{"id":10330,"date":"2026-08-31T08:44:49","date_gmt":"2026-08-31T08:44:49","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10330"},"modified":"2026-08-31T09:05:03","modified_gmt":"2026-08-31T09:05:03","slug":"50-anos-a-construir-a-festa-do-avante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/08\/31\/50-anos-a-construir-a-festa-do-avante\/","title":{"rendered":"50 anos a construir a Festa do &#8220;Avante!&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 m\u00fasica, os palcos ainda est\u00e3o a ser constru\u00eddos, mas isso n\u00e3o significa que haja sil\u00eancio. Ouve-se uma orquestra de martelos, serras e vozes de quem trabalha. Na Quinta da Atalaia, ainda sem visitantes, a Festa organizada pelo Partido Comunista Portugu\u00eas j\u00e1 come\u00e7ou e celebra a sua 50.\u00aa edi\u00e7\u00e3o.os construtores continuam a chegar diariamente para cumprir um ritual que, para quem o vive, nunca \u00e9 uma repeti\u00e7\u00e3o. Jorge Alves, construtor da festa come\u00e7ou a participar na montagem na segunda Festa, ainda no Jamor, e a mem\u00f3ria que guarda desse primeiro trabalho \u00e9 quase cinematogr\u00e1fica. \u201cO Pavilh\u00e3o Central estava a ser preparado, os panos e lonas formavam uma estrutura e, pouco antes da abertura, uma rajada de vento levou aquilo tudo\u201d, descreve. Foi preciso improvisar: \u201cEstiv\u00e9mos a segurar cordas e a reconstruir \u00e0 press\u00e3o aquilo que estava prestes a desaparecer.\u201d Esta hist\u00f3ria resume, de certa forma, o que foi a hist\u00f3ria da Festa durante muitos anos: construir do zero, resolver problemas, desmontar tudo e, no ano seguinte, come\u00e7ar outra vez.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o aconteceu em 1976, nos pavilh\u00f5es e espa\u00e7os abertos da antiga FIL, na Junqueira. A ades\u00e3o foi imediata e a dimens\u00e3o da iniciativa depressa ultrapassou o espa\u00e7o dispon\u00edvel. Um ano depois, no Jamor, a Festa encontrou um terreno aberto que exigia outra escala de trabalho. Sete palcos foram montados \u00e0 m\u00e3o e o recinto ganhou a dimens\u00e3o de uma verdadeira cidade. Seguiram-se o Alto da Ajuda, Loures e, desde 1990, a Quinta da Atalaia, no concelho do Seixal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 uma cidade dentro da cidade\u201d, explica Jorge Alves ao recordar a transforma\u00e7\u00e3o desde o Jamor. A express\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma met\u00e1fora. Nas primeiras edi\u00e7\u00f5es realizadas em terrenos sem infraestruturas, era necess\u00e1rio criar praticamente tudo, tal como acessos, abastecimento de \u00e1gua e eletricidade, esgotos, pavilh\u00f5es, palcos e espa\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o. A cada edi\u00e7\u00e3o, a cidade desaparecia depois dos tr\u00eas dias para voltar a nascer no ver\u00e3o seguinte. Mas hoje, a realidade da Atalaia \u00e9 diferente, as estruturas permanentes e as infraestruturas existentes simplificam a maior parte do trabalho e permitem concentrar esfor\u00e7os nos conte\u00fados e na montagem dos diferentes espa\u00e7os. Para Jorge, essa \u00e9 uma das grandes diferen\u00e7as entre os primeiros anos e a atualidade. O espa\u00e7o mudou, mas, nas suas palavras, \u201co nosso objetivo\u201d manteve-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a evolu\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es materiais n\u00e3o apagou, contudo, a mem\u00f3ria do esfor\u00e7o. V\u00edtor Agostinho est\u00e1 ligado \u00e0 Festa desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, na Junqueira. Para ele, a lembran\u00e7a da estreia permanece precisamente por ser a primeira, mas h\u00e1 outros momentos que ficaram associados \u00e0 necessidade de garantir a sua continuidade. Entre eles, destaca Loures, onde, depois das passagens pelo Jamor e pela Ajuda, foi necess\u00e1rio encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para que a Festa n\u00e3o deixasse de acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria