacional que conseguiram apanhar.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de que com as liberaliza\u00e7\u00f5es tudo ficaria mais barato, ficou esmagada pela realidade do pre\u00e7o da electricidade, dos combust\u00edveis, da recolha urbana, das telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de que as PPP eram uma forma de o Estado ser financiado pelo privado, foi enterrada sobre o facto de termos pagos tr\u00eas pontes Vasco da Gama e cada auto-estrada duas vezes, depois de passarmos mais de 20 anos a pagar mais de mil milh\u00f5es em portagens e outro tanto em subs\u00eddios p\u00fablicos a um bando de gulosos.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo aeroporto, cuja constru\u00e7\u00e3o, em 2009, exigia a privatiza\u00e7\u00e3o da ANA para que os privados o pagassem, e hoje n\u00e3o \u00e9 constru\u00eddo porque esses privados n\u00e3o querem e o Estado n\u00e3o tem o dinheiro para o pagar (pois s\u00e3o esses privados que se lambuzam com os 600 milh\u00f5es de euros de lucro da ANA a cada ano).<\/p>\n\n\n\n<p>A Fertagus, que vinha trazer concorr\u00eancia ao sector e hoje impede que a CP circule no canal de que a Fertagus tem direito exclusivo, deixando as popula\u00e7\u00f5es ref\u00e9ns e sem comboios. Que presta o pior servi\u00e7o da AML apesar do Estado lhe ter oferecido a infraestrutura, entregue a gest\u00e3o de estacionamentos e esta\u00e7\u00f5es como n\u00e3o faz \u00e0 CP, comprado os comboios, permitido que vendesse os bilhetes ao dobro do pre\u00e7o da CP e ainda lhe pague compensa\u00e7\u00f5es por utente muito superiores do que paga \u00e0 CP.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tolices<\/h2>\n\n\n\n<p>Agora, o governo portugu\u00eas prepara-se para uma nova onda privatizadora. Disfar\u00e7ada como subconcess\u00f5es e PPP, mas privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Elas v\u00eam, como sempre, muito bem embrulhadas. Para alguma coisa a burguesia det\u00e9m quase todos os jornais (e a Voz \u00e9 uma das poucas excep\u00e7\u00f5es), e ainda todas as r\u00e1dios e televis\u00f5es. Mas apesar disso, e assim \u00e0 bruta, vos digo que para continuar a acreditar nas privatiza\u00e7\u00f5es \u00e9 preciso ser tolo. Olhe-se para o caso da CP.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora que finalmente v\u00e3o chegar comboios novos, o Governo PSD\/CDS e os amigos da IL e do CH, preparam-se para privatizar as linhas lucrativas da CP. Depois de 23 anos sem um \u00fanico comboio novo, sem aumentar a oferta, o governo quer entregar os comboios novos e as linhas que j\u00e1 s\u00e3o lucrativas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o capitalista. A CP fica com as linhas deficit\u00e1rias, com os comboios velhos, e tudo o que for lucrativo e novo \u00e9 entregue ao privado, e o Estado, claro, abre a bolsa e distribui mais umas centenas de milh\u00f5es de euros em subs\u00eddios para que a CP consiga manter o servi\u00e7o regional a funcionar, e os privados consigam muitos e bons lucros. Ou, o que tamb\u00e9m \u00e9 inevit\u00e1vel se o caminho n\u00e3o for mudado, deixar\u00e1 cair o servi\u00e7o regional e aumentar\u00e1 os pre\u00e7os nos restantes \u00e0 primeira crise &#8211; daquelas que o capitalismo tem de forma c\u00edclica. Preservando os lucros garantidos por contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto numa altura em que o pior servi\u00e7o da \u00c1rea Metropolitana de Lisboa \u00e9 claramente o da Fertagus, onde sobram os capitalistas e tamb\u00e9m faltam os comboios. O que prova que a privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o resolve a falta de comboios: o que resolve a falta de comboios \u00e9 comprar (ou alugar, ou recuperar, ou construir) comboios.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ferrovia n\u00e3o precisa de mais capitalistas a sugar-lhe os lucros. Precisa de mais comboios. A Ferrovia n\u00e3o precisa de mais contratualiza\u00e7\u00e3o, homologa\u00e7\u00f5es, cadernos de encargos, concursos e todo o inferno burocr\u00e1tico artificial que a liberaliza\u00e7\u00e3o criou e quer intensificar. Precisa de mais comboios. E precisa de mais ferrovi\u00e1rios \u2013 para o que precisa de pagar melhor e ofecerer melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se n\u00e3o bastasse o que est\u00e1 a fazer pela destrui\u00e7\u00e3o do SNS e da Escola P\u00fablica, o Governo PSD\/CDS prepara tamb\u00e9m a destrui\u00e7\u00e3o da CP. Mas vai falhar, como aconteceu aos que antes o tentaram (PS\/S\u00f3crates e PSD\/CDS Passos Coelho). A luta \u2013 dos utentes, dos ferrovi\u00e1rios, dos patriotas \u2013 disso se encarregar\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um ditado portugu\u00eas que nos ensina que \u00ab\u00c0 primeira todos caem, \u00e0 segunda cai quem quer e \u00e0 terceira s\u00f3 cai quem \u00e9 tolo!\u00bb. Ele aplica-se que nem uma luva ao que se passa com as privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":165,"featured_media":10339,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"coauthors":[259],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10338"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/165"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10338"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10338\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10342,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10338\/revisions\/10342"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10339"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10338"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}