{"id":10248,"date":"2026-08-02T20:37:50","date_gmt":"2026-08-02T20:37:50","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10248"},"modified":"2026-08-02T20:57:27","modified_gmt":"2026-08-02T20:57:27","slug":"evitar-e-combater-incendios-o-que-falta-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/08\/02\/evitar-e-combater-incendios-o-que-falta-fazer\/","title":{"rendered":"Evitar e combater inc\u00eandios. O que falta fazer?"},"content":{"rendered":"\n<p>Os dados mostram que a m\u00e9dia de \u00e1rea ardida anualmente cresce de forma quase exponencial. S\u00f3 este s\u00e9culo, essa \u00e1rea duplicou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada de 80, que j\u00e1 tinha sido ultrapassada no dec\u00e9nio seguinte. De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza, entre 2009 e 2018, em Portugal, os grandes inc\u00eandios constitu\u00edram 68% da \u00e1rea ardida. Houve megainc\u00eandios em 1986, em 2000, em 2003, em 2017 e em 2025. Segundo a maior organiza\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o do mundo, h\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios devastadores e quase imposs\u00edveis de extinguir, conhecidos como inc\u00eandios de sexta gera\u00e7\u00e3o. O primeiro da Europa, com esta classifica\u00e7\u00e3o, aconteceu, em junho de 2017, em Petr\u00f3gr\u00e3o Grande.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os violentos fogos em Espanha mostram que este n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno exclusivo de Portugal, cada pa\u00eds tem caracter\u00edsticas que tornam mais f\u00e1cil ou mais dif\u00edcil combater as chamas. De acordo com Duarte Caldeira, antigo presidente do Centro de Estudos e Interven\u00e7\u00e3o em Prote\u00e7\u00e3o Civil (CEIPC), esta \u00e9 uma realidade inerente aos pa\u00edses da bacia mediterr\u00e2nica e \u00e0 sua tipologia meteorol\u00f3gica. Mas h\u00e1 mais fatores a ter em causa. Desde logo o que considera ser \u201ca aus\u00eancia de pol\u00edticas de ordenamento do territ\u00f3rio, comum aos tr\u00eas pa\u00edses, com particular incid\u00eancia no nosso pa\u00eds\u201d, que Duarte Caldeira aponta como \u201cpotenciadora\u201d de fogos de \u201cgrande dimens\u00e3o, intensidade e severidade\u201d, dando o exemplo de 2017 e de 2025. \u201cO inc\u00eandio faz parte do espa\u00e7o florestal e \u00e9 imposs\u00edvel eliminar a exist\u00eancia de inc\u00eandios. O fogo, neste caso, \u00e9 um elemento regenerador do espa\u00e7o florestal e faz parte do ecossistema\u201d, no entanto, \u201cdeve ser poss\u00edvel estabelecer como objetivo eliminar ou mitigar as causas que que d\u00e3o origem \u00e0 tipologia de inc\u00eandios graves e intensos, como aqueles que se t\u00eam vindo a verificar\u201d. Perante esta realidade e com a pergunta que todos fazem sobre como \u00e9 poss\u00edvel que ano ap\u00f3s ano falhem as pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o, o especialista na interven\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o civil recorda que h\u00e1 \u201calgumas vulnerabilidades que nunca foram resolvidas pelos sucessivos governos deste pa\u00eds\u201d. Desde logo, aponta \u00e0 cabe\u00e7a o \u201cdespovoamento do mundo rural\u201d sublinhando que um \u201cterrit\u00f3rio abandonado\u201d \u00e9 um \u201cterrit\u00f3rio de risco\u201d. Nas \u00e1reas mais afetadas, a regi\u00e3o centro e norte do pa\u00eds, n\u00e3o foi poss\u00edvel, considera, alterar o ciclo de abandono. \u201cEnquanto n\u00e3o for poss\u00edvel dar vida aos territ\u00f3rios rurais e, portanto, torn\u00e1-los povoados, dar-lhes dimens\u00e3o de trabalho e dimens\u00e3o econ\u00f3mica, o que vai acontecer \u00e9 que estes