dos diferentes locais \u00e9, tamb\u00e9m, uma hist\u00f3ria da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o. Em Loures, a Festa encontrou uma solu\u00e7\u00e3o de continuidade, por\u00e9m foi na Atalaia que encontrou finalmente um espa\u00e7o pr\u00f3prio, adquirido atrav\u00e9s de uma campanha de fundos e que permitiu criar estruturas permanentes. A partir de 1990, a Quinta da Atalaia tornou-se a casa da Festa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para quem participa nas jornadas de trabalho, a Festa n\u00e3o come\u00e7a na primeira sexta-feira de setembro. Come\u00e7a muito antes. As jornadas de constru\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de 2026 arrancaram no final de junho, envolvendo limpeza do terreno e montagem das estruturas. A organiza\u00e7\u00e3o descreve a constru\u00e7\u00e3o como um trabalho volunt\u00e1rio de militantes e amigos, marcado por v\u00e1rias horas de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado final, por\u00e9m, tende a esconder o processo que o tornou poss\u00edvel. Quem chega ao recinto quando as portas abrem v\u00ea a cidade pronta, quem participa na constru\u00e7\u00e3o conhece a sucess\u00e3o de tarefas que est\u00e1 por tr\u00e1s de cada espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3prios construtores reconhecem essa dist\u00e2ncia. Jorge Alves acredita que a maioria dos visitantes n\u00e3o tem verdadeira no\u00e7\u00e3o da quantidade de pessoas e horas necess\u00e1rias para montar a Festa. V\u00edtor Agostinho chega \u00e0 mesma conclus\u00e3o e diz que \u201cpara quem c\u00e1 vem durante os tr\u00eas dias, \u00e9 f\u00e1cil olhar para a Atalaia como para qualquer outro festival ou evento. A diferen\u00e7a s\u00f3 se torna vis\u00edvel quando se acompanha a transforma\u00e7\u00e3o do terreno.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m por isso que, para ambos, as jornadas t\u00eam um significado pr\u00f3prio, n\u00e3o s\u00e3o apenas trabalho. S\u00e3o tempo passado em equipa, entre pessoas com percursos sociais diferentes, em que a constru\u00e7\u00e3o f\u00edsica se cruza com a conviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas jornadas h\u00e1, nas palavras de Jorge, uma aprendizagem nas rela\u00e7\u00f5es com as pessoas. Equipas diferentes juntam pessoas de v\u00e1rias origens e experi\u00eancias, e a necessidade de trabalhar em conjunto cria rela\u00e7\u00f5es que ultrapassam a tarefa concreta. V\u00edtor Agostinho fala, por sua vez, da simplicidade das rela\u00e7\u00f5es e da forma como os participantes se tratam entre si. \u00c9 uma dimens\u00e3o menos vis\u00edvel do recinto, mas talvez seja uma das mais importantes para compreender porque \u00e9 que algumas pessoas regressam todos os anos, mesmo depois de d\u00e9cadas. E a Festa, para estes construtores, n\u00e3o \u00e9 apenas aquilo que acontece depois de terminado o trabalho. A pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o \u00e9 parte da experi\u00eancia, h\u00e1 quem encontre nas jornadas o conv\u00edvio, as refei\u00e7\u00f5es partilhadas, as conversas e a sensa\u00e7\u00e3o de fazer parte de algo coletivo. No final dos tr\u00eas dias, quando chega novamente o momento de desmontar, o trabalho n\u00e3o termina imediatamente. V\u00edtor Agostinho explica que \u201cos construtores continuam a encontrar-se nas jornadas de desmontagem e organizam alguns conv\u00edvios.\u201d O ciclo fecha-se, mas deixa preparada a vontade de recome\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste ciclo que se encontra uma das marcas mais fortes dos 50 anos da Festa. Todos os anos \u00e9 necess\u00e1rio adaptar uma experi\u00eancia acumulada a uma realidade nova. Jorge Alves insiste que o objetivo permanece. J\u00e1 V\u00edtor Agostinho refere que cada edi\u00e7\u00e3o traz altera\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, sem que isso signifique abandonar a identidade constru\u00edda ao longo das d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria