{"id":10302,"date":"2026-08-31T08:07:37","date_gmt":"2026-08-31T08:07:37","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10302"},"modified":"2026-08-31T09:03:27","modified_gmt":"2026-08-31T09:03:27","slug":"o-porto-de-abrigo-para-todas-as-idades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/08\/31\/o-porto-de-abrigo-para-todas-as-idades\/","title":{"rendered":"O porto de abrigo para todas as idades"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A brincadeira como direito<\/h2>\n\n\n\n<p>Para os mais novos, o ver\u00e3o n\u2019A Voz do Oper\u00e1rio ganhou este ano um novo f\u00f4lego. Nuno Abreu, diretor geral, explica que esta \u00e9 a primeira edi\u00e7\u00e3o de um programa de f\u00e9rias num formato mais robusto e aberto n\u00e3o s\u00f3 aos alunos da casa, mas tamb\u00e9m a crian\u00e7as externas entre os 6 e os 12 anos. O objetivo claro \u00e9 oferecer uma resposta educativa de qualidade que complemente os valores de solidariedade e partilha trabalhados durante o ano letivo, \u201cneste caso, com atividades diversas durante o per\u00edodo de f\u00e9rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Catarina Louren\u00e7o, que acompanha diariamente as crian\u00e7as, sublinha a altera\u00e7\u00e3o do modelo para que as crian\u00e7as tamb\u00e9m pudessem ter sa\u00eddas: \u201cUm dia de praia de manh\u00e3, outro dia um museu \u00e0 tarde ou uma oficina na escola\u201d. No Programa de Ver\u00e3o d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, h\u00e1 uma regra de ouro. \u201cN\u00e3o s\u00e3o permitidos trabalhos de casa\u201d, afirma a coordenadora do ATL. Nestas salas e p\u00e1tios, privilegia-se a brincadeira livre e a autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>As atividades s\u00e3o desenhadas para estimular a imagina\u00e7\u00e3o. Um exemplo marcante \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o da \u201cTerra dos Sonhos\u201d utilizando apenas cart\u00e3o, onde as crian\u00e7as s\u00e3o desafiadas a pensar nos pilares de uma sociedade ideal. Para Catarina Louren\u00e7o, o impacto vai para al\u00e9m do entretenimento, onde as crian\u00e7as \u201caprendem a regular as suas emo\u00e7\u00f5es e a gerir os seus conflitos\u201d. A coordenadora do ATL confessa que, nos dias mais cansativos, \u00e9 o sorriso dos pequenos que lhe d\u00e1 \u00e2nimo. \u201cEstes mi\u00fados d\u00e3o-me esperan\u00e7a todos os dias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">C<a rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a>ombater o isolamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto as crian\u00e7as descobrem o mundo, no Centro de Conv\u00edvio trabalha-se para que o mundo n\u00e3o se esque\u00e7a de quem o ajudou a construir. Destinado a s\u00f3cios com mais de 55 anos,gratuitamente, este espa\u00e7o \u00e9 uma resposta social que funciona todas as tardes. Diogo Faustino, animador do centro, descreve-o como um lugar de combate \u00e0 exclus\u00e3o social e ao isolamento, especialmente vis\u00edvel numa Lisboa cada vez mais gentrificada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA ideia \u00e9 trazer pessoas que deveriam estar aut\u00f3nomas para fazer atividades de estimula\u00e7\u00e3o cognitiva e psicomotora\u201d, diz o animador. O dia t\u00edpico come\u00e7a com conversas sobre a atualidade e m\u00fasica, evoluindo para artes pl\u00e1sticas ou at\u00e9 para momentos em que os mais velhos partilham as suas hist\u00f3rias. Um dos momentos altos \u00e9 o \u201cgancho\u201d, lanche partilhado por volta das 16h, onde os pr\u00f3prios utentes fazem quest\u00e3o de p\u00f4r e levantar a mesa, estimulando assim a sua autonomia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os desafios, contudo, s\u00e3o reais. Diogo nota que os utentes chegam agora com n\u00edveis de depend\u00eancia e dem\u00eancia muito superiores aos de h\u00e1 uns anos. Ainda assim, a institui\u00e7\u00e3o adapta-se.\u201cEste ano, foi introduzido um servi\u00e7o de transporte para colmatar as dificuldades de mobilidade destas pessoas\u201d. A carrinha d\u2019A Voz do oper\u00e1rio \u00e9, muitas vezes, o \u00fanico meio que permite a estas pessoas sair de casa e fugir \u00e0 solid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><\/a>encontro de gera\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos pilares fundamentais d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se quer que as crian\u00e7as e os idosos vivam em compartimentos diferentes. Catarina Louren\u00e7o refere que tentam sempre integrar os utentes do Centro de Conv\u00edvio nas oficinas das crian\u00e7as. Nuno Abreu refor\u00e7a ainda que este conv\u00edvio \u00e9 \u201cmuito estimulado\u201d, sendo um elemento que engrandece o trabalho coletivo da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja no Arraial de julho, que junta fam\u00edlias, utentes e trabalhadores, ou nas atividades partilhadas do dia a dia, o objetivo final \u00e9 o de melhorar a qualidade de vida da comunidade. Como resume o diretor geral, \u201co que move A Voz do Oper\u00e1rio \u00e9 a vontade de ajudar a melhorar a vida das pessoas e acrescentar algo, do ponto de vista coletivo e individual\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ver\u00e3o, a energia das crian\u00e7as que constroem cidades de cart\u00e3o e na imagina\u00e7\u00e3o e a sabedoria dos mais velhos que partilham mem\u00f3rias ao lanche, A Voz do Oper\u00e1rio reafirma-se como um espa\u00e7o onde a idade \u00e9 apenas um detalhe perante a for\u00e7a do associativismo e do afeto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cora\u00e7\u00e3o da Gra\u00e7a, as ruas \u00edngremes de Lisboa contam hist\u00f3rias de solidariedade, A Voz do Oper\u00e1rio continua a ser, mais do que uma institui\u00e7\u00e3o, um ponto de encontro entre o passado e o futuro. Este ver\u00e3o, a az\u00e1fama \u00e9 diferente do habitual. Com os gritos alegres das crian\u00e7as e a tranquilidade das conversas no Centro de Conv\u00edvio, desenha-se um retrato de uma comunidade que se recusa a deixar algu\u00e9m para tr\u00e1s.<\/p>\n","protected":false},"author":166,"featured_media":10303,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[260],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10302"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/166"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10302"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10367,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10302\/revisions\/10367"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10303"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10302"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}