{"id":10065,"date":"2026-06-08T11:12:39","date_gmt":"2026-06-08T11:12:39","guid":{"rendered":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/?p=10065"},"modified":"2026-06-08T11:44:47","modified_gmt":"2026-06-08T11:44:47","slug":"a-licao-do-santo-antonio-operario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/2026\/06\/08\/a-licao-do-santo-antonio-operario\/","title":{"rendered":"A li\u00e7\u00e3o do Santo Ant\u00f3nio Oper\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>Acantonados num lan\u00e7o de escadas no edif\u00edcio d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio, os mi\u00fados n\u00e3o paravam, apesar de parados. Isto \u00e9, sentados nas escadas como posando para a fotografia, cruzavam conversas como o enredado de uma teia, em que as conversas se cruzam, mas n\u00e3o se misturam. Pior \u00e9 para os mais velhos regrados. Aquele momento de tert\u00falia ca\u00f3tica que permite aos ganapos estarem parados sem estarem, soa a borburinho desestabilizador, incomodativo, que amea\u00e7a a ordem. E, na verdade, ela, essa tal ordem, est\u00e1 sempre presa por um fio, agarrado pelos decib\u00e9is da voz de Sofia, que sempre que o fio estica e amea\u00e7a partir, l\u00e1 est\u00e1 ela a juntar as pontas.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, mas n\u00e3o seria de todo inusitada a foto. Elas, vestidas com um saiote em tons de azul, rosa, verde, amarelo, imagens de homens, mulheres e crian\u00e7as, de m\u00e3os dadas, como se abra\u00e7assem o mundo, numa roda debruada a dourado na cintura e na bainha. Eles, cal\u00e7as e coletes num padr\u00e3o a lembrar, curiosamente, o expressionismo abstrato e uma boina branca pintada como por impulsos. E, embora a est\u00e9tica aqui n\u00e3o seja um pormenor despiciendo, o que na verdade nos traz aqui n\u00e3o \u00e9 tanto a est\u00e9tica, mas mais a \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas antes da \u00e9tica passemos pelo conceito de Europa, seja ele meramente geogr\u00e1fico, geopol\u00edtico ou o que quer que seja. \u201cSomos Lisboa, somos Europa\u201d, o mote proposto aos marchantes pela autarquia lisboeta, parece algo bizarro. Porque, a bem dizer, com o mesmo grau de verdade a rapaziada do Porto, no S. Jo\u00e3o, claro est\u00e1, bem poderia gritar somos o Porto, Somos Europa, e por a\u00ed fora. H\u00e1 at\u00e9 quem considere que a Europa se estende de Lisboa aos Urais\u2026 mas, adiante. A Europa de Moedas, que s\u00f3 vai at\u00e9 \u00e0 Ucr\u00e2nia, cooptando depois Israel, saltando Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas voltemos aos pequenotes d\u2019A Voz do Oper\u00e1rio. L\u00e1 v\u00e3o eles rua abaixo cantando: N\u00f3s queremos um dia que n\u00e3o vem no calend\u00e1rio\/ e ser felizes na Voz do Oper\u00e1rio. Dobraram S. Vicente de Fora e apanharam o autocarro da Carris que seguiu o caminho do 35, garantia o presidente d\u2019A Voz, Manuel Figueiredo.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre cantos e cantorias l\u00e1 chegaram ao pavilh\u00e3o que j\u00e1 se chamou de Utopia, mas que agora d\u00e1 pelo nome de MEO Arena. O movimento em volta do Pavilh\u00e3o era ordenado por seguran\u00e7as e pela pol\u00edcia com uma curiosa farda: roupa civil, mas, \u00e0 semelhan\u00e7a dos padres em pausas paroquiais, traziam pendurado ao pesco\u00e7o, n\u00e3o o crucifixo, mas o crach\u00e1\u2026 cren\u00e7as!<\/p>\n\n\n\n<p>E o pavilh\u00e3o l\u00e1 estava, cheio, colorido, aguardando o desfile, dividido em claques. A Voz do Oper\u00e1rio seria a primeira marcha a desfilar, n\u00e3o competitiva, mas desafiante, interpelativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O apresentador, Tiago Goes Ferreira, anunciava o autarca lisboeta. Carlos Moedas irrompia dos bastidores a correr, qual adolescente, bra\u00e7os no ar, reivindicando aplausos. E o p\u00fablico dividia-se em aplausos e apupos, assim \u00e9 a vida de artista.<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 come\u00e7ou o desfile. A rapaziada estava em pulgas para entrar e, mal entrou, a tradi\u00e7\u00e3o cumpriu-se. A boa tradi\u00e7\u00e3o, a que afirma valores, tanto em Lisboa como em Bragan\u00e7a, na Europa como no resto do Mundo. \u00c0 proposta regional, provinciana da autarquia, os jovens d\u2019A Voz lan\u00e7avam a contraproposta universal, cosmopolita, da Lisboa da \u201cDiversidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os arcos faziam-nos recordar o astrol\u00e1bio, esse instrumento que uniu mundos. A Madrinha Joana Barrios trajava como os rapazes e Filipe Sambado, como as meninas. A sobriedade de quem sabe que n\u00e3o h\u00e1 preconceitos intoc\u00e1veis. A pr\u00f3pria coreografia da marcha parecia procurar inculcar valores. Os arcos passavam \u00e0 vez em frente \u00e0 tribuna, lan\u00e7ando valores: O coletivo rimava com Comunidade; a Amizade com Paz; Solidariedade com Sa\u00fade; Equidade com Educa\u00e7\u00e3o e Democracia com os 50 anos da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa. E, enquanto o pequeno Aires feito Santo Ant\u00f3nio da Voz do Oper\u00e1rio, subia para o trono, porque afinal o Santo Ant\u00f3nio \u00e9 cosmopolita, os mi\u00fados empunhavam cartazes desse mundo diverso e rico que ia de Portugal ao Jap\u00e3o, sem se esquecer da Palestina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santo Ant\u00f3nio desceu da Gra\u00e7a para desfilar no Pavilh\u00e3o MEO Arena, que outrora se chamou de Utopia. E mostraram aos lisboetas que, afinal, a alma desta cidade n\u00e3o nasceu na Europa, nasceu no Mundo, ou n\u00e3o fosse Ant\u00f3nio um Santo Cosmopolita.<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":10066,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[43],"tags":[],"coauthors":[184],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10065"}],"collection":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10065"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10065\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10117,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10065\/revisions\/10117"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10066"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10065"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10065"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10065"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/vozoperario.pt\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=10065"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}