hist\u00f3ria da Festa mostra essa capacidade de transforma\u00e7\u00e3o. Desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, a Festa foi acrescentando espa\u00e7os para m\u00fasica, teatro, cinema, artes pl\u00e1sticas, literatura, ci\u00eancia, desporto, gastronomia, espa\u00e7os dedicados \u00e0s crian\u00e7as e \u00e0 juventude, debates e representa\u00e7\u00f5es de diferentes regi\u00f5es e pa\u00edses. Em 2026, a programa\u00e7\u00e3o anunciada inclui mais de 60 concertos, dezenas de atividades para crian\u00e7as e fam\u00edlias, mais de 70 espa\u00e7os gastron\u00f3micos, debates, eventos desportivos, exposi\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os de ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A dimens\u00e3o do programa torna ainda mais dif\u00edcil imaginar a quantidade de trabalho necess\u00e1ria para que tudo esteja dispon\u00edvel ao p\u00fablico. Tamb\u00e9m aqui a ideia de \u201ccidade\u201d ganha sentido, pois n\u00e3o se trata apenas de construir palcos, h\u00e1 que criar liga\u00e7\u00f5es entre os diferentes espa\u00e7os e permitir que, durante tr\u00eas dias, milhares de pessoas encontrem aquilo que procuram. A perspetiva de Vanessa Fonseca, visitante da Festa, ajuda a completar a dos construtores onde destaca precisamente a multiplicidade da experi\u00eancia. Os concertos s\u00e3o uma parte importante, mas n\u00e3o explicam tudo. H\u00e1 a Festa do Livro, no Espa\u00e7o Internacional e os diferentes espa\u00e7os culturais, isto para al\u00e9m das pessoas. \u201cH\u00e1 sempre alguma coisa para fazer e pessoas diferentes para conhecer.\u201d O resultado, diz, \u00e9 um ambiente que considera \u00fanico, dos mais novos aos mais velhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem monta v\u00ea o antes, mas quem visita v\u00ea o depois. Entre os dois momentos existe uma cadeia de trabalho que raramente \u00e9 percebida por inteiro. Para quem constr\u00f3i, a satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em dizer \u201ceu fiz isto\u201d mas em ver o espa\u00e7o a cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o de juntar pessoas a assistir a um concerto, a comer no mesmo espa\u00e7o, a visitar uma exposi\u00e7\u00e3o, a entrar num teatro, a conversar ou simplesmente a ocupar o recinto. Jorge Alves descreve essa satisfa\u00e7\u00e3o como a conclus\u00e3o de uma coisa que passa depois a ser usufru\u00edda por todas as pessoas. H\u00e1, por isso, uma rela\u00e7\u00e3o particular entre trabalho e usufruto. O visitante pode atravessar um pavilh\u00e3o sem saber quem o montou, pode sentar-se num espa\u00e7o de restaura\u00e7\u00e3o sem imaginar que, semanas antes, ali havia apenas terra e materiais de constru\u00e7\u00e3o. O construtor, pelo contr\u00e1rio, reconhece os lugares porque acompanhou a sua transforma\u00e7\u00e3o. A cidade festiva tem para ele uma mem\u00f3ria do trabalho que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel para quem fica apenas tr\u00eas dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mem\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m intergeracional. V\u00edtor Agostinho recorda que a import\u00e2ncia da Festa pode ser observada na passagem do tempo e nas gera\u00e7\u00f5es que nela participam. Olha para os mais novos como uma confirma\u00e7\u00e3o de que o trabalho realizado ao longo de d\u00e9cadas teve continuidade. A Festa torna-se, assim, uma experi\u00eancia que pode come\u00e7ar na inf\u00e2ncia e acompanhar algu\u00e9m durante a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria pandemia constituiu um momento revelador dessa continuidade. Em 2020, a Festa realizou-se com limita\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es impostas pela situa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria. Para Jorge Alves, aquele momento n\u00e3o significou uma mudan\u00e7a definitiva, mas mostrou que era poss\u00edvel manter a Festa adaptando os procedimentos \u00e0s regras de sa\u00fade e circula\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia