{"id":10069,"date":"2026-06-08T11:16:23","date_gmt":"2026-06-08T11:16:23","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10069"},"modified":"2026-06-08T11:45:51","modified_gmt":"2026-06-08T11:45:51","slug":"filipe-sambado-e-joana-barrios-apadrinham-marcha-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/06\/08\/filipe-sambado-e-joana-barrios-apadrinham-marcha-infantil\/","title":{"rendered":"Filipe Sambado e Joana Barrios apadrinham Marcha Infantil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"pergunta\">O que significa terem aqui os vossos filhos? Que significado tem A Voz do Oper\u00e1rio nas vossas vidas?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Filipe Sambado (FS)<\/strong>&nbsp;\u2014 A Voz do Oper\u00e1rio j\u00e1 tinha um significado relevante na minha vida, no sentido mais politizado. Tamb\u00e9m pela proximidade geogr\u00e1fica. Por morar aqui j\u00e1 ao lado, quando engravid\u00e1mos, em casa, foi imediatamente a primeira hip\u00f3tese. Tivemos a sorte de termos conseguido um lugarzinho para a Celeste e temos tido uma boa experi\u00eancia neste \u00e2mbito escolar, que tem um lado muito familiar. Ent\u00e3o, \u00e9 muito f\u00e1cil conviver aqui e confiar na escola.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Joana Barrios (JB)&nbsp;<\/strong>\u2014 Para mim, foi uma escolha \u00f3bvia no in\u00edcio do percurso seletivo oficial. Ou seja, do primeiro ano. Entretanto, meteu-se a pandemia, n\u00f3s fic\u00e1mos um bocado apavorados, n\u00e3o sab\u00edamos muito bem o que \u00e9 que hav\u00edamos de fazer. E n\u00e3o sab\u00edamos como \u00e9 que iam ser as nossas vidas profissionais. N\u00e3o sab\u00edamos se seria poss\u00edvel manter o pagamento de uma mensalidade, por exemplo. Na verdade, inscrevi os meus filhos, mas depois n\u00e3o concretizei, at\u00e9 porque era longe de casa, e havia escolas p\u00fablicas perto. Ach\u00e1mos que seria uma coisa mais defensiva, uma vez que estava previsto que as crian\u00e7as passassem muito mais tempo em telescola e, ao fim de ano e meio, percebemos que a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos era dif\u00edcil, e que havia uma vigia muito grande no espa\u00e7o partilhado das crian\u00e7as, e isso come\u00e7ou a deixar-me muito ansiosa, at\u00e9 porque eu vivo em comunidade, trabalho em comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamente por isto, numa altura em que se come\u00e7ou a sublinhar muito o peso do ser individual, o peso de uma rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia, o peso de uma coisa muito afunilada para um culto do indiv\u00edduo, n\u00f3s pens\u00e1mos, este s\u00edtio [A Voz do Oper\u00e1rio] tem de ser o lugar para onde as crian\u00e7as v\u00e3o. Porque aqui, para al\u00e9m de andarem todos ao molho, fazem coisas em conjunto, trabalham em grupo, aprendem tudo o que faz parte de uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, que \u00e9 aquilo que os pais querem, mas sobretudo v\u00e3o brincar uns com os outros. A Celeste ainda \u00e9 mais pequenina, mas os meus s\u00e3o um bocadinho maiores, e h\u00e1 muitas coisas que fazem parte, por exemplo, a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, a resolu\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es do dia-a-dia, que os prepara muito para aquilo que ser\u00e1 uma vida futura. A ideia de haver um conselho de coopera\u00e7\u00e3o, a ideia de haver, a partir do quarto ano, uma integra\u00e7\u00e3o dos mi\u00fados j\u00e1 no segundo ciclo, atrav\u00e9s de trabalhos que fazem parte das duas comunidades, os acantonamentos, tudo o que tem a ver com momentos de festa, de celebra\u00e7\u00e3o, tudo isso para mim \u00e9 muito importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu como n\u00e3o sou da cidade, sou do campo, para mim isto \u00e9 a coisa mais parecida que existe com o campo. Apesar de ser uma escola gigante, eu gosto deste ambiente muito familiar, de a gente conhecer as pessoas desde que entra \u00e0 porta at\u00e9 que sai da escola, gosto da abertura que existe, e isso \u00e9 uma coisa para mim fundamental, a participa\u00e7\u00e3o dos pais em todo o tipo de atividades, gosto da abertura que existe para que as crian\u00e7as possam trazer aquilo que as motiva e apaixona, e que isso se torne um objeto de trabalho dentro da sala e em contexto escolar, portanto gosto muito do equil\u00edbrio existente entre este lado menos formal e tudo aquilo que faz parte da forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">E o que sentiram quando receberam o convite para serem padrinho e madrinha da Marcha Infantil?