territ\u00f3rios s\u00e3o sempre muito mais vulner\u00e1veis ao fogo e ao inc\u00eandio. A desertifica\u00e7\u00e3o de emprego, de servi\u00e7os p\u00fablicos no interior do pa\u00eds, o encerramento de ag\u00eancias banc\u00e1rias e at\u00e9 de multibancos, de farm\u00e1cias, \u00e9 um desincentivo a que se queira residir nesses territ\u00f3rios, logo, est\u00e1 a contribuir-se para que eles continuem cada vez mais abandonados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Simultaneamente, Duarte Caldeira diz faltar uma solu\u00e7\u00e3o que permita resolver \u201co problema dos cerca de meio milh\u00e3o de pequenos propriet\u00e1rios, em que muitos n\u00e3o utilizam as terras\u201d e acrescenta decis\u00f5es pol\u00edticas que afetaram a capacidade de preven\u00e7\u00e3o como a extin\u00e7\u00e3o dos guarda rios e dos guardas florestais. A transposi\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o destes \u00faltimos para o corpo da Guarda Nacional Republicana \u201canulou a experi\u00eancia de d\u00e9cadas dos guardas florestais, transformando-os em meros pol\u00edcias\u201d. Por outro lado, acrescenta que os sapadores florestais \u201cs\u00e3o, manifestamente insuficientes para cobrir a totalidade do territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento que n\u00e3o passa despercebido na evolu\u00e7\u00e3o do tecido florestal \u00e9 a eucaliptiza\u00e7\u00e3o de parte do pa\u00eds. Sendo Portugal um dos maiores exportadores de pasta de celulosa, cerca de 85% destas florestas pertencem a pequenos propriet\u00e1rios. Segundo as principais empresas da ind\u00fastria do papel, entre 1995 e 2015, a \u00e1rea total ocupada por eucaliptos registou um crescimento de 18%, passando de cerca de 715 mil hectares para os atuais 845 mil hectares. Nesse contexto, Duarte Caldeira considera que n\u00e3o sendo a causa principal dos inc\u00eandios \u201cn\u00e3o se deve substimar o potencial combust\u00edvel dos eucaliptos\u201d e que est\u00e3o plantados de forma \u201can\u00e1rquica\u201d dado o seu r\u00e1pido crescimento e retorno financeiro. \u00c1rvores como os castanheiros n\u00e3o s\u00e3o atrativas \u201cporque demoram v\u00e1rias d\u00e9cadas a gerar rendimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, reconhece que foram dados alguns passos desde os inc\u00eandios de 2017 que provocaram o que entende ter sido um \u201csobressalto c\u00edvico\u201d. Muitas das reflex\u00f5es geradas desde ent\u00e3o foram no sentido de que este \u00e9 um problema que se vai agravar, lembrando o investimento na Escola Nacional de Bombeiros e a progressiva profissionaliza\u00e7\u00e3o destes operacionais. Contudo, os meios nem sempre s\u00e3o os mais modernos e recorda que \u201cmuitas das viaturas que est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o nos corpos dos bombeiros t\u00eam entre vinte e trinta anos de trabalho\u201d. Por outro lado, alerta para a necessidade de \u201ccontinuar a investir fortemente na forma\u00e7\u00e3o de elementos de comando\u201d, visto que o comando de opera\u00e7\u00f5es de bombeiros inclui \u201cdecis\u00f5es altamente complexas\u201d. Se n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil comandar um inc\u00eandio com 300 ou 400 bombeiros em opera\u00e7\u00e3o, com 200 ou 300 viaturas, assim como organizando o fornecimento de log\u00edstica alimentar para os bombeiros envolvidos e combust\u00edvel para as viaturas, h\u00e1 a necessidade de formar tamb\u00e9m para a \u201ccapacidade estrat\u00e9gica para antever a progress\u00e3o do inc\u00eandio e tomar as decis\u00f5es adequadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem querer deixar de lado o debate sobre a necessidade de meios