ficou como mais um cap\u00edtulo numa hist\u00f3ria feita de mudan\u00e7as e capacidade de reorganiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco d\u00e9cadas depois, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas saber como a Festa mudou. \u00c9 perceber o que permitiu que continuasse a existir. Os lugares mudaram, as infraestruturas evolu\u00edram, as linguagens culturais renovaram-se, as gera\u00e7\u00f5es sucederam-se e o pr\u00f3prio pa\u00eds transformou-se profundamente desde 1976, ainda assim, todos os anos h\u00e1 pessoas que voltam ao terreno antes da abertura para o transformar num espa\u00e7o de encontro. \u00c9 precisamente essa dimens\u00e3o humana que as grandes estruturas do recinto podem esconder. A Festa que aparece pronta em setembro \u00e9 o resultado de pequenas tarefas acumuladas como limpar, transportar, pintar, montar, reparar, organizar, cozinhar, voltar a montar.<\/p>\n\n\n\n<p>Jorge Alves come\u00e7ou a montar a Festa do Avante porque era a novidade de fazer uma festa e descobrir at\u00e9 onde podia ir essa capacidade de constru\u00e7\u00e3o. D\u00e9cadas depois, continua a reconhecer nessa constru\u00e7\u00e3o uma parte fundamental da sua rela\u00e7\u00e3o com a Festa. V\u00edtor Agostinho, que esteve desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, olha para tr\u00e1s e fala de amigos, da cultura, conv\u00edvio e experi\u00eancias que lhe ficaram para a vida. Vanessa, de uma gera\u00e7\u00e3o completamente diferente, chega como visitante e encontra um espa\u00e7o onde a experi\u00eancia n\u00e3o se esgota nos concertos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre estas tr\u00eas perspetivas existe uma linha comum, a Festa \u00e9 maior do que aquilo que acontece no palco. \u00c9 feita de pessoas que chegam antes, de pessoas que ficam depois e de outras que atravessam o recinto durante tr\u00eas dias sem conhecer todo o trabalho que est\u00e1 por tr\u00e1s dele. \u00c9 feita de mem\u00f3ria, mas tamb\u00e9m de renova\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 feita, sobretudo, da capacidade de transformar um espa\u00e7o f\u00edsico num lugar de conv\u00edvio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2026, a 50.\u00aa Festa do Avante! regressa \u00e0 Quinta da Atalaia nos dias 4, 5 e 6 de setembro. A edi\u00e7\u00e3o comemorativa contar\u00e1 com m\u00fasica, cinema, teatro, literatura, ci\u00eancia, artes e gastronomia, entre outras \u00e1reas, celebrando cinco d\u00e9cadas de hist\u00f3ria, mas antes de os primeiros acordes se ouvirem e de o p\u00fablico come\u00e7ar a ocupar as avenidas da Atalaia, haver\u00e1 novamente trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u201ccidade\u201d ainda est\u00e1 a ser montada. E talvez seja a\u00ed, antes da Festa que todos v\u00eaem, que continue a estar uma das hist\u00f3rias mais importantes dos seus 50 anos, a de quem, ano ap\u00f3s ano, decide voltar ao terreno para construir um lugar que, durante tr\u00eas dias, passa a ser de todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de os palcos receberem concertos, antes de se servirem almo\u00e7os e jantares, antes dos livros, do cinema, do teatro e dos espa\u00e7os de debate, h\u00e1 uma Festa por construir. \u00c9 uma festa constru\u00edda a muitas m\u00e3os com ferramentas, estruturas de metal, panos, cabos e muitas horas de trabalho.<\/p>\n","protected":false},"author":166,"featured_media":10331,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[260],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10330"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/166"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10330"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10330\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10371,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10330\/revisions\/10371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10330"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}