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FS<\/strong>&nbsp;\u2014 Eu n\u00e3o hesitei. \u00c9 daqueles convites que n\u00e3o podes n\u00e3o aceitar. Recusei um concerto, porque j\u00e1 me tinha comprometido. \u00c9 um compromisso que tem data e hora marcada, mas tudo o resto \u00e9 para levar com o maior bom gosto e leveza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JB<\/strong>&nbsp;\u2014 Vou ter um final de m\u00eas de maio absolutamente de gritos, porque vou andar para tr\u00e1s e para a frente. Tenho um espet\u00e1culo no Porto e vou ter de vir a Lisboa para a apresenta\u00e7\u00e3o [no Pavilh\u00e3o Atl\u00e2ntico].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">A Voz do Oper\u00e1rio decidiu levar este ano o tema da diversidade \u00e0 Avenida da Liberdade. Como \u00e9 que olham para essa escolha?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FS<\/strong>&nbsp;\u2014 \u00c9 super importante falarmos sobre estas coisas e assumir essas tem\u00e1ticas. \u00c9 muito importante. E observando os \u00faltimos desenvolvimentos pol\u00edticos, no mundo, e c\u00e1, de forma muito violenta tamb\u00e9m, at\u00e9 pelo simples facto de agora n\u00e3o podermos ter bandeiras ideol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JB&nbsp;<\/strong>\u2014&nbsp;Mas eu acho que n\u00f3s pertencemos a uma bolha muito privilegiada de pensamento, sobretudo, onde o tema da diversidade \u00e9 uma coisa que n\u00e3o \u00e9 um tema. E isso \u00e9 uma grande felicidade. Da\u00ed tamb\u00e9m um bocado, \u00e0s vezes, o encolher de ombros quando a pergunta surge. N\u00e3o \u00e9 por mal. \u00c9 porque \u00e9 uma constante. \u00c9 importante n\u00f3s termos tamb\u00e9m um bocado da consci\u00eancia do qu\u00e3o simb\u00f3licos s\u00e3o estes momentos para quem n\u00e3o vive dentro da urbe, n\u00e3o faz parte dos grandes centros e para quem isto n\u00e3o \u00e9 uma coisa constante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Acham que \u00e9 importante as crian\u00e7as falarem e aprenderem sobre isto?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JB<\/strong>&nbsp;\u2014 A diversidade \u00e9 algo que faz parte do nosso dia a dia. \u00c9 muito afunilado e muito estanque quando se quer munir o discurso do que \u00e9 a diversidade com uma s\u00f3 vis\u00e3o. Mesmo entre as pessoas que acham que s\u00e3o todas iguais e que pertencem a uma norma, essa norma n\u00e3o existe. Depende sempre do contexto. Eu acho que, mais do que oferecer respostas, isto levanta muitas quest\u00f5es. E eu acho que quando as crian\u00e7as chegam a casa com perguntas \u00e9 muito bonito tu perceberes que essas perguntas v\u00eam de um s\u00edtio ou de conhecimento ou de desconhecimento, mas que j\u00e1 v\u00eam delas, que elas pr\u00f3prias j\u00e1 querem saber.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FS<\/strong>&nbsp;\u2014 E olha que as crian\u00e7as daqui tamb\u00e9m vivem numa bolha bastante privilegiada nesse sentido. N\u00f3s temos aqui espa\u00e7o para v\u00e1rios tipos de express\u00f5es. A minha sobrinha, que anda tamb\u00e9m aqui, \u00e9 uma pessoa com uma express\u00e3o queer e tem s\u00f3 sete anos de idade e \u00e9 aceite dessa forma. Vai vestida com a roupa feminina da marcha e esse espa\u00e7o existe e essa aceita\u00e7\u00e3o existe pelas outras crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Nem que seja por isso, ser\u00e1 recordado por todas as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JB<\/strong>&nbsp;\u2014 Mas sabes que eu acho que a maior