a\u00e9reos p\u00fablicos, Duarte Caldeira sublinha que h\u00e1 um efeito psicol\u00f3gico sobre as popula\u00e7\u00f5es quando h\u00e1 um avi\u00e3o ou um helic\u00f3ptero numa zona de inc\u00eandios. \u201cAs pessoas partem do princ\u00edpio que est\u00e3o mais defendidas, e \u00e9 verdade que meios a\u00e9reos no combate a inc\u00eandios em fase nascente ou que ganham grande progress\u00e3o e grande intensidade s\u00e3o elementos important\u00edssimos para o \u00eaxito de uma opera\u00e7\u00e3o de combate, mas os inc\u00eandios apagam-se em terra. Isto \u00e9, se um helic\u00f3ptero faz uma descarga que reduz a intensidade do inc\u00eandio, \u00e9 preciso haver equipas terrestres que depois caem em cima do inc\u00eandio e completam a extin\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Associa\u00e7\u00f5es de bombeiros em dificuldades<\/h2>\n\n\n\n<p>Com 90 bombeiros profissionais e cerca de 20 volunt\u00e1rios, a Associa\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria dos Bombeiros Volunt\u00e1rios da Amadora, fundada em 1905, \u00e9 a \u00fanica estrutura do g\u00e9nero numa cidade com 176 mil habitantes numa \u00e1rea de 24 km quadrados. Como muitas das suas cong\u00e9neres, nos per\u00edodos mais dif\u00edceis, acorre aos inc\u00eandios mais complicados a deflagrar em diferentes zonas do pa\u00eds. Contudo, por ano, s\u00f3 na Amadora, h\u00e1 cerca de 1300 ocorr\u00eancias a que estas mulheres e homens s\u00e3o chamados a enfrentar. A press\u00e3o sobre a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 enorme e as dificuldades financeiras tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Carixas, presidente desta associa\u00e7\u00e3o de bombeiros, explica que h\u00e1 cada vez menos jovens a quererem seguir este caminho, \u201cprovavelmente por raz\u00f5es financeiras, por um diferente estatuto social ou cultural\u201d. A atividade continua a fascinar os mais jovens mas quando chegam \u00e0 idade adulta n\u00e3o d\u00e3o o passo necess\u00e1rio. O dirigente associativo considera que a principal raz\u00e3o tem a ver com os baixos sal\u00e1rios, \u201cmuito pr\u00f3ximos do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional\u201d. Aponta tamb\u00e9m a baixa cobertura dos seguros numa profiss\u00e3o exposta a acidentes graves. Por isso, hoje, h\u00e1 falta de pessoal para as ambul\u00e2ncias e tamb\u00e9m para combater os inc\u00eandios. \u201cOs diferentes governos fazem muitas promessas mas nada se altera no essencial, no financiamento das associa\u00e7\u00f5es. Mant\u00e9m-se um financiamento muito abaixo das necessidades das v\u00e1rias associa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o corresponde ao n\u00famero de servi\u00e7os que fazemos, porque n\u00f3s substitu\u00edmos uma boa parte do Estado nas fun\u00e7\u00f5es de socorro\u201d, alerta. Na Amadora, quem equilibra as contas destas mulheres e homens n\u00e3o s\u00e3o as verbas do Estado central, nem do INEM. \u00c9 a c\u00e2mara municipal que suporta em boa parte a resposta dos bombeiros da Amadora. Neste momento, com apenas quatro ambul\u00e2ncias pr\u00e9-hospitalares em perman\u00eancia, basta haver uma das viaturas com uma avaria para dificultar ainda mais o trabalho para acorrer a emerg\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos inc\u00eandios florestais de grande dimens\u00e3o exigem a presen\u00e7a das corpora\u00e7\u00f5es de bombeiros das zonas urbanas, mais numerosas e com mais equipamentos. \u00c9 o caso dos bombeiros da Amadora que, ano ap\u00f3s ano, viajam ao interior do pa\u00eds para enfrentar as chamas e arriscar a vida. Com uma equipa permanente em rota\u00e7\u00e3o e um autotanque, juntam-se aos milhares