{"id":10103,"date":"2026-06-08T11:39:22","date_gmt":"2026-06-08T11:39:22","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10103"},"modified":"2026-06-08T11:39:23","modified_gmt":"2026-06-08T11:39:23","slug":"a-diversidade-e-a-magia-das-marionetas-no-fimfa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/06\/08\/a-diversidade-e-a-magia-das-marionetas-no-fimfa\/","title":{"rendered":"A diversidade e a magia das marionetas no FIMFA"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A inova\u00e7\u00e3o e a qualidade das companhias nacionais e vinda um pouco de todo o mundo s\u00e3o not\u00f3rias. Tudo \u00e9 poss\u00edvel de concretizar, e a imagina\u00e7\u00e3o funciona para um percurso que alia a explora\u00e7\u00e3o de uma t\u00e9cnica espec\u00edfica ao aprofundamento da ideia central que est\u00e1 na origem de cada projeto. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar de um m\u00eas inteiro de magia. Fica um resumo de alguns momentos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A guerra civil espanhola e um circo macabro<\/h3>\n\n\n\n<p>Comecemos por&nbsp;<em>\u201cViva!\u201d&nbsp;<\/em>La Loquace Compagnie, formada por um duo franco-espanhol, fez a sua estreia com um espet\u00e1culo que se debru\u00e7a na hist\u00f3ria pessoal dos av\u00f3s de um dos artistas. Tudo acontece durante a guerra civil espanhola, quando as pessoas em Espanha tiveram de tomar posi\u00e7\u00f5es. Recuamos 50 anos atrav\u00e9s de um teatro de objectos centrado numa secret\u00e1ria, onde os artistas v\u00e3o revelando os dois pontos-de-vista do casal. Pap\u00e9is coloridos, l\u00e1pis, agrafos, fita-cola e pastas de arquivo transformam-se em presos pol\u00edticos, sonhos que se desfazem e segredos revelados. Estes objectos quotidianos ganham vida; e, \u00e0 verdade pol\u00edtica de um pa\u00eds na imin\u00eancia da ditadura franquista, junta-se a narrativa de tentativa de liberta\u00e7\u00e3o da av\u00f3, Mar\u00eda, que termina da pior maneira. A imagina\u00e7\u00e3o junta-se \u00e0 dureza de uma realidade familiar e social.<\/p>\n\n\n\n<p>Stereoptik. \u00c9 fundamental n\u00e3o esquecer este grupo criado em 2008 por um m\u00fasico e um artista pl\u00e1stico. Os seus espect\u00e1culos s\u00e3o literalmente constru\u00eddos ao vivo, ou seja: o processo \u00e9 a narrativa que a cada actua\u00e7\u00e3o contam. S\u00e3o momentos de grandiosidade. Tudo \u00e9 poss\u00edvel naquilo que a dupla apresenta, e que se projecta numa tela gigante (neste caso do Teatro S\u00e3o Luiz). O ano passado trouxeram&nbsp;<em>\u201cAntichambre\u201d<\/em>, desta vez apresentaram&nbsp;<em>\u201cDark Circus\u201d<\/em>, um espect\u00e1culo que articula artes visuais, marionetas, desenho, teatro e m\u00fasica. S\u00e3o geniais as ideias e a passagem destas entre as v\u00e1rias modalidades t\u00e9cnicas, ao mesmo tempo que contam com humor a hist\u00f3ria de um circo onde as coisas n\u00e3o correm como o esperado. \u00c9 um universo visual e sonoro sofisticado, que surpreende a cada gesto que se vai definindo perante o olhar dos espectadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>e Dostoi\u00e9vski<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Das dimens\u00f5es grandes tamb\u00e9m passamos para as dimens\u00f5es pequenas com espect\u00e1culos como o que o principal teatro de marionetas de Lubliana (Eslov\u00e9nia) trouxe. O p\u00fablico senta-se em torno de uma mesa de trabalho; e \u00e9 a\u00ed que os cen\u00e1rios v\u00e3o sendo colocados, juntamente com as figuras que as artistas desenharam minuciosamente e que v\u00e3o representando gestos e mudan\u00e7as de comportamento conforme a hist\u00f3ria se vai desenvolvendo. S\u00e3o figuras impressas em tr\u00eas dimens\u00f5es, que lembram os pequenos bonecos em pl\u00e1stico com que brinc\u00e1vamos em crian\u00e7a. As sombras que s\u00e3o feitas com pequenos holofotes t\u00eam um papel importante, dando a sensa\u00e7\u00e3o de que pode n\u00e3o ser bom press\u00e1gio a floresta dar lugar a uma \u00e1rea residencial. Dois borrifadores acompanhados pelo som conseguem transmitir a chuva que se tornou incessante sobre as habita\u00e7\u00f5es que, entretanto, foram constru\u00eddas. Entramos dentro dessas \u201ccasinhas de bonecas\u201d, focando-nos na representa\u00e7\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o que estamos a escutar desde o in\u00edcio. Um testemunho de como as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a cegueira humana t\u00eam consequ\u00eancias devastadoras. O min\u00fasculo das formas ganha grandiosidade atrav\u00e9s da realidade que nos vai sendo revelada.<\/p>\n\n\n\n<p>A companhia Karyatides tamb\u00e9m \u00e9 \u201cda casa\u201d no FIMFA. Ir\u00e1 com certeza regressar, uma vez que a sua miss\u00e3o \u00e9 transpor para o mundo das marionetas cl\u00e1ssicos da literatura. Em 2024, apesentaram&nbsp;<em>\u201cOs Miser\u00e1veis\u201d<\/em>. Este foi o ano de Dostoi\u00e9vski, com&nbsp;<em>\u201cCrime e Castigo\u201d<\/em>, numa adapta\u00e7\u00e3o genial, que aborda a obra como um teatro musical. No palco, dois int\u00e9rpretes v\u00e3o animando os protagonistas atrav\u00e9s de figuras de madeira, gesso, resina, bonecos de tecido e objectos variados.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, nada \u00e9 imposs\u00edvel no marionetismo. \u00c9 uma revela\u00e7\u00e3o ver, escutar e sentir um espect\u00e1culo de formas que se animam \u00e0 nossa frente. De facto, outros mundos fossem poss\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 26\u00aa edi\u00e7\u00e3o do FIMFA, Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, que todos os anos acontece em Lisboa durante o m\u00eas de Maio, pautou-se, como vem sendo habitual, por uma grande e diversidade de espect\u00e1culos, nos quais a criatividade \u00e9 a palavra-chave. <\/p>\n","protected":false},"author":155,"featured_media":10104,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"coauthors":[177],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10103"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/155"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10103"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10103\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10105,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10103\/revisions\/10105"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10104"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10103"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}