recorda\u00e7\u00e3o \u00e9 at\u00e9 anterior a estas coisas, a esta constru\u00e7\u00e3o toda. \u00c9 uma coisa muito divertida quando tu olhas para as crian\u00e7as a dan\u00e7ar e a cantar e a ouvir m\u00fasica e a deixar que aquilo tudo aconte\u00e7a nos seus corpos. Tu percebes que aquelas pessoas pequeninas est\u00e3o todas ali super felizes e aquilo \u00e9 um momento em que, mal ou bem, ningu\u00e9m est\u00e1 a criticar. Claro que h\u00e1 escaramu\u00e7as e que eles se irritam mas est\u00e3o todos a convergir para uma coisa e saem todos daqui super bem dispostos. Os meus chegam a casa felic\u00edssimos e \u00e0s vezes tu pensas que v\u00eam mortos de cansa\u00e7o e \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. \u00c9 muito fixe isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Sentem que a Voz, de certa forma, \u00e9 uma escola de resist\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FS<\/strong>&nbsp;\u2014 Sim, sim. Dentro do espetro pedag\u00f3gico, nem que seja por se distanciar de uma l\u00f3gica industrializada do ensino, tendo a pedagogia da escola moderna e s\u00f3 isso j\u00e1 radicaliza bastante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JB<\/strong>&nbsp;\u2014 Acho que a coisa mais interessante aqui \u00e9 o foco n\u00e3o existir na produtividade, numa l\u00f3gica de a aprendizagem e o tempo terem de ser sempre produtivos porque isso tamb\u00e9m permite \u00e0 maior parte das crian\u00e7as poder expandir e explorar o conhecimento de outra forma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"pergunta\">Aqui tenta estimular-se o crescimento com base na ideia de que quanto mais unidos formos, tamb\u00e9m na diversidade, somos capazes de ir mais longe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JB<\/strong>&nbsp;\u2014 Sim, como dizia o Filipe, \u00e9 uma forma muito bonita de tu perceberes que respeitando as idiossincrasias individuais, todas estas crian\u00e7as conseguem conviver de uma forma muito fixe. Acho que das coisas mais bonitas que h\u00e1 \u00e9 olhar para o coro numa festa de Natal, sendo que mais de metade da comunidade escolar certamente n\u00e3o ser\u00e1 religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ainda h\u00e1 outra coisa que eu acho muito importante quando se fala em marchas populares e se pergunta aos padrinhos, especialmente quando s\u00e3o figuras de visibilidade, se estamos chateados com a gentrifica\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem diga que as marchas s\u00e3o chatas ou que s\u00e3o reacion\u00e1rias mas temos sempre de pensar que se n\u00e3o apoiarmos ou se n\u00e3o usarmos parte do nosso tempo individual para estas atividades de conjunto que ainda fazem com que as pessoas se juntem todas em torno de uma coisa comum, que pode ser uma marcha, nada do que \u00e9 comunit\u00e1rio ir\u00e1 prevalecer. Portanto, cada vez que tu tens uma marcha infantil ou que tens crian\u00e7as envolvidas numa coisa destas mais ligadas ao bairro est\u00e1s a contribuir para que isto n\u00e3o morra porque eu acho que cada vez que se perde alguma destas coisas perde-se muito da nossa identidade coletiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00fasico Filipe Sambado e a atriz Joana Barrios vestem de alma e cora\u00e7\u00e3o as cores d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio como padrinhos da Marcha Infantil. Com filhos a estudarem na institui\u00e7\u00e3o, assumem que vivem a Voz como uma fam\u00edlia e consideram fundamental a diversidade, tema que as meninas e as crian\u00e7as levam este ano \u00e0 Avenida da Liberdade.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":10070,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[71],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10069"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10069"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10111,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10069\/revisions\/10111"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10069"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}