que tentam socorrer popula\u00e7\u00f5es e evitar trag\u00e9dias como as que se viram nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com uma opini\u00e3o coincidente, o comandante Jorge Mendes considera que mesmo no apoio das autarquias aos bombeiros h\u00e1 diferen\u00e7as. De norte a sul do pa\u00eds, o seu trabalho na Liga dos Bombeiros Portugueses permite-lhe contactar com centenas de corpora\u00e7\u00f5es e conhecer em primeira m\u00e3o as necessidades que enfrentam estes combatentes. E d\u00e1 um exemplo concreto: \u201cQuando vamos verificar os equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, alguns s\u00e3o muito antigos e, alguns destes bombeiros, s\u00f3 t\u00eam s\u00f3 um equipamento, o que cria um problema de sa\u00fade adicional. Ap\u00f3s um inc\u00eandio, ficam no equipamento algumas part\u00edculas que, obrigatoriamente, deveriam ser retiradas com lavagem ou com produtos e como eles n\u00e3o t\u00eam outro utilizam aquele equipamento at\u00e9 terem um momento de calma e descanso para depois o lavarem, o que quer dizer que est\u00e3o a prejudicar a sua sa\u00fade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema da escassez de ades\u00e3o de novos volunt\u00e1rios \u00e9 tamb\u00e9m algo que o preocupa. Denuncia que muitos deles t\u00eam de meter dias de f\u00e9rias ou tirar tempo do seu descanso para fazerem forma\u00e7\u00e3o e que no caso de cursos privados t\u00eam de os pagar. \u201cAntigamente, podia-se dizer que os bombeiros eram um bocado mecenas deles pr\u00f3prios, hoje em dia os jovens perguntam: mas porque \u00e9 que eu para tirar um curso para salvar vidas tenho que meter uma semana de f\u00e9rias no trabalho ou tenho que pagar o curso? Portanto, a mentalidade mudou\u201d. Por outro lado, em conversa com v\u00e1rios bombeiros recebeu o desabafo de quem recebe pouco mais do que tr\u00eas euros \u00e0 hora para arriscar a vida num inc\u00eandio. \u201cMas voc\u00ea acha que eu vou para um inc\u00eandio ganhar isso quando vou ali para o bar da praia e ganho isso em gorjetas?\u201d, perguntou-lhe um bombeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante a precariedade e a falta de perspectivas numa profiss\u00e3o sem carreira definida, h\u00e1 cada vez mais imigrantes a juntarem-se \u00e0s fileiras dos bombeiros. Sem incentivos, aceitam trabalhar com as condi\u00e7\u00f5es existentes. Com diferentes inc\u00eandios a assomarem em diferentes partes do pa\u00eds, o comandante Jorge Mendes assume que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil trabalhar em Portugal. \u201c\u00c9 o que digo ao secret\u00e1rio de Estado muitas vezes, porque ele \u00e9 do interior, ele que vai ao terreno e veja as dificuldades que t\u00eam os jovens dessas regi\u00f5es\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano ap\u00f3s ano, o medo ronda as aldeias portuguesas quando chega o calor. As imagens de enormes inc\u00eandios enchem os telejornais e come\u00e7a o corrupio de especialistas que analisam o que ficou por fazer para prevenir os fogos e as dificuldades dos bombeiros, da prote\u00e7\u00e3o civil e das autarquias para enfrentar as trag\u00e9dias.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":10249,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[55],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10248"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10248"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10277,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10248\/revisions\/10277"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10